Desastre vira politicagem na Vale

Colocar nos jornais, abertamente, a destituição do presidente – aliás, inútil, se não vier acompanhada da substituição das  diretorias que planejavam e executavam a irresponsabilidade de uma exploração descuidada – senão criminosa – que podem ter contribuído para o desastre de Brumadinho é, no mínimo, uma temeridade.

O governo não tem poder e votos próprios para fazê-lo e, portanto, isso exigiria tratativas com o bloco de acionistas que, por acordo, exerce o controle da empresa.

É claro que não é nada improvável que aconteça, pois o presidente Fabio Schvartsman está numa posição de fraqueza absoluta, sem conseguir comandar nada, nem as declarações do escritório de advocacia que representa a empresa.

É curioso – tão curioso que deve colocar várias pulgas atrás da orelha – que isso venha a partir justamente daqueles que apregoam as virtudes divinas da “gestão empresarial” e do privatismo.

A destituição do presidente e de diretores nada tem a ver com a responsabilização da empresa pelo acidente. Por mais que sejam polpudos os salários e bônus desta gente, são um grão de areia perto dos bilhões que o rompimento das e as mortes e as mortes e destruição que ele provocou custarão.

Ao contrário, a responsabilização criminal de “ex-diretores” torna  suas inegáveis culpas em fator de “anistia” para  Vale: o desastre não seria fruto de políticas da empresa, mas apenas de homens falhos e irresponsáveis.

É o resultado da falta de governança corporativa, ou melhor, de uma governança corporativa que coloca lucro e segurança nos dois pratos de uma balança viciada.

As tragédias, como aliás tudo neste triste período que vivemos, são tratadas apenas como elementos de marketing e não se pode descartar que se aproveite até para “encaixar” algum militar da reserva na diretoria.

Não duvide: nada é impossível com a miséria humana que nos dirige.

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6 respostas

  1. Droga, quando li “destituição do presidente” achei que o Fernando estava falando do Bolsonaro…

    1. Sim, devemos falar do Bolsonaro e do governador de Minas. Deixar o exército brasileiro parado, enquanto se aguardava a chegada do exército de Israel é crime de responsabilidade. Quantas pessoas poderiam ser salvas neste ínterim?
      Com uma catástrofe se desenrolando e os governos fazendo marketing, para Israel.
      Ou será que Bolsonaro sabe que nosso exército só presta para dar golpes?

  2. Todo o board irá dançar junto com a diretoria executiva. Os acionistas não aceitarão um prejuízo desse tamanho sem por a culpa em alguém e, obviamente, será em quem está diretamente à frente do negócio. Senão para tirar o seu da reta, mas, também, para dar uma resposta ao mercado e reduzir o dano de imagem, se é que isto é possível.
    Então, Mourão et caterva estão chovendo no molhado e criando manchete para desviar atenção do outro desastre em curso, o próprio governo.

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