Desastre atinge em cheio política “desambiental” de Bolsonaro

Escrevi, antes, sobre a exploração que tenta fazer o General Mourão da “inocência” do Governo Bolsonaro no caso do rompimento da barragem de Brumadinho.

E é verdade que o novo governo não tem nenhuma responsabilidade sobre a tragédia que se passou com o deslizamento de lama, que ainda não mostrou seus horrendos números definitivamente e talvez não venha a mostrar, até pela dificuldade de resgatar corpos soterrados a muitos metros de profundidade.

Mas há um ponto em que o deslizamento de milhões de toneladas de rejeitos de mineração atingiram – além da natureza, casas e pessoas – os projetos insanos do governo que se inicia.

Diante das primeiras evidências que  houve – com consequências ainda não esclarecidas – uma aprovação a toque de caixa da ampliação da capacidade de produção da mina – algo tão provável que, antes de todas as informações, já se aventara aqui – a intenção bolsonarista de eliminar ou transformar em mera e rápida formalidade os processos de licenciamento ambiental vai demorar muito tempo até poder colocar suas mãos acima da lama de Brumadinho.

Nem tanto porque as consciências ambiciosas, públicas ou privadas, tenham se comovido, mas porque se evidenciou, de maneira tragicamente didática, que é preciso cuidar com rigor dos inevitáveis danos e riscos ambientais e humanos de processos industriais de porte significativo.

Sobrevôos e “grupos de emergência” diante do desastre não são novidade nem representam mais do que a demonstração – tardia ou hipócrita – de minimizar o dano que antes se assumiu causar.

Na prática, porém, o efeito sobre o governo, por conta do impacto na opinião pública, aqui e lá fora, será o de frear, ao menos temporariamente, o processo de liberação da fome de lucros empresarial, que gasta alguns milhões imprimindo cadernos em papel couchet sobre sua responsabilidade social e ambiental mas não hesita em violá-la por alguns bilhões que lhes virão da exploração predatória.

Empresas privadas – ao contrário das estatais, onde o corpo técnico tem garantias e identidade – avaliam projetos minimizando riscos. Se o estado não interferir, controlando e fiscalizando (o que é muito mais difícil quando a minimização do risco não vem desde o berço dos projetos) é inevitável que tragédias se sucedam.

Neste aspecto, a lama de Brumadinho pode ter feito, ainda que frágil  temporária, uma barragem contra a exploração voraz e temerária que esta gente, ao colocar o dinheiro acima de todos e o lucro acima de tudo, pratica contra o Brasil.

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24 respostas

  1. e tem várias outras barragens prontas pra estourar
    Minas pode virar um mar de lama literal

        1. Bolsomínion, eu?
          Bateu na porta erra, camarada!
          E quem pode virar um mar de lama é o Brasil, mesmo, não “apenas” Minas.
          Sul da Bahia, região se Ipiaú, represa de mesma natureza, em mineradora de níquel, desperta preocupação. Os alertas são de que, se ocorrer rompimento, várias cidades serão destruídas pela lama, que também inundará o Rio de Contas, o principal da região, deixando sem abastecimento de água diversas cidades, inclusive Itabuna, uma das duas maiores da região.
          Aliás, haveria pelo País diversas outras represas com risco de moderado a alto e com relatórios sobre segurança cada vez menos levados a sério.
          Então, responda-me. É apenas Minas, o que já seria insuportavelmente grave, ou todo o Brasil sob risco de se tornar um literal mar de lama?

  2. Pera lá ! O governo TEM CULPA SIM. Foram esses canalhas que derrubaram Dilma, esse governo é apenas a continuação do golpe. E o golpe é responsável sim, porque de lá pra cá a Vale foi “aliviada” da responsabilidade sobre a tragédia de Mariana e a fiscalização também deve ter sido afrouxada.

    1. Infelizmente o governo de Pimentel tem responsabilidade. E pra piorar, o dito NOVO via governador Zema, manteve o mesmo secretário de Pimentel, que diminuiu o grau de risco e a ampliação.

  3. Um governo totalitário não lida com problemas reais, correntes e concretos, não vive na ou da normalidade e ignora o simples bom senso. Um governo totalitário não tem limites, vive como se não houvesse amanhã e funciona como um enxame de gafanhotos. Para manter-se de pé precisa da criação de “inimigos” imaginários, internos ou externos, para justificar seus meios e objetivos “extraordinários”. Um movimento totalitário depende de uma estranha combinação entre o cinismo criminoso de seus líderes e a credulidade de uma massa de apoio colerizada e desligada da realidade. Essa foi a lição que uma filósofa alemã tirou de um passado não muito distante, esse tem sido nosso presente desde que a caixa de pandora foi aberta pelos golpistas.

  4. O governo tem culpa sim, porém nao este novo governo. Este novo governo ainda não tem 30 dias de governo.

  5. Grande catástrofe que aconteceu em Brumadinho. Querer transferir a responsabilidade para o governo atual é um tanto ridículo, a oposição veicula todos acontecimentos ao governo do Bolsonaro, que mal acabou de chegar.

    1. É que esse novo governo ta cagando para o meio AMBIENTE…agora ele tenta fazer que não é com ele…vide as baixas das ações da Vale…simples…CORREU pra tentar abafar a baixa das ações pelas atitudes de socorro….e o Brasil se enforca mais um pouco…quem mandou privatizar a Vale…A maioria do tempo do FHC(GAGA)…a favor da PRIVATARIA todos receberam seus QUINHÕES por fora e foda-se o resto….simples…

    2. Desde a campanha eleitoral, Bozo faz questão de dizer que pretende afrouxar a fiscalização ambiental e confirmou isso ao abrir espaço em seu governo para ruralistas da pior espécie, inimigos declarados do Ibama e da proteção ao meio ambiente. Basta ver o ministro do Meio Ambiente, um sujeito condenado em SP por improbidade administrativa, que falsificou documentos e mapas ambientais a serviço do governo Alckmin. É claro que o atual governo não é diretamente responsável pelas maracutaias ambientais da Vale e seu poder de corromper políticos vem de longe, mas esse governo é sim responsável por um discurso que incentiva os crimes socio-ambientais de maneira absurda. Desde outubro, eleição do atual presidente, as motosserras estão mais velozes e mesmo antes de sua posse os fiscais do Ibama sentem na pele a pressão para fazerem vista grossa aos crimes ambientais. Seria bom que essa tragédia de MG servisse para estancar a promessa de “Liberou geral” mas os compromissos de campanha do presidente e de seus amigos governadores (Doria, Zema, etc) precisam ser pagos e as mineradoras dificilmente serão punidas.

  6. Não há qualquer inocência. Nos pedem votos, gastam fortunas em propagandas (ainda que falsas), desqualificam oposições (como se fossem os perfeitos). Infere-se daí a responsabilidade dos “eleitos” sobre a sociedade, as pessoas, os demais seres. E os governos que entraram “agora”, tanto em Minas quanto no executivo nacional, não têm (e nunca tiveram) preocupação com gente, com questões ambientais, com propostas de desenvolvimento menos predatórias. Como consequência, não nos darão respostas.

  7. esse governo, é a continuação de 2016, portanto tem culpa no cartório sim, mas como diz o Bozo, o IBAMA só faz multas, temos que liberar as mineradoras para fazerem negócios e que se lixem o povinho, assim tb pensa o menino que fez merda com o ambiente em SP. e foi condenado, mas é ministro. Lula ia ser ministro de Dilma, mas não pode, mas esse pode assumir mesmo condenado. O que vale pra um não vale pra outro, ou seja, tudo vale para a extrema direita e nada vale para a esquerda.

  8. O ministro do meio ambiente tem processo judicial nas costas por improbidade administrativa e faz conchavos com as mineradoras. Sugiro a imprensa esperar passar esse momento de comoção e resgate das vítimas e depois tratar direitinho do caso do ministro e de quem o nomeou. As mineradoras tem quem facilite as coisas para elas dentro do governo. O capitão escolheu uma raposa para tomar conta do galinheiro.

  9. O que me impressiona nisso tudo é o descaso criminoso da Vale, devidamente apoiado por políticos criminosos: literalmente brincam com vidas humanas e com o meio ambiente como se isto não tivesse a menor importância, o importante é faturar e lucrar o tempo todo.

  10. Vi o Gen Heleno muito bravo com os repórteres quando deveria estar bravo consigo mesmo de ser companheiro de ministério de um condenado por favorecer mineradoras. Fique bravo general apontando sua força ao inimigo certo. Ou você não sabia?

  11. à la rolando lero, divirjo amado mestre (q bom q voltou à velha forma diga-se de passagem). Bozo tem culpa sim, ele está na política há quase 30 anos, ele é a continuidade de Temer e preposto da turma da grana, ou seja, de dentro e de fora, ele é mais do mesmo e com promessas de ser pior exatamente no tema ecologia. Devem ter n marianas a ponto de explodir por aí e não só em forma de barragens. Mas até os milicos são entreguistas. A trindade do pau da goiaba tb está do lado de lá. Ora, só sobra mesmo o Chapolin Colorado que por sinal não dá dando conta nem mesmo da terra dele…

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