Vitória folgada no Senado ajuda, mas não resolve base para governar

Os 64 votos favoráveis à PEC da Transição – 15 a mais que os 49 necessários, e nos dois turnos – mostraram um desenho favorável à aprovação também na Câmara do Deputados.

A maior resistência, claro, ficou por conta do PL, o partido capturado por Jair Bolsonaro, do PP e do Podemos, que tem uma bancada ainda numerosa no Senado, mas onde se deve registrar a importante dissidência dos senadores Álvaro Dias e Flávio Arns, que votaram a favor da PEC.

O desenho favorável, embora não se possa transferir a orientação de uma casa para outra, vem do fato de que o Republicanos, um dos partidos da tríade do Centrão, e o União Brasil, quarto maior partido na Câmara, terem nitidamente uma orientação de voto a favor do novo governo.

É improvável que Arthur Lira deixe de ter uma orientação favorável à aprovação da PEC e isso deve acontecer na próxima terça ou quarta feira. Mas depende dele que a votação corra lá, como no Senado, em clima tranquilo.

O resultado, porém, não é um indicador de como será o relacionamento entre o governo Lula e o novo parlamento, com a composição que terá a partir de 1° de fevereiro, cm maior participação de “direita feroz”.

Após a aprovação da PEC na Câmara, o eixo da conversa muda para esta sintonia: a de fazer uma base suficiente com o Congresso de 2023.

Um passo de cada vez, esta é a orientação de Lula e não a de fechar um “pacote”, como fazia Jair Bolsonaro.

Sempre tendo na cabeça a frase de Magalhães Pinto, velha raposa parlamentar: “Política é como nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

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