Bolsonaro é um perigo também para as Forças Armadas

Que Jair Bolsonaro não respeita instituição alguma, isso não é novidade para ninguém.

Cabe, portanto, uma pergunta óbvia: um homem assim respeitará as instituições militares, que se expressam sob o Alto Comando de cada Arma?

Há seis meses, demonstrou que não, promovendo uma degola em massa: Ministro da Defesa e os 3 comandantes militares. Do jeito e nos limites que pôde, reposicionou-os para um apoio, senão incondicional, muito perto disso.

Mas é certo que isso não lhe bastaria e o presidente palpita na indicação de comandos, através de Braga Netto, com o critério do “este é nosso”.

Nada é mais corrosivo para os princípios de hierarquia e disciplina, ditames constitucionais para ao funcionamento das Forças Armadas que a formação de “alas” em seu interior e, como já ocorre há tempos, com a coordenação de oficiais reformados, agregados em núcleos de conspiração.

Sobretudo porque, sem condições de pregarem diretamente um golpe, admite que elas sejam utilizadas como garantidoras de iniciativas de grupos irregulares de milicianos e de policiais militares que atropelam seus regulamentos disciplinares e se movem, como o Partido Militar do Bolsonaro, em mobilizações semiclandestinas da facistoide “Marcha sobre Brasília”.

A imagem das Forças Armadas diante do país, arduamente reconstruída em 30 anos pós-ditadura, está sendo corroída pela impressão geral – e não desarrazoada – de que elas se tornaram caudatárias do programa – pessoal e familiar – de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro, ele próprio, está manchado pelo recalque que lhe deixou a saída do Exército. E tem, além da conveniência, o prazer mórbido de vê-lo ajoelhado a seus pés.

 

 

 

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