Ciro publica “programa mínimo”. Base para um acordo?

Muito boa a carta-manifesto publicada ontem por Ciro Gomes no site do PDT (aqui, na íntegra).

Claro que dá vazão aos ressentimentos – vários deles motivados, é verdade – em relação ao PT e seria falso se não o fizesse.

E cuida de fazer certos arroubos retóricos sobre a cúpula do PT ter “de se haver perante a história com as consequências de seus atos de agora”, esticando a corda, e não seria Ciro Gomes se não o fizesse.

Cuida, porém, de assoprar as feridas que ele próprio abriu em seu relacionamento com Lula:

Compreendamos com humildade e paciência o péssimo momento que a burocracia do PT está vivendo. Já não é mais política, é religião, culto à personalidade, pragmatismo da cúpula de uma organização que parece não querer aprender mais nada. Calma! Falemos com o povo, acreditemos nele, compreendamos a justa gratidão que imensos contingentes de nossa população têm com Lula. Ele foi um presidente bom para muita gente.
Não aceitemos a armadilha de nos empurrarem para o conservadorismo ou para a violação de nossos valores, muito menos por alguns – ainda que preciosos – segundos de propaganda na TV. Em nenhuma hipótese é o PT o nosso inimigo!

Mas isso são malabarismos retóricos que importam menos que aquilo que ele faz objetivamente: apresentar um programa de governo – e bom – que permite acordos claros, como faz ao elencar pontos que considera essenciais a quem for presidente:  desapropriação dos campos  de petróleo do pré-sal entregues pelo Governo Temer; proibição da venda da Embraer à Boeing; revogação da Reforma Trabalhista, da PEC da Morte, atacar o cartel dos bancos e suspender a privatização da Eletrobras.

Convenhamos, não é pouca coisa.

Faz, no final, um aceno bem evidente a conversações: “Se for verdade que Lula será candidato, conversemos; se não for, por favor, Brasil: muita calma nessa hora! Nosso país não aguentará outra aposta no escuro.”

Como Lula é e será candidato até (e se) for impedido, acena para conversar.

É um gesto que só as pessoas que se dedicarem à irresponsável arte dos ódios pessoais numa hora como esta poderiam repelir.

 

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