Choro de Jair é a lágrima autoritária

Vivemos, nos últimos anos, a tragédia da morte de 700 mil pessoas pela Covid. A isso, o presidente da República reagiu com um “e daí, eu não sou coveiro” e um “deixem de ser maricas”.

Hoje, porém, numa simples solenidade de promoção de oficiais da Marinha, Jair Bolsonaro chorou e, por diversas vezes, secou as lágrimas com as costas da mão.

É óbvio, portanto, que não eram os galões que os militares ganhavam a razão delas, mas o fracasso de quem vai se despedindo do poder não por amor ao povo brasileiro, mas pela satisfação de ter, por uma cambalhota do destino, uma carreira militar malsucedida que, entretanto, propiciado a chance de, como presidente, ser o chefe que nunca mereceu ser das Forças Armadas.

Chorava porque vai terminando o tempo em que recebia a continência, formalmente devida mas moralmente vergonhosa, dos oficiais de nossas Armas, cena constrangedora com que maus militares se embriagaram de sonhos de poder.

Tudo está errado nesta cena, porque a derrota exige tanto desprendimento como decoro. A transitoriedade dos chefes é o rito necessário à permanência das instituições, a marca de que são eles que as servem e não o contrário.

O ainda presidente, com seu silêncio covarde, faz o discurso da insubordinação que destrói os exércitos.

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