Trump ‘tuita’ em farsi para estimular protestos no Irã

Há várias maneiras de invadir um país.

Não é apenas através de mandar militares para lá ou disparar foguetes.

Envolver-se em sua política interna é uma delas.

Ontem, quando escrevi que Trump estava escancarando o uso político pelos EUA dos protestos estudantis contra o regime iraniano, ainda não tinha ocorrido a mais nova “gracinha” do presidente norte-americano.

“Tuitar” em farsi, a língua persa, diretamente aos grupos que se opõem ao regime, estimulando-os.

Dias depois de ver milhões nas ruas do país clamando por vingança contra a América, é o mesmo que colocar uma cabeleira laranja nos grupos de descontentes internos.

Provocar não só conflitos internos, mas empurrar o governo iraniano, que estava recolhido e envergonhado pelo caso do avião ucraniano derrubado numa incrível trapalhada militar, para uma quase obrigatória retaliação.

Ser politicamente invadido desta forma é mais humilhante que ter uma base aérea alvejada por mísseis.

Trump está chamando uma ação iraniana, ansioso por se demonstrar um líder.

Não raro, a esperteza engole o esperto.

 

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21 respostas

  1. Por pior que sejam as dificuldades políticas que qualquer pais esteja passando, elas só vão piorar se aceitarem a “ajuda” dos EUA.
    É líquido e certo: ruim sem eles, pior com eles.

  2. Simplesmente ridículo. Depois da derrota na Síria, acabou a farra dos golpes americanos. Ainda mais no Irã. Se quiserem colocar a pata de novo em qualquer país daquela região, terão de assumir um risco de guerra mundial. E eles não estão com essa convicção toda, por isto colocaram “o galho dentro” depois do ataque às bases no Iraque.

  3. A ampla (AMPLA) maioria dos povos do Oriente Médio tem um ódio mortal contra o Império. Com os tuiítes de Trump, esse ódio recairá sobre a oposião iraniana.
    Aliás, os “analistas” da grande mídia dizem que o Irã é uma ditadura. Então como é que tem oposição? E como é que a oposição faz protestos públicos?

    1. Demonizar, demonizar, demonizar. Pintar o lugar como o Inferno na Terra. Repetir a narrativa até que se torne verdade, com filmes de Hollywood pro mundo inteiro engolir a propaganda. Não é só com o Irã, é com qualquer país que atrapalhe o caminho do Império: enquanto os árabes são representados como terroristas fanáticos, nós, latino-americanos, somos vistos como ladrões, sujos e trapaceiros. A mensagem é a mesma: não sabemos cuidar de nós mesmos e precisamos da mãozinha do “Salvador Branco e Civilizado”. É a mesma justificativa dos tempos coloniais do comércio triangular, de escravos, que os europeus davam pra matar, pilhar e destruir.

      1. Muito bem lembrado o papel vergonhoso de Hollywood. E quando algum diretor ou produtor destoa da cartilha, é atacado. E não estou falando só de Oliver Stone ou Michael Moore. Recentemente, George Lucas, na sua série Star Wars, retratou como heróis dois personagens com feições típicas latinoamericanas. Os “críticos” a serviço do sistema desceram a lenha.

        1. Tem dois documentários, “Olhar Estrangeiro” e “Reel Bad Arabs” que falam de como Hollywood vê o brasileiro e o árabe.

    2. Ditadura daquela região é a Arábia Saudita, mas com essa ninguém mexe, tão afinada com os intere$$e$ imperialistas…

  4. Trump pensa que, como fizeram os EUA em 1953, pode fazer retornar um fantoche seu ao Irã, colocando no poder um novo governo subserviente como foi o do Xá, e reinstalando a SAVAK, a mais cruel de todas as polícias secretas de todos os tempos, que mantinha o país em estado de terror perpétuo. Se uma parte do povo persa pode ser levada no bico pela propaganda trumpista, a maioria não pode, e os militares muito menos.

    Lá não é como no Brasil, onde boa parte dos militares insistem em considerar os Estados Unidos como eternos aliados. Realmente, o exemplo de cooperação com americanos na Segunda Guerra, firmado em condições excelentes pelo presidente Getúlio Vargas, garantiu a construção de cinco bases aéreas de onde partiam milhares de aeronaves para a África e de lá para a Europa, bases que depois da guerra foram entregues intactas ao governo brasileiro, dotando muitas capitais de bons aeroportos. Foi na conferência de Potengi, no porto de Natal, Rio Grande do Norte, que os presidentes Roosevelt e Vargas firmaram em 1943 outro acordo que permitiu a construção da gigantesca usina siderúrgica de Volta Redonda, o passaporte do Brasil para a mais avançada industrialização, em troca da criação nacional da Força Expedicionária Brasileira. E garantiu também o treinamento militar dos primeiros pilotos brasileiros, o que possibilitou a criação da força aérea nacional. Esta cooperação, que foi altamente vantajosa para o Brasil e que em nada feriu sua soberania, ainda hoje é confundida com alinhamento automático por alguns militares do Brasil, que não consideram que os Estados Unidos de hoje são muito diferentes daqueles que negociaram com Getúlio em 1940, e que nunca mais eles tiveram outro presidente como Roosevelt, e que não podemos ser seus aliados em empreitadas que em nada se parecem com a luta da civilização humana contra o nazismo daquela época. Bolsonaro ou Temer não têm a altivez e o espírito de missão nacionalista que tinha um Getúlio. E com alinhamento automático a Trump, o Brasil só tem muito a se ferrar, e não a ganhar. .

  5. Por aqui ainda há aquela esquerda caviar que afirma que nas manifestações de 2013 contra o PT não houve armação dos americanos.

    1. Sim, eles dizem que isso é “teoria da conspiração”. Esse termo — teoria da conspiração — foi criado pela CIA na década de 80 como uma forma de desacreditar os que denunciavam conspirações. Deu certo. A esquerda ar-condicionado usa até hoje para ridicularizar quem mostra que há, sim, conspirações.

  6. lá mataram o líder pra atacar por dentro…aqui prenderam o líder. pra elegerem um capacho e atacarem por dentro……CIA. POMPEO.

  7. Não me surpreenderei se vier à tona que o cara que disparou o míssil, contra o avião civil, “adquirir” um apartamento de luxo em Miami.

  8. Quanto ao abate do avião, ainda fico com uma pulga atras da orelha…
    “Trapalhada” conveniente DEMAIS para os gringos, simplesmente IMPLODE qualquer reação do regime iraniano.
    Sobre a capacidade de sabotagem estadunidense, vale lembrar um outro caso envolvendo Irã x EUA …
    Stuxnet
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Stuxnet
    https://br.sputniknews.com/defesa/2019090314471551-espiao-iraniano-teria-ajudado-a-realizar-ciberataque-em-instalacoes-nucleares-do-ira-diz-midia/
    https://www.youtube.com/watch?v=DPt-zXn05ac

  9. “Dias depois de ver milhões nas ruas do país clamando por vingança contra
    a América, é o mesmo que colocar uma cabeleira laranja nos grupos de
    descontentes internos.”

    Pois é. O Tio Sam quer empurrar outra Revolução Colorida, dessa vez usando a queda do Boeing a seu favor. Não dá pra subestimar a baixeza das táticas de Guerra Híbrida, não.

  10. Tradução correta da mensagem:
    Eu mando bomba no saco de vocês e lasco mísseis nos seus rabos, mas sou amigo.

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