Bob Fernandes: o país de joelhos, a farsa e a tragédia. Assista

bobcam

Bob Fernandes, preciso como sempre e sintético como nunca em seu comentário, ontem à noite, no Jornal da Gazeta:

Até uma semana antes, diante de um país ajoelhado e crente, pregavam os poderes divinos do “Deus Mercado”.

“Mercado” é imemorial engrenagem da vida econômica-social. Mas, nestes tempos, vendido e comprado como ente onipresente, Supremo.

Esse “Mercado” tornado divino foi atropelado. Junto, atropelado o país crente e ajoelhado.

Atropelado por outra entidade apresentada como sobrenatural: “Os Caminhoneiros”. Na vida terrena seriam 1,5 milhão entre sindicalizados e autônomos.

Obviamente de todos os credos. Mas é fato que Bolsonaro os atiçou publicamente.

É fato que muitos “Caminhoneiros” juraram amor a Bolsonaro… E que trancaram estradas para derrubar Dilma.

E fato que agora, sem perceber o que avançava no rastro do caos, esquerdas embarcaram nessa.

Só depois se perceberia: “Caminhoneiros” são peões. E seus patrões exploraram suas pautas e misérias. Tramaram e pilotaram essa “greve”; o “locaute”, ilegal.

Razões são infindáveis: a geopolítica dos produtores mundiais de petróleo. Tensões múltiplas no Oriente Médio. Trump ameaçando o Irã…

Valorização do dólar de apostadores externos diante do real…

Política de preços da Petrobras; para corrigir retenção via subsídios do governo Dilma, a diarréia mercadísta: em 30 dias, 16 aumentos da gasolina e diesel…

País refém de caminhões em rodovias, sem sistema ferroviário, hidroviário etc.

Mas não faltaram avisos, por escrito. Dos patrões e peões. Para governo que inexiste. Por ser ilegítimo, produto de uma Farsa.

Farsa porque depôs governo acusando-o de corrupção sabendo que empossaria quadrilhas.

Farsa porque berros anticorrupção silenciariam. Porque seletivos, mesmo diante da mais escancarada corrupção.

Farsa porque tantos que comandaram espaços, vozes e atos não resistem às próprias histórias. E a de seus negócios.

Farsa por venderem que “o Estado” é só “O Mal”. E que “O Mercado” é “Divino”.

Agora, 10 bilhões de subsídios… Do Estado…contribuintes. E prejuízos estimados em mais de 10 Bilhões.

Farsa com entreatos de comédia; como pizzas sendo entregues a cavalo em São Paulo.

Farsa que, com ou sem “Caminhoneiros”, não acabará… Farsas podem se transformar em tragédia.

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24 respostas

  1. Nem o mais criativo roteirista de cinema conseguiria construir uma “ficção” tão detalhadamente como é o Brasil dos últimos 10 dias. Os mesmos “patos amarelos” que, feito idiotas amestrados saíram às ruas e fizeram dancinhas ridículas, agora saem às ruas pelo “apoio aos caminhoneiros”. Com um detalhe: com faixa abre alas dizendo: INTERVENÇÃO MILITAR. A idiotice, quando entubada no cérebro, não sai mais.

    1. É que, também, o orgulho besta não os deixam admitir que erraram o foco e o alvo. E entraram no rebolo da mesma multidão que ferve no tacho dos excluídos do Paraíso do “Deus Mercado”.

  2. Segundo o Blog da Cidadania, donos de transportadoras pedirão motoristas do exército para dirigir caminhões

  3. VAMOS ENGROSSAR ESSE MOVIMENTO, GENTE!

    GREVE GERAL JÁ!!!!

    Greve é para atrapalhar MESMO! É para gerar o caos! É para desestabilizar!

    Greve é a única arma dos trabalhadores contra essa corja que rouba o país a claro dia!

    Greve é para se posicionar contra a extinção de direitos; contra uma justiça canalha e partidária; contra o roubo sistemático do erário do país; contra a entrega das riquezas naturais e tecnológicas; contra um sistema político que elege os mesmos representantes ao longo de décadas! E por aí vai…

    Greve não tem de ser “aprovada” pelos poderes judiciário, executivo ou legislativo! Do contrário, não é greve! É reunião de condomínio!

    GREVE GERAL JÁ!!!!!!!!

  4. No Brasil não há o tal “Mercado”, mas sim, o Neo-coronelismo-liberal. Segundo gente do setor, um terço dos caminhoneiros é composto de trabalhadores autônomos. E eles estão na greve.
    Não se deve minimizar nem debochar do Alexandre Garcia pelo que disse no Bom Dia da Globo. Quando Garcia faz a condenação do governo Lula por ter aberto linhas de crédito para que os caminhoneiros pudessem comprar seus caminhões, ele está apenas expressando sua coerência ideológica. Está demonstrando que é um idealista fanático deste sombrio credo nativo que é uma síntese entre o coronelismo e o neoliberalismo e que, na cabeça dele, a população do Brasil deve ser dividida rigorosamente em donos e peões, sendo que os caminhoneiros nasceram para serem peões. Ele considera que apenas aqueles que foram ungidos pelo deus nativo da meritocracia hereditária devem pertencer à classe dos empresários e poderão comprar caminhões para montar enormes redes de transportes de carga. Segundo a doutrina do fanático ideológico Garcia, os caminhoneiros, principalmente em países periféricos como o Brasil, nasceram para ser reles peões de estrada, semi-escravos de neo-coronéis que trocaram o café de seus ancestrais pelo negócio de transportes. Caminhoneiros não poderiam jamais ser pequenos empresários, porque se o esquema de pequenos empresários, como o esquema de agricultura familiar e outros semelhantes, pode ser coerente com uma “economia mestiça” como a do governo Lula, não pode jamais dar certo no alvor da pureza de um governo arrogantemente neo-coronelista-liberal, onde todos os meios de produção, energia e transporte devem estar na posse de uma elite empresarial conectada ao capitalismo global. Somente os Estados Unidos e alguns outros países desenvolvidos podem se orgulhar de possuir frota de caminhoneiros autônomos, porque lá, para gente como o Alexandre Garcia, todo mundo é divino-maravilhoso.

    1. Alecs, vale lembrar que essa reforma trabalhista vai transformar muito trabalhador urbano em algo parecido ao caminhoneiro. O desemprego vai os transformar em pequenos empresários (MEI). Vão se endividar comprando equipamentos para prestar serviços terceirizados, que antes realizavam como CLT. Não vão ter carga horaria definida, seu tempo será medido em endividamento. Serão como caminhoneiros, escravos com faturamento (e o que ninguém diz: despesas enormes).

  5. Greve Geral contra o Golpe. Contra supremo de merda, com Moro, com tudo.
    Ficar paralisado por medo de provocar reação de Militar fascista não adianta. Os canalhas só param de avançar com enfrentamento.

  6. Espero, espero mesmo, que depois desse pré-Apocalipse algum “governo” novo, eleito legitimamente pelo povo, volte a colocar como primordial a volta da malha ferroviária. Por favor, né?

  7. A rejeição de Temer é tamanha, que a única coisa que o mantém salvo agora são os mandatos dos que o apoiam no congresso. Terminados esses mandatos, será preso por seus crimes. Diante do que se instalou com a greve de caminhoneiros, mais um pouco, o próprio Temer vai desejar a intervenção militar caso esses lhe garantam salvo conduto para liberdade de refugiado político no exílio.

  8. Bob Fernandes muito bom, como sempre. Perfeita resenha! “Farsas podem se transformar em tragédia”.

    Manifestoches ainda acham que estão celebrando a democracia derrubando presidentes. Não é nada disso. Quase sempre, nesses processos açodados, quem tem o poder para tomar para si o controle, ao fim e ao cabo, e dar as cartas não são os manifestantes.

    Ainda mais quando não se vê líderes ou há liderança oculta. Manifestantes canalizam sua raiva, extirpam suas dores, têm a sensação psicológica de “fazer parte” de algo significativo, mas estão sendo, novamente, bonecos na mão de ventríloquos.

    Ventríloquos estes com outros interesses que não o público…

  9. Tudo isso que estamos vivendo é apenas uma pequena amostra do inferno que virá se LULA continuar preso, impedido de se candidatar e bolsonaro for eleito presidente. Acreditem, ainda pode piorar.

  10. Muitos caminhoneiros apoiam BOZOnaro, mas só o fato dos tucanos “limpinhos e cheirosos” estarem cada vez mais no esgoto e com a mídia desesperada por isso, já é um “avanço”.

  11. CADE

    “Apesar de o setor de combustíveis ser o principal alvo de denúncias de prática de cartel no Brasil, defende-se que nem todos os problemas desse mercado são provocados por condutas anticompetitivas”, disse o órgão. (Com Reuters)”

    “Em meio a greve dos caminhoneiros, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) divulgou nesta terça-feira (29) nove propostas para aumentar a concorrência no setor de combustíveis e reduzir os preços ao consumidor final. Entre as propostas, destacam-se:

    • Permitir postos autosserviços, no qual o motorista abastece o carro por conta própria, sem frentista;
    • Permissão para que distribuidoras importem combustíveis;
    • Repensar a proibição de verticalização do setor de comércio de combustíveis (refinarias e distribuidoras não podem ter posto de gasolina);
    • Permitir que produtores de álcool vendam diretamente aos postos;
    • Repensar a forma de tributação do combustíveis e também a substituição tributária do ICMS.

    “O que se espera é, de maneira realista, incentivar o debate social e democrático a respeito de alguns temas específicos, que podem favorecer a concorrência no setor”, disseram os pesquisadores responsáveis pelo estudo, que já vinha sendo discutido internamente antes da greve. Veja mais em:

    https://economia.uol.com.br/ao-vivo/2018/05/29/greve-de-caminhoneiros.htm?c=card_1114118589_1527597303660

  12. A história sempre se repetindo no capitalismo do “deus” mercado: individualização dos lucros para poucos sortudos, e, quando a “coisa pega”, claro, vem a socialização dos prejuízos, dos rombos fiscais ou financeiros para todos os demais mortais. Isso não tem fronteira, aconteceu na mega crise do subprime americano em 2008, em que a sociedade americana e mundial absorveu todos os prejuízos, para que os bancos e as empresas que proporcionaram a farra não quebrassem. A história se repete em muitos outros locais, e esta atual do Brasil não será a última em que a conta virá para todos nós. O incrível é que, neste sistema, os megainvestidores nacionais e internacionais saem tão rápido quanto ilesos, a se divertirem da miséria dos que vão pagar a conta. Até quando vamos nos deixar enganar a este ponto e achar que isto tudo é o normal, a achar que pessoas são números ou robôs sem sentimentos, sem histórias, sem crenças, sem culturas locais e regionais? Isto é insustentável, é uma farsa que jamais se segura a longo prazo.

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