Ciro pede para brigar; Lula o ignora

As declarações de Ciro Gomes ao Estadão, dizendo que o ex-presidente Lula teria “conspirado” para ajudar o impeachment de Dilma Rousseff são tão estapafúrdias que não merecem um debate sobre seu conteúdo.

Mas valem para evidenciar que Ciro não tem outro propósito senão aquilo que ele próprio já disse: “tirar o Lula”, ainda que isso seja arriscar-se a manter Bolsonaro.

A “estratégia” de estimular uma intriga entre Lula e Dilma é absolutamente primária e não vai chamar o ex-presidente para uma polêmica com ele, como o ex-ministro deseja.

A resposta, como já se viu, ficou por conta de Dilma e isso foi o bastante para Ciro partir para dizer desaforos a uma mulher o que não parece ser das coisas mais simpáticas.

Ao contrário, dizer que “errou” ao ser contra o impeachment (deveria ter sido a favor?) porque ela seria ‘uma das pessoas mais incompetentes, inapetentes e presunçosas que já passaram pela Presidência” mistura ao seu juízo pessoal a interrupção de um mandato legítimo.

É algo absolutamente oposto ao que é uma tradição do brizolismo, que jamais embarcou em movimentos de deposição de governantes eleitos pelo voto.

Além do mais, não lhe dá nenhuma originalidade política: nesta matéria de acusar a patadas Lula (e Dilma), Bolsonaro é muito mais eficiente e simbólico.

Mesmo gastando os olhos da cara com o marqueteiro João Santana, Ciro não percebe que a maioria do eleitorado não quer uma candidatura de ódio.

Os que preferem isso, estão com a candidatura Bolsonaro.

Esta sim é quem tem o lugar que Ciro aspira, o de adversário de Lula em 22. Se esperasse ser o oponente de Bolsonaro estaria cuidando de não fazer crescer sua resistência no petismo e na esquerda.

Lula vai deixá-lo falando sozinho.

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