Bolsonaro e o diesel: o barulho foi pior que o silêncio

A Petrobras acaba de anunciar um  aumento no preço do diesel nas refinarias: entre 4,6% e 5%, dependendo do ponto de entrega.

É quase o mesmo reajuste que, por telefone, Jair Bolsonaro “vetou” na quinta feira, que elevava os preços em 5,7%.

Em dinheiro, apenas um centavo e meio a menos do que seria.

A intervenção, recorde-se, abalou os mercados financeiros e deu, pela perda de valor das ações da empresa, um prejuízo imenso a seus acionistas – o governo, o maior deles.

Como nos versos de Ascenso Ferreira: Riscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das coxilhas!/Sai de meus pagos em louca arrancada!/— Para quê?/— Pra nada!.

Agora, faça um exercício de alteridade e ponha-se no lugar dos caminhoneiros que, durante o fim de semana, achavam que tinham o ex-capitão como protetor.

Devem estar felizes, não é?

Afinal, foi quem prometeu, durante a campanha, acabar com os reajustes cavalares da era Temer.

O que Bolsonaro fez com o combustível foi jogá-lo na insatisfação de uma categoria que, há anos, vem sendo açulada contra o governo e levada a perder os limites em suas mobilizações de protesto.

O que vem agora é uma loteria. É possível que alguns “trouxas de mercado” ganhem dinheiro com a lenda de que a Petrobras goza de liberdade de fixação de preços.

Até que se detone a crise inevitável, é possível.

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28 respostas

  1. E os caminhoneiros que votarão em peso no Bozo? Vão enfiar os cabos da panela onde agora?….kkkkkkkkkkk

    1. Os caminhoneiros que votaram no Bozo farão GREVE GERAL, como já fizeram (de 10 dias) em 2018.
      Enquanto isso, a esquerda que votou no Haddad (aquele que desejou “sucesso” ao Bozo), não fará nada para apoiá-los, mesmo sabendo que o aumento de preços dos combustíveis prejudica a todos.
      A esquerda está nos gabinetes, esperando 2022 chegar.

      1. Entendo que a esquerda deve ser cautelosa.

        O fato do Boçal Nato perder o apoio na categoria, não significa que os caminhoneiros estejam afeitos à esquerda. Podem enxergar oportunismo nisso.

        Acho que a esquerda deve se pronunciar somente caso o governo comece a agir com fortes ameaças ou violência.

        1. A esquerda está extremamente cautelosa. Haddad desejou “sucesso” ao Bozo. Jaques Wagner declarou que “o PT se vira sem o Lula”. Governadores “de esquerda” se reuniram com o Bozo e estavam sorridentes e saltitantes.
          A esquerda está tão cautelosa que está parecendo direita.

          1. É lamentável como certas pessoas da esquerda tem se comportado, caro Roberto, mas não foi isso que eu quis dizer. :)

          2. Olha, Guanabara, a esquerda NÃO TEM que ser cautelosa. A não ser aquela esquerda eleitoral, que está nos gabinetes com ar condicionado, esperando 2022 chegar.
            A esquerda tem que ir à luta, e tem que ser já. O governo está rachado e enfraquecido. Mas se a esquerda continuar cautelosa (cautelosa = capituladora), os fascistas terão tempo para resolver suas pendengas, fazer seus acertos e se fortalecer. Aí estaremos ferrados. Por exemplo, aqui e ali há professores sendo presos por PMs bolsonaristas. Se os fascistas tiverem tempo de resolverem suas diferenças, não serão só professores. Não duvido que haja dezenas de milhares de presos, dezenas de milhares de assassinatos.

            No carnaval, o grito de todo o Brasil foi “Ei Bolsonaro, vai tomar…”. Inclusive em São Paulo e no Paraná que, segundo a lenda, são locais em que todos são de direita. Em São Paulo, foi marcada a saída de um bloco bolsonarista. A mídia toda foi lá. E não apareceu ninguém. Eu disse NINGUÉM.
            Governo prepara venda da Petrobras, Correios, BB, Caixa e tudo o mais. E Haddad desejando “sucesso” ao capitão. Governadores petistas sorridentes e saltitantes ao lado do Bozo.
            Não, nada de cautela (cautela = rendição). É preciso PREPARAR rapidamente a greve geral por tempo indeterminado, com cerco a Brasília e derrubada do governo. É preciso formar um governo provisório presidido por Lula, para convocar imediatamente eleições para uma Assembleia Constituinte.
            “Ah, mas é difícil, isso não vai acontecer, o povo brasileiro é acomodado…”
            Se as direções continuarem cautelosas (cautela = rendição), haverá uma explosão social selvagem. A fúria do povo não será contida por Haddads, Zés Cardosos ou Jaques Wagners.

  2. Tinha de tirar a Duilma, né senhores caminhoneiros… Tinha de votar no ‘mito’, para os petistas não voltarem, né senhores caminhoneiros… Tinham de se fuder, né senhores caminhoneiros… Rssss

  3. Taí, não achei ruim! Afinal, tudo igual. Agora, torcer pelo dedeco ou o animal onix, na queda de braços.

  4. “A intervenção, recorde-se, abalou os mercados financeiros e deu, pela perda de valor das ações da empresa, um prejuízo imenso a seus acionistas – o governo, o maior deles. “. Vamos corrigir: o governo NÃO teve prejuizo pois a Petrobras não está a venda (ainda…). Os lucros (dividendos) são pagos em cima do valor patrimonial (após apurado o valor do lucro e aprovação do calor a ser distribuido) e nao do preço de mercado.

    1. Esse papo de “valor de mercado” é conversa para boi dormir.

      Suponhamos que o Jorge Lehman decida se desfazer de todas suas ações na Ambev. Após um derrame nas primeiras ofertas, o valor da ação começará a cair até um ponto em que ele terá sorte se conseguir vendê-las por um centavo.

      Tanto é verdade que enormes transferências de titularidades de ações sequer passam pelo pregão normal. Então, o que é uma porcaria de um ocasional pregão de baixa operado em boa parte por bagrinhos especuladores, ainda mais que a Petrobras não está à venda (por enquanto)?

      O resto é o chilique da Miriam Leitão.

  5. Não vai ocorrer nada. Estamos na era do “prendo e arrebento” de novo, inclusive graças a estes asnos sobre rodas.

    Façam gracinha e seus líderes vão em cana e talvez alguns desapareçam, simples assim.

    Sem esquecer que uma crise de abastecimento é tudo que a linha dura deseja para re-instituir a ORDEM.

    Por mim eles bebem gás…e se tocam fogo.

  6. A “pergunta de ouro” é se – caso aconteça nova paralisação – as “otoridades” vão ser lenientes igual foram nos tempos da “micareta” em que os caminhoneiros pediam intervenção militar e apoiavam Boçal Nato.

    1. Na greve geral dos caminhoneiros contra o (des)governo Temer, houve ameaça de mandar o Exército pra cima dos caminhoneiros. Não duvido que o capitão vá além das ameaças.
      Só que tem um detalhe: os caminhoneiros não têm essas frescurinhas da esquerda cor-de-rosa de “amor vencendo o ódio”. Muitos deles andam armados. Na greve de 2018 eles avisaram: “se mandar o Exército vai correr sangue dos dois lados”. E aí, capitão, vai encarar?

      1. “(…)Muitos deles andam armados(…)”

        Serão revólveres e pistolas contra fuzis. Efeito “neutralizador” dessas armas com menor capacidade de fogo é se realmente as autoridades quiserem evitar mortes a todo custo.

        Sem falar que o comando sempre prefere disparar contra os líderes, para que os outros saiam correndo num efeito manada e – embora existam mortos – o número é o menor possível.

        Mas é aquela história, exército não é polícia, muitos soldados são super jovens e a coisa pode terminar de forma bem pior. Será algo sob “intensa emoção”, como diz o Sejumoro.

        Que no (des)governo Temer houve a ameaça de mandar o exército, realmente isso aconteceu. Mas tal ameça não se cumpriu. Ganha um exemplar de um livro de Olavo de Carvalho quem responder porque isso não aconteceu. :)

        1. Ha ha ha, dispenso o livro do astrólogo-filósofo. Mas a ameaça não se cumpriu porque os generais se reuniram e concluíram: a coisa pode acabar mal pra nós.

          Aliás, isso se repetiu com o tal “dia D” da invasão da Venezuela. Capitão Bozo estava todo animado. Mas os generais concluíram: nada de invasão, porque podemos nos ferrar.
          Aliás, naquela reunião dos países direitistas da América Latina (bloco Prosul), o general brasileiro não só disse que o Brasil não participaria de invasão, mas que NÃO DEVERIA OCORRER NENHUMA INVASÃO. Os generais brasileiros são espertos.

          Quanto aos revólveres enfrentando fuzis, a vantagem dos caminhoneiros é que eles estariam em suas posições (provavelmente atrás dos caminhões) e os soldados teriam que tomar de assalto os caminhões para, supostamente, tomar o lugar dos caminhoneiros. Qualquer comandante de tropas pensa mil vezes antes de empreender uma ação dessas porque sabe que os combatentes que estão fixos em suas posições levam vantagem sobre os soldados que pretendem lhes tomar essas posições.

    2. Todo este episódio do aumento do diesel parece ter sido encenado. Bolsonaro finge que veta o aumento, depois o Tchutchuca consegue a muito custo “dobrar” o Bolsonaro e o aumento sai. Magistral. Quando os caminhoneiros saírem aos gritos, não poderão mais gritar “Fora Bolsonaro!”. Vão dizer que a culpa não é dele, que é uma culpa sem rosto, já que o novo presidente da Petrobras, o Castelo Branco ou o “Terror dos Cabelos Brancos”, ainda não é conhecido. Trata-se de uma figura mil vezes mais deletéria que o Parente.

      1. Faz sentido.

        Aí vão dizer que a solução é privatizar a Petrobras porque o diesel é caro por causa dela ser “incompetente, corrupta e cheia de mamatas”.

        Já estou preparando a pipoca no microondas para quando o mercado for realmente “livre”. Vai ter suicídio em massa de caminhoneiros. O resto da população irá a reboque.

        Em tempo, aquele conhecido país subdesenvolvido, a Noruega, tem a sua empresa estatal de petróleo.

        Recentemente trocaram o nome dela de “Statoil” para “Equinor”.

        De fato, o nome anterior levava muitos brasileiros a pensarem até que fosse uma empresa russa. Com o novo nome dá para disfarçar quando a estatização das colônias forem estatizadas pelas metrópoles.

        1. Ué, mas nos tempos dos “esquerdistas” não havia toda uma gritaria para que houvesse a tal “liberdade de mercado”????O que eu (me desculpem o amargor….) desejo para um monte de gente é o tal de “Estado Mínimo” e a tal “Liberdade de Mercado”……Resumindo: tem gente que não sabe o que quer…….mas vai descobrir rapidinho como as coisas funcionam.

  7. As maravilhas do neo-liberalismo puro, que a Argentina implantou de maneira radical, estão agora colhendo seus frutos paradisíacos: Congelamento de preços e ruas repletas de gente que não tem o comer. E os mesmos aloprados neoliberais que agiram lá estão agindo aqui. Com esta turma aí no leme, não há como escapar. Vamos afundar.

  8. Danem-se os caminhoneiros. São uns sem noção, com seus ataquinhos de pelanca pra tirar a Dilma. Agora que têm que lidar com o capetão bolonssauro, tomaram na carapita. Bem feito. Pelo menos a gente não se f… sozinhos

  9. É impressionante como a esquerda se recusa a ver os caminhoneiros como possíveis aliados e, ao mesmo tempo, propõe uma “frente ampla” com PSDB, Ciro, Marina e outros lixos.
    Ou seja, tucanos, Ciro e Marina são nossos aliados na oposição. Mas esses “malditos” caminhoneiros, “eu quero mais é que eles se ferrem”, “malditos bolsonaristas”, “tomara que o preço do diesel vá às alturas” etc.
    Mas quando Haddad e os governadores “de esquerda” desejam sucesso ao Bozo, essa gente se cala.

    Nessas horas é que entendemos porque foi tão fácil derrubar a presidente Dilma.

    1. Concordo, fazer dos caminhoneiros uma vingança pessoal para satisfazer o ego (bem feito a eles!), não tem nada a ver.

      Mas como disse num comentário mais acima (com o uso da palavra “cautela”) se a esquerda na figura de políticos se aproximar (fisicamente) nesse momento, corre o risco de tomar ovada. Um apoio do MST, por sua vez, pode ser válido.

      Posso estar enganado, mas os caminhoneiros ainda estão numa “vibe” da anti-política e que o “mito” representa ser “contra tudo isso que está aí”. A impressão é que a ficha não caiu totalmente para eles, apesar da insatisfação. É preciso esperar a chapa esquentar mais. Por hora, discursos contundentes de políticos da esquerda estão válidos. Essa é minha humilde opinião.

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