Barroso e a crise que ele criou

A dura reação do ministro da Defesa, Paulo Sérgio de Oliveira – leia-se Walter Braga Netto – às declarações de Luís Roberto Barroso de que as Forças Armadas estariam sendo pressionadas a atacar o sistema eleitoral revela que, sim, há pressões políticas, do contrário teria sido limitada a reafirmar o papel técnico que elas exercem, a convite do próprio Barroso, na tal “Comissão de Transparência Eleitoral” e não se esticaria até o diz que a fala do ministro “é irresponsável e constitui-se em ofensa grave a essas Instituições Nacionais Permanentes do Estado Brasileiro”.

O problema é que não se pode negar que é Barroso o responsável por esta situação e, como já se disse várias vezes, quem preside o Tribunal Superior Eleitoral, como ele o fazia, não pode ser “tolinho” ao ponto de não perceber que Jair Bolsonaro faria, sobre as Forças Armadas, tais pressões, quando as convidou para “atestar” a segurança do processo.

Da mesma forma, não pode achar que uma declaração como a de ontem não fosse se prestar para que, por conta da mesma pressão, se provocasse uma reação forte do comando militar, embora a acusação não seja à Forças Armadas, mas a quem as pressionam.

Barroso, porém, não consegue conter o seu exibicionismo. Já não é o presidente do TSE e, portanto, não tem razão para dar declarações sobre este assunto, senão diante de fatos concretos.

Pior ainda quando está evidente, em outra frente, o ataque de Bolsonaro ao Judiciário, no caso do decreto presidencial de perdão ao desclassificado Daniel Silveira, encrenca demais para que outra crise seja posta na agenda da semana.

Temos o desafio de chegar a outubro e mudar a triste realidade de nossa vida institucionais. Precisamos de leões, não de pavões.

PS. Como que para comprovar a tese acima, depois de escrever, vejo que aquele inefável Diogo Mainardi, órfão de Moro, “lança” Barroso “candidato a Presidente”, dizendo que “é desesperador que a Terceira Via não tenha conseguido encontrar um candidato semelhante a ele”. Não podem ver um pateta vaidoso que o querem logo na Presidência.

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