Corra pra vacina vem aí

O general Eduardo Pazuello anuncia que “o avião está pronto” para decolar rumo à Índia para buscar os dois milhões de doses e diz que a carga parte de lá para o Brasil dia 16.

Considerando que chegue aqui no dia 17 ou 18 (um vôo Mumbai-Rio dura um dia ou pouco mais, dependendo da necessidade de 1 ou duas escalas da aeronave), e que leve, como relatou a presidenta da Fiocruz, um dia para a rotulagem e colocação de bulas (obrigatórias em qualquer medicamento) teremos as primeiras vacinas prontas para serem aplicadas no dia 19, para o qual, segundo a Folha, o governo já planeja um evento em Brasília, ou no dia 20, o que depende do horário de embarque da preciosa carga em Mumbai.

Como se promete o veredito da Anvisa sobre esta vacina e a do Butantan no dia 17, há várias consequências da “Operação Para Que a Angústia”.

Se aprovar a Coronavac, como impedir Dória de dar a vacina inaugural antes de Brasília?

Se não aprovar, com que vacinas se começaria uma campanha de vacinação, já que os dois milhões de doses indianas não dão nem para a saída, pela necessidade de partilhar com, pelo menos, centenas de médias e grandes cidades?

Como garantir que controles de qualidade no material vindo da Índia sejam feitos.

Como, quanto e quanto se enviará material para cada estado e qual vacina irá para quem?

Quanto tempo após o recebimento as secretarias estaduais e municipais de saúde estarão prontas a vacinar e, assim, de fato iniciar-se a campanha de vacinação.

Até agora, só o que sabem é que será “no Dia D, na hora H” e com a vacina “V”.

Se não há uma campanha de propaganda e esclarecimento, como será explicado quem vai ter direito a tomar a vacina e quem terá de esperar sua vez?

Que prazo têm para cuidar do transporte até os postos de vacinação, como se organizarão (se houverem) as filas, como se farão os registros indispensáveis para a segunda dose?

É triste ver estruturas tão longamente montadas como a dos planos brasileiros de vacinação serem lançadas num improviso politiqueiro.

Sempre teve política, claro, com presidentes, governadores e prefeitos “dando a primeira gotinha”, mas no dia e no local nos quais, de fato, a campanha acontecia.

Aqui, pelo visto, vamos ter um teatrinho para as câmaras de TV e para as redes sociais e um início de vacinação desorganizado, mal abastecido, confuso e olhe lá se sem hostilidades das falanges bolsonaristas contra a “vachina”.

 

 

 

 

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