Barroso e sua suprema hipocrisia

A manchete da Folha, neste domingo, relatando que a seguradora-líder, responsável pela gestão do DPVAT, fez pagamentos ao escritório de advocacia do ministro Luís Roberto Barroso e ao que o sucedeu formalmente, chefiado por seu sobrinho não narra, em princípio, crime, embora dê margem a óbvias suspeitas de tráfico de influência no STF.

Suspeitas, mas não certezas.

Não deixa de ser curioso, porém, imaginar-se como agiria, em relação a outro advogado, o ministro Luís Roberto Barroso.

Qualquer um que o tenha visto pavonear-se como príncipe da ética é capaz de imaginar o que sua Excelência faria e diria sobre o que chamaria de “patrimonialismo” e “promiscuidade” no serviço público.

Nos milhões que teriam ido engordar riquezas pessoais, enquanto as criancinhas morrem de fome e abandono e no elogia das “boas práticas corporativas”, como se os negócios empresariais alguma hora as tenham tido.

Ah, que espetáculo de glória do homem puro, vestal togada que não perde chance de se proclamar o campeão da pureza!

Já dá para imaginar, quando ( e se) o caso do seguro contra acidentes veiculares for a plenário a troca de dardos envenenados entre ele e Gilmar Mendes, seu mais frequente alvo nas sessões televisadas do Supremo, que, com estas e com outras, vai esgarçando sua imagem pública.

Ao ponto que a famosa frase de Bismarck sobre a obscenidade da fabricação de salsichas e de leis terá, logo, de ser remendada para incluir no horror as decisões judiciais.

Enquanto, do lado de fora (e já também nos corredores das cortes), o tropel do fascismo avança em nome da moralidade.

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11 respostas

  1. Interessante. Paulo Roberto Costa, o verme ladrão da Petrobras, foi demitido da empresa em 2012, e, mesmo assim, continuou recebendo, por até 3 anos depois, os pagamentos restantes da corrupção que praticou na estatal. E isto não é fato isolado entre corruptos, eles sempre garantem o seu futuro e o da sua prole, com esses tais ‘seguros de vida’ da bandidagem.

    É claro que Boi-Sol Barroso – uma espécie de Roi-Soleil brazuca – é presumido inocente até prova em contrário – ainda mais agora, com o juiz de garantias a que terá direito, se for o caso -, mas é interessante que, também por 3 anos – de 2013 a 2016 – seu escritório de advocacia “Luís Roberto Barroso & Associados”, já renomeado – claro, é preciso cumprir as formalidades legais – para “Barroso Fontelles, Barcellos, Mendonça e Associados” tenha continuado a receber o seu “seguro de vida DPVAT”, até completar o valor contratado de R$ 3,67 milhões. Com as parcelas finais entregues, a partir de junho de 2013, na mão do sobrinho, o bezerrinho Rafael Barroso Fontelles. Ah!, o nepotismo entre mamíferos é lindo.

  2. Mê deem um exemplo de um cidadão de bem, indignado com a corrupção e simpatizante de Bolsonaro, que não esteja, aberta ou dissimuladamente, envolvido em falcatruas.

  3. Prática comum nos Fóruns país afora…basta comparar os “sobrenomes” presentes nos escritórios de advocacia com os dos togados.

  4. É o Ministro do STF que morreu na queda do avião. As relações dele com um dono de hotel, são muito estranhas!

  5. Bolsonaristas ferrenhos mais cedo ou mais tarde ficam nús em suas canalhices. Claro, conheço muitos bolsonaristas gente boa, honestos e bem intencionados, mas que todo bandido é bolsonarista não tenham dúvida.

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