Cartel, só para os amigos

Imagine o prezado leitor e a cara leitora se Fernando Haddad ainda fosse o prefeito de São Paulo, abrisse a maior licitação da história do país, no valor de R$ 71 bilhões, para a concessão das linhas de ônibus urbanos de São Paulo.

Aliás, ele a fez, suspendeu diante de indícios de formação de cartéis, reformatou-a e, como faltavam apenas seis meses para o final de seu mandato, deixou para o próximo prefeito a decisão de executá-la.

Antes, avançou, sob protestos de quem tinha carro, com a implantação de corredores expressos para o transporte coletivo, algo que foi abandonado na gestão Dória.

Agora, Bruno Covas fez o que deveria ser uma disputa entre empresas.

Mas não foi.

Dos 33 lotes de linhas postos em leilão, 32 tiveram apenas um concorrente. Em um único, dois.

A formação de um cartel de empresários é mais do que evidente, embora isso possa ter acontecido até sem a participação dos gestores públicos.

A verdade é que, há décadas, as empresas de ônibus são donas de um poder que paralisa os governantes.

Aqui no Rio, há 30 anos, Brizola tentou vencer este monstro, com uma intervenção nas empresas de transportes. Meses depois, Moreira Franco devolveu-as e até hoje seguem na Justiça, a toda hora, as brigas por tarifas e adequação dos ônibus. Agora mesmo o sistema BRT sofreu intervenção da Prefeitura, por estar se deteriorando, o que é responsabilidade de ambos.

Empresas de ônibus continuam sendo uma das mais antigas máfias das cidades brasileiras.

Mas quando se cartelizam com “governos amigos”, pode.

Os cartéis de grandes empreiteiras, tão ou mais antigos quanto os dos ônibus, só viraram “atos de corrupção” quando interessou aos que mandam.

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