Celso Rocha de Barros e os “bala frouxa”

bolsofraga

A realidade, mesmo com todas as manipulações horrendas que sobre ela faz a mídia, vai se revelando e mostrando que o atentado que resultou na morte da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes significa, para além de um brutal crime contra alguém que encarnava, literalmente, segmentos excluídos da população, foi, na sua essência, um ataque a um interventor que, afinal, está decepcionando os mais ferozes defensores da repressão indiscriminada aos pobres.

Não se desfaz, com isso, claro, o erro que é procurar resolver militarmente a questão da violência e da criminalidade, mas é significativo que o General Walter Braga Netto tenha dito  que “a intervenção na segurança do Estado não privilegia a presença de tropas nas ruas“. Desde o início, aqui se diz que o assassinato da vereadora era um desafio a ele.

Celso Rocha de Barros, na Folha, mostra hoje, em artigo de excepcional coragem nestes tempos de monstros soltos pelas redes, ruas e até tribunais, que a intervenção que estes monstros querem é a de ““subir morro e matar pobre”.

 Os sem bolas da bala

Celso Rocha de Barros, na Folha

O novo não era apresentador de TV, não era jogador de vôlei, não eram os mercenários de internet do MBL, não era empresário, não era juiz ou procurador, não era seja lá o que for isso aí que o Doria é. O novo era a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), e o novo os caras mataram.

Mataram na última quarta-feira, durante o jogo do Flamengo de Marielle. Ela teria ficado feliz com o golaço do garoto Vinícius Jr., mas foi executada covardemente enquanto ainda estava empatado. 

Pelo profissionalismo da execução, pelo lote da munição, pelo histórico de militância de Marielle e, sobretudo, pelo indisfarçável e desesperado terror que o crime despertou nos deputados Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e Alberto Fraga (DEM-DF), podemos supor que os assassinos eram milicianos, membros da banda podre da polícia, ou algum cruzamento entre os dois grupos. 

Afinal, quem matou Marielle foi gente bem ruim, gente bem armada, e essa turma aí ninguém na bancada da bala é homem de enfrentar.

Bolsonaro ficou mudo de medo. Seu filho Flavio chegou a postar uma homenagem a Marielle, mas teve que apagá-la: Bolsonaro não quer filho dele se comportando como homem na frente de todo mundo.

Alberto Fraga achou que o silêncio não seria submissão suficiente aos assassinos e preferiu postar boatos contra Marielle. Entre outras coisas, disse que ela seria ex-mulher do traficante Marcinho VP. 

Os boatos já foram desmentidos, mas, vejam que curioso: ano passado, Fraga foi pego em uma gravação reclamando que a propina recebida por seu assessor seria maior do que a dele (o que o teria deixado “com cara de babaca”). O deputado nega as acusações (diz que era piada), mas, se fosse condenado, Alberto Fraga é que teria a chance de entrelaçar seu coração ao de Marcinho VP, preso há vários anos e talvez já sedento por um novo amor. 

O que ficou claro, também, é que Bolsonaro e Fraga ficarão contra os interventores militares em tudo que for sério. A única intervenção que os sem bolas da bala apoiam é a intervenção “subir morro e matar pobre”. Se for mexer com corrupção policial, se for cutucar milícia, se for comprar briga com a turma que mais teria motivos para matar Marielle, é melhor o general Braga Neto ir buscar aliados no PSOL. E o assassinato pode ser muita coisa, mas tem todas as marcas de também ter sido um recado para os interventores. 

Seja quais forem os motivos para a execução de Marielle, o que espanta é que os assassinos não esperaram os militares irem embora no fim do ano. Talvez estivessem desesperados por alguma revelação que a vereadora estivesse prestes a fazer ao público. Se não for isso, mataram agora para intimidar os militares. Foi uma demonstração de poder extremamente ousada, de gente que se sente muito confiante.

E os mesmos suspeitos de terem executado Marielle andam insatisfeitos com a intervenção: temem o afastamento de oficiais corruptos, temem a mudança na escala de trabalho dos policiais, temem, enfim, que dessa vez seja sério.

Marielle era contra a intervenção, os militares não são simpáticos ao “pessoal dos direitos humanos”, mas dessa vez eles foram parar do mesmo lado da briga. Do outro lado, o crime organizado, e o pessoal que ganha dinheiro com o crime dentro da polícia. Fugindo da briga, já perto da linha do horizonte, Jair Bolsonaro.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

28 respostas

  1. O crime será apurado somente se os mandantes forem milicianos. Caso contrário, como se diz aqui no sul, vai ser muito enchimento pra pouca linguíça.

  2. Isso resume tudo. “Pelo profissionalismo da execução, pelo lote da munição, pelo histórico de militância de Marielle e, sobretudo, pelo indisfarçável e desesperado terror que o crime despertou nos deputados Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e Alberto Fraga (DEM-DF), podemos supor que os assassinos eram milicianos, membros da banda podre da polícia, ou algum cruzamento entre os dois grupos.” Sem mais comentários.

  3. Eu havia lido este artigo e realmente o autor demonstrou certa coragem, ao pontar o dedo para uma das feridas – mas não todas.

    A corrupção e o crime organizado há décadas imersos nas corporações policiais – sobretudo nas PMs, que fazem repressão ostensiva e cujos contingentes são mais numerosos – são evidentes demais e qualquer um que tente negar ou minimizar isso perde logo a credibilidade e o respeito. Todos os veículos do PIG/PPV – que muitas vezes agem como organizações criminosas – sabem dessa corrupção e CO nas hostes do aparelho repressor do Estado, mas preferem fazer parcerias, a denunciar tais desvios de conduta e crimes cometidos por agentes estatais. Não é por outra razão que TODOS os canais abertos, privados, de TV exibem programas policialescos ou têm como “comentaristas” alguém que trabalhou ou trabalha em uma das polícias. Até hoje NUNCA observei empenho da Globo e dos demais veículos do PIG/PPV em investigar e denunciar jornalìsticamente as bandas podres das polícias. O medo e cumplicidade não permitem que o PIG/PPV faça isso.

    Com a intervenção militar no RJ, alguns colunistas do PIG/PPV são autorizados e encorajados a fazer esse tipo de crítica direta e contundente, como esta do Celso Rocha de Barros. Cabe observar, no entanto, que nas três FFAA (Exército, Marinha e Aeronáutica) há também corrupção e profissionais envolvidos no CO, sobretudo tráfico de armas e entorpecentes. Mas não esperem dos colunistas do PIG/PPV mexer nesse vespeiro.

  4. Embora o que afirme o ilustre ESCRIBA DA FOLHA,os autores do crime,todos nós sabemos.
    Foram OS GOLPISTAS.O resto é para EMBARALHAR AS CARTAS.

  5. Mas, Bolsonaro, medroso, silente por um tempo significante pra ser estudado e causar espanto e reflexão nos mais sensíveis ao fuzilamento e consequências que viriam, e vieram, saiu-se com umas pérolas, das quais até me esqueci. Só que entendi tratar-se de um menino que mijou na sala, se escondeu da mãe, e depois veio lhe dar uma explicação desajeitada pra não levar uma surra, como era comum aos filhos de antigamente. Aí tem coisa!
    Quando a Fraga, bem, nem sei quem se saiu pior, se ele ou o colega da bala. O fato é que a emenda, idêntica a da Desembargadora, saiu pior que o soneto, afinal quem é desumano, tosco, selvagem, não pode mesmo entender nada sobre poesia.
    Argumentos doravante não faltarão para, em havendo eleição, sirvam para os debates nos palanques e nas televisões.

  6. No dia em que foi assaltado, BoçalNato arregou! E arrega novamente! Só é valentão contra mulheres, negros, homossexuais, pobres. Manda ele subir lá no morro com a tropa de Bolsominions. Duvido que vá!

    1. E ainda por cima abasteceu um meliante com uma arma de cano curto.

      Imagina quantos estragos essa arma já fez com a numeração devidamente raspada – e o boçal ainda quer promover a venda de armas à população para realimentar esse tipo de coisa.

  7. Pergunta no STFede quem matou Marielle , é triste ver que as mulheres do nosso corrupto judiciário , são piores que cafetinas vagabundas , Carmem Lúcia , Raquel Dodge e agora a mais nova puta da zona essa desembargadora de araque que ao invés de se colocar pelo menos como mulher ao lado dos que querem uma apuração rígida e verdadeira do assassinato , mostra seu lado de puta de bordel , preocupada apenas com seus benefícios.

  8. Os jornalões agora tentam cooptar Marielle Franco para o jogo sujo deles, os mesmos jornalões que nunca quiseram gastar uma única linha das valiosíssimas e necessárias ações da vereadora do Psol. Durante todo tempo de luta de Marielle, Frias, Marinho e Mesquitas encheram as páginas de seus pasquins com nulidades como Katiguiris, Coras Ronais, Constantinos, Hucks e Aécios.
    Não passarão, golpistas imundos.

  9. “(…)Bolsonaro não quer filho dele se comportando como homem na frente de todo mundo.(…)”

    Texto para lá de contundente e realista.

    Acrescento que para Bolsonaro os de esquerda são “terroristas” enquanto outros, no máximo, só querem praticar uma lesão corporal.

  10. O que eu acho mais curioso é que o Bolsonaro só falava de militares pra cá, militares pra lá, intervenção militar, e que todos os seus ministros seriam militares, e taí, quando teve uma Intervenção Militar para valer, lá no Estado dele, os militares não chamaram o Enrustidão nem para fazer umas flexões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *