Bolsonaro diz que propriedade da terra é “sagrada”. A Terra, planeta, não é…

Jair Bolsonaro disse hoje que não permitirá a expropriação de propriedades nas quais se tenha produzido, propositalmente, danos ambientais de grande monta, como desmatamento e incêndios deliberados.

“A propriedade é sagrada”, afirmou, para avisar que “se alguém levantar isso aí eu simplesmente demito do governo. A não ser que essa pessoa seja indemissível”.

Indemissível, claro, é o general Hamilton Mourão, presidente do Conselho da Amazônia, em cujo ventre está – ou estava – sendo gestada a proposta de uma emenda constitucional que preveja “expropriar propriedades rurais e urbanas acometidas de crimes ambientais ou decorrentes de grilagem ou de exploração de terra pública sem autorização”.

Não é algo inédito no Brasil, ao contrário.

A expropriação de propriedade de terras usadas no cultivo de entorpecentes está prevista desde a Constituição de 1988 e, em 2014, foi estendida àquelas em que se praticar trabalho escravo.

Só se Jair Bolsonaro considera “queimar um fumo” mais grave que queimar uma floresta, seus animais e árvores?

A proposta, depois de dois anos em que nos tornamos um escândalo internacional com as queimadas na Amazônia e no Pantanal, seria uma resposta razoável à dimensão do problema e, é claro, perderia a terra, como nos demais casos já previsto, aqueles que tivessem seu crime reconhecido judicialmente.

Mas agora, com a nova patada de Bolsonaro, parece que vamos registrar um novo slogan oficial: “pode queimar, que a a terra é sua”.

 

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