Bolsonaro e o caminho da morte

O que pretende Jair Bolsonaro com a inquestionável postura de afronta que assume, postando seguidas fotos passeando de jet sky nas praias de Santa Catarina, para delírio de algumas dezenas de pessoas de classe média (ou de parte dela, que ainda tem meios para fazer turismo) enquanto o país naufraga em enchentes como as da Bahia (100 mil pessoas fora de suas casas, inundadas) e, ao que tudo indica, também em Minas Gerais?

Ok, a recusa da ajuda da Argentina pode ser, apenas, uma manifestação e ódio ao Presidente Alberto Fernández, pela acolhida que deu a Lula dias atrás. É mesquinhez e antidiplomacia, como usual. Mas o desaforo praiano, certamente, não é.

Na mente sociopata do presidente da República, a sua queda de popularidade está diretamente ligada ao recuo na escalada golpista em que vinha até o Sete de Setembro e que o faz, no seu primarismo, crer que é precisa voltar a ser a figura “politicamente incorreta” a que atribui sua eleição em 2018 (e todas as outras, para seus 28 anos de deputado).

Bolsonaro (e ele não está só neste erro) quer atribuir a si uma vitória eleitoral que, está vidente agora, só foi obtida pelo imenso conluio que mobilizou mídia, políticos, militares, juízes, empresários, financistas e toda a crosta dominante (tão medíocre que dói chama-la de classe dominante) num esforço de demolição dos anos de democracia efetiva – a que não se separa da busca da justiça social – neste país.

E que culminou com a interdição político-eleitoral, à custa do estupro da Corte Suprema, na eliminação de seu pilar simbólico e referencial aos olhos do povo: o ex-presidente Lula.

Esta página infeliz de nossa história, infelizmente, não está virada e é o que mais explica a prudência com que Lula conduz sua candidatura presidencial.

Jair Bolsonaro é um homem mau, sem limites éticos ou morais, apesar de seu discurso pretensamente moralista, que não dá valor à vida de ninguém de fora de seu clã.

A dor e a morte são, afinal, a sua praia.

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