Chamem Oswaldo Cruz para conter o General Mourão

De relho na mão, o General Hamilton Mourão soltou ontem outra declaração que faz lembrar a frase do ator francês Claude Chabrol: “a estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência: a inteligência tem seus limites, a estupidez, não”.

— Por que preciso gastar dinheiro com uma campanha de vacinação? Todo mundo tem celular, basta mandar uma mensagem: “vacine seu filho hoje”.

No momento em que o país sofre a ameaça de retorno de doenças que já se encontravam erradicadas e em que os especialistas de saúde pública se preocupam com a queda dos índices de cobertura vacinal, não é só uma estupidez, é uma estupidez que leva à morte  milhares de seres humanos.

O general certamente acha que se pode dirigir uma sociedade como quem dirige um quartel, na base do “ordem dada, executada”. Não é preciso convencer, educar, persuadir, basta mandar.

Acha, embora saiba- ou devesse saber –  o quanto nos custou erradicar moléstias que agora voltam, como a febre amarela.

Devo, talvez, perdoar a ignorância do general por desconhecer história, já que reclama de seu neto ser apresentado na escola a noções de filosofia. Mas é imperdoável que desconheça, como oficial-general, a história militar.

Quando Oswaldo Cruz, o maior dos sanitaristas, há mais de 100 anos, mesmo contando com militares e até prisioneiros em seu exército de mata-mosquitos, teve de enfrentar até uma revolta, com barricadas e confrontos, para atacar os criadouros de Aedes Aegypti.

Mas a revolta não foi só civil, foi também militar, na Escola Militar da Praia Vermelha, sufocada a bala pelo coronel Caetano de Farias, num combate na Rua da Passagem, em Botafogo, onde caiu morto o general Silvestre Travassos e gravemente ferido o coronel Lauro Sodré.

Será que tudo isso poderia ter sido evitado se Rodrigues Alves tivesse mandado pregoeiros – os celulares de então – percorrendo as ruas a dizer “vacine seu filho!” e pronto?

Não foi a única pérola de Morão na reunião com ruralistas gaúchos: sugeriu também o fim da estabilidade dos servidores públicos. Mas, quanto a isso, basta uma pergunta: os militares  também entrariam nesta regra, general?

 

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