De volta ao pibinho

A queda de 1% do PIB do segundo trimestre – menos 0,1%, contra expectativas já modestas de alta de 0,2% – é um sinal de que o resultado deste ano vai ficar longe do delírio do “crescimento em V” anunciado pelo governo.

Parece ser um adeus aos 5,3% de crescimento este ano e 5% já será, como dizia minha avó, de “lamber os beiços”.

Mesmo o crescimento de 0,7% do setor de serviços, considerando a retração sofrida com a pandemia, é pífio e não pelas restrições de mobilidade e convívio da pandemia, já praticamente inexistentes, mas pela perda de renda generalizada da população.

Recorde-se que este trimestre teve vários estímulos econômicos, com destaque para a antecipação do 13° para os aposentados e a volta, mesmo reduzida, do auxílio emergencial.

E que, de agora em diante, os fatores negativos pesam mais: a crise hídrica, a alta dos juros e da inflação e o pessimismo econômico que passou a ser captado por qualquer um que puxe conversa num mercado ou uma loja.

Os números podem não ser negativos no semestre iniciado em julho, porque a base de comparação ainda será o frio 2020. Mas é provável que tendam mais para a estagnação e terminemos o ano praticamente num “zero a zero” com a situação do final de 2019.

Que já era ruim.

Há, porém, um ingrediente extra, que já dá tom amargo e pode tornar intragável o bolo que não cresce.

Mesmo tíbia, indo e voltando nos manifestos, não é pouca coisa a Fiesp e os bancos mostrando desconforto com a situação do país.

Eles já colocaram, antes, as fichas no 17. Agora, torcem para que as fichas de Bolsonaro no Sete de Setembro não seja uma virada de mesa.

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