As elites racharam o pacto que lhes deu o poder

Observe o que se passou neste país a partir de 2014.

Desde então, as forças de direita, os conservadores, a mídia e o Judiciário foram  construindo uma unidade política prática que lhes permitisse reconquistar a classe média, eliminar os políticos de esquerda – ou ao menos isolar os petistas dos demais – e reconquistar a plenitude do poder que jamais deixou de gozar neste país, mas do qual, há uma dúzia de anos, já não conseguiam exercer de forma desabrida.

Queimaram seus ícones mais antigos, de alguma forma ainda impregnados de alguma ideia de convívio democrático e passaram a usar o golpismo, a histeria e, sobretudo, o moralismo com que preencheram sua falta de um programa para o Brasil e seu povo.

Nem é preciso dizer o quão cínico é este fundamentalismo, basta ver a situação dos que lhe serviram, nestes anos, como instrumentos: Aécio Neves, Eduardo Cunha, Michel Temer e, agora, Jair Bolsonaro.

Claro, eles foram deixando ao longo do caminho os corpos politicamente carbonizados dos que lhes serviram, mas levaram tão longe a perda da razão que lhes sobrou uma situação autofágica, onde juízes e promotores tornaram-se planta carnívoras inaciáveis, um tosco fundamentalista está no Governo e as forças armadas vão ocupando todos os espaços de direção dos assuntos nacionais.

Já não têm como deixar de perceber que este arranjo só sobrevive se puder se alimentar de carne humana, devorada em frenesis totalitários. E cada um teme ser o próximo.

Sobrou-lhes um único liame, um elo que aida os mantêm próximos: a destruição do país e o saque sobre os parcos direitos de seu povo. Vender o patrimônio, a soberania e dissolver as garantias sociais da população ainda é o  fiapo de unidade que os reúne.

Mas ele próprio vai se rompendo, porque a fúria com que se emprega em sua destruição e os privilégios das camadas do Estado que tutelam este estado de coisas são evidentes demais para conservarem uma aparência de legitimidade.

O pensamento e a ação em favor do povo brasileiro não pode deixar de considerar, de forma permanente e mais ainda no momento em que o bloco de forças do atraso se fissura tão generalizadamente que manter as liberdades públicas, as garantias jurídicas e o que resta das conquistas sociais se sobrepõe a todas nossas mágoas, rancores e até à repugnância que nos causam as partes que se soltam do que era o monólito da direita.

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11 respostas

  1. A frase do nazista da Febraban … “vamos acabar com essa raça” … foi proferida em 2010, isso depois de cinco anos de mensalão-lawfare e perseguição midiática diária, que continuou até 2014. Eles só pensam nisso, todos os dias, há mais de 15 anos.

  2. Estamos quase no ponto em que algum Napoleão vai se apresentar dizendo que vai colocar ordem nesta zona.

    1. Já tem um Napoleão indígena por aí, mas é um tipo que se esqueceu das origens e de quem era dono desta terra quando aqui pisaram os primeiros representantes da gente que ele idolatra. Mostraram-lhe miçangas e espelhos e ele passou a acreditar que o homem branco é muito bom. É um caso perdido.

  3. A elite brasileira não poderia ter cometido uma cafajestice mais completa com o país do que eleger o monstrinho deletério. E o pior é que ainda não entendeu a enormidade de tudo o quanto perdeu com isso. Parece vício de jogo, e vício que pode deixá-la de tanga.

  4. A elite brasileira ,todos, absolutamente TODOS os diferentes agentes dessa elite ganharam rios de dinheiro na época petista ,mas ,ainda assim nunca suportaram a ideia de um país a caminho de sua justicia social .
    O seu perfil escravagista,o seu espírito de servo da metrópole é genética ,insuperável racionalmente.
    Mas, eles dependem de nós,a base da pirámide social,sem ela ,eles despencam.
    Pena que a maior parte dessa base hoje é conformada por imbecis ,manipulados,intolerantes.
    A solução sempre estará na conscientização das maiorías ,não nascerá NUNCA deles..
    Indivíduos questionadores serão sempre a esperança da mudança,e é isso que devemos procurar para o futuro,por meio da EDUCAÇÃO.

  5. Fico feliz comigo mesmo por compartilhar da mesma visão que um Fernando Brito. Tô no caminho certo.

  6. Tudo bem, mas Brito foi muito educado com esses bandidos, tudo bem, educacão e civilidade é porém o que pregamos, parabens.

  7. A elite precisa do povo para enriquecer, mesmo que seja roubando os cofres do governo, que é engordado pela classe trabalhadora, tirando todos os direitos do povo em geral, breve não vai ter nem um para encher os bolsos dessa classe lesa pátria, todos vao para a informalidade.

  8. fora de ordem….na economia.. maiores riquezas minérios, petróleo e agricultura….. vem as privatarias.. vale privatizada q destrói um dos 5 maiores rios de Minas e otro q abastece 1/3 da 3a maior região metropolitana de Brasil.. lava jato q detrói a economia, a indústria naval, as construtoras etc.. juiz q fez curso para juízes da CIA…..a presidente eleita derrubada, vem o Temer q destrói os direitos trabalhistas e começa a vender patrimònio público, vão vender o pré-sal.. criam o ambiente para vir o coisa ruim.. antes de tomar posse ele já criou problemas na agricultura com a China e os arábes.. tomou posse quis tirar o imposto de importação do leite q iria destruir a economia leiteira de Minas (acho q eles não gostam daquilo lá….)… China faz acordo com os EUA e Brasil que escolheu o lado errado, pode perder bilhões caso ela compre america first… bolsonaro abre para a carne americana q obviamente vai trazer grandes prejus para seus apoiadores de 1a hora…. abre os braços para o trigo americano causando graves prejuízos de preço e de mercado ao trigo argentino e exterminando literalmente os produtores de trigo do Brasil.. e em troca saiu de mãos abanando devidamente engatusado pela visão mirifica do seu chefe ali ao lado, de carne e osso, todo em cor laranja Bolsonaro. Ah e Moro e Bozo visitando o prédio da CIA. Faz lembrar o filme Salt com a Angeline Jolie, aquela q achava q o Obama era comunista. No filme um espião acho russo/soviético treina crianças pequenas de ambos os sexos para serem introduzidas nos EUA e crescerem criadas como americanas, sem despertar suspeitas. Para quando adultas agirem em favor da sua verdadeira pátria. A visita à CIA e o tal funesto retrospecto tem gosto de Salt

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