Jair no ventilador

Sempre que falam que Jair Bolsonaro vai se “moderar”, procurando atrair eleitores “mais ao centro” fico pensando com meus botões como é infinita a capacidade de certa parte da elite brasileira de não enxergar (ou de tentar não deixar que se enxergue) o fato mais que evidente de que só há, para o atual presidente, um caminho eleitoral possível: o do ódio e da baixaria.

Hoje, na Encontro Nacional do Agronegócio, chamou o ex-presidente Lula de “malandro”, “sem-caráter” e “bêbado”, embora sem o citar diretamente porque, covarde, tem medo de encarar um processo judicial.

Também voltou a incentivar a compra de armas:

“Comprem suas armas. Isso também está na Bíblia, lá no Pedrão: venda suas capas e compre suas espadas. Nós somos cordeiros, não queremos ser lobo também, mas não queremos ser cordeiro de dois ou três. Vamos dizer que nossa liberdade não tem limites. Não tem papinho de fake news”, disse.

Como se não bastasse utilizar a própria mulher, Michelle, para destilar ódio aos praticantes de religiões de matriz africana, Bolsonaro não perde uma chance sequer de destilar ódio e discriminação sobre quem quer que se olhe oponha.

Todo dia, toda hora, não falha nunca. Na ausência de planos ou projetos para o país – seu “Plano de Governo” é uma deprimente repetição de promessas de 2018, e toda a campanha se resumirá a isso: xingamentos, maldições e ofensas.

Para quem encara o Brasil como um botequim, nada mais adequado que tentar ganhar no grito, e no idioma de que é composto.

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