As cartas

O final de semana promete.

Hoje ainda, mais tarde, uma nova leva de revelações do The Intercept sobre o caso Moro.

Quão grave e chocante vai ser, só Glenn Greenwald e sua equipe sabem.

É possível que haja repique na Folha, no domingo.

Domingo de manifestação pró-Moro que, pelo que é possível sentir, não anda empolgando muito, a julgar pelas redes sociais.

Ou então estão escondidos de vergonha com as histórias da cocaína voadora e do vendedor de bijuterias de nióbio, que “bomba” na internet.

A notícia do acordo entre União Europeia e Mercosul até poderia ajudar Bolsonaro, não tivesse feito tantas manifestações de desprezo para com o Mercosul.

Sua conclusão, entretanto, parece ter sido acelerada mais como uma manobra de cautela dos europeus diante do acirramento da guerra comercial dos Estados Unidos com a China do que por uma ofensiva sulalmericana sobre o Velho Mundo, porque as duas principais economias do continente, Brasil e Argentina, não vão lá bem das pernas.

De toda forma, não é assunto que empolgue sua tropa.

Sérgio Moro não tem respostas incisivas, oscilando entre o “não me recordo”, “não tem nada de anormal” e o “foi uma interceptação criminosa” que, juntos e misturados, resultam em inconvincentes.

É um homem que construiu-se com a autoridade do cargo de juiz, não um polemista que saiba enfrentar ataques.

Da mídia, antes uníssona, resta-lhe como incondicional a Globo, mas já nem tanto e tão monolítica.

Greenwald vai movendo suas peças no tabuleiro com aparente maestria, até agora.

Conseguiu a legitimação da Folha e da Veja, saindo do universo dos blogs progressistas.  E chamou para si a polêmica, na qual até é ajudado por sua condição de estrangeiro.

Tem todo o tempo – e no dia de hoje ainda mais – a iniciativa de lançar à mesa a primeira carta de cada vaza. É ele quem faz a pauta. quem decide a ordem em que descarta os trunfos e de dosar a força de cada um.

Não creio, por isso, que vá jogar já os maiores.

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23 respostas

  1. “Tá tudo dominado”. Jornalismo, vazamentos, manifestações, protestos, ações na justiça, etc. não vão surtir efeito nenhum. A nossa “elite” podre só largaria o osso na base da porrada e isso não vai acontecer. A mídia mantém o povão ignorante na rédea curta e as “lideranças” democráticas preferem ficar se iludindo e iludindo as pessoas com sua fé alienada nas instituições.

    1. Concordo plenamente. Mais que o vazamento do Machado e do Jucá, as vésperas do GOLPE, e nada adiantou. Somos um bando de palermas.

    2. Lula pode continuar preso, mas a reputacao das autoridades envolvidas nisso, os premios internacionais, as palestras em Harvard, as manchetes elogiosas la fora, e muito provavelmente as tais empresas de “compliance” que eles achavam que iam faturar alto – isso tudo ja era.

  2. Acho que Greenwald está certo ao buscar veículos da grande mídia para divulgar as informações..
    O objetivo é fazer a verdade chegar ao povão, para fazer com que enxerguem a realidade e assim combater a ignorância política.
    A grande mídia no Brasil não é séria. Já a mídia progressista tem representantes de primeiríssima linha.
    Mas, infelizmente, a maior parte da população, de todas as classes sociais, só se informa sobre política por veículos de comunicação da grande mídia, seja por falta de acesso à internet, seja por falta de “know how” para acessar os sites progressistas, seja por acreditar que os sites progressistas é que são os manipuladores de opinião.
    Então, ainda que a grande mídia brasileira não seja uma aliada da Democracia e do Estado de Direito, ela é nesse momento o único caminho para as informações chegarem ao destino.

    1. Boa parte da população nem pela mídia porca se informa mais. As fontes de informação desta gente passaram a ser o zapzap, o pastor, o facebook onde fake news e conteúdos de extrema direita se propagam. O valor do que o Intercept está faxendo é só para a história, para que as futuras gerações entendam como e porque o país em que elas viverão se tornou um lixo.

    2. O compartilhamento com p PIG mata dois coelhos com uma cajadada so:

      – corta pela raiz o papo furado de “blogueiros sujos” e “vies ideologico”

      – coloca pressao no PIG pra fazer jornalismo de verdade. Se Veja e Folha nao fizerem nada com o material que lhes foi fornecido, ficarao reduzidos a passadores de pano pra um governo incompetente e fascista.

    3. Infelizmente, tudo o que você escreveu se aplica, no máximo, aos estratos médios da população, já que somente as fatias mais alta da pirâmide social fazem uso de veículos impressos da “grande midia” (e cada vez menos). A imensa maioria dos brasileiros só recebem informação de uma fonte, a TV de sinal aberto hegemônica. E esta continua fechada com o ex-juiz e com a Lava-Jato. Enquanto não houver uma situação que torne insustentável esta posição, a exemplo das Diretas, o escândalo não terá a repercussão necessária na opinião das massas. E, sem isto, tudo ainda pode acabar em pizza. Esperemos…

  3. Meu problema sempre foi desconfiar dos “do norte”,espero que esse gringo não decepcione.”Os ventos do norte não movem moinhos…meu sangue latino…”

  4. “(…)Tem todo o tempo – e no dia de hoje ainda mais – a iniciativa de lançar à mesa a primeira carta de cada vaza. É ele quem faz a pauta. quem decide a ordem em que descarta os trunfos e de dosar a força de cada um.

    Não creio, por isso, que vá jogar já os maiores.”

    Bem, não se pode negar que fazer a pauta foi coisa da Farsa a Jato, que primeiro cozinhou por muito tempo o ódio a Lula para depois prendê-lo bem a tempo de não poder disputar a eleição.

    Será essa estratégia, porém, eficaz contra o golpe? Tomara.

  5. A Veja é lixo tóxico, mas seria curioso ver a cara de seus leitores, devotos do Santo Araucariano de Pés de Barro, quando esse semanário começar a derramar sobre seus tapetes de luxo as imundícies de seu Anjo Caído!

  6. É isso, Glenn. Tá certo. Derrote o inimigo compartilhando com os outros inimigos. Parabéns, Fernando.

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