‘Didi Mocó’ na Saúde: coronel manda médicos receitarem cloroquina

Os mais velhos hão de se lembrar do bordão que Renato Aragão, na pele do “Didi Mocó” usava quando alguém era muito pretensioso: “Audácia da pilombeta!”.

Pois o desempenho da tropa do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde não se cansa de merecer a comparação do os Trapalhões.

O coronel Luiz Otávio Franco Duarte, Secretário de Atenção especializada à Saúde do MS enviou ofício à Presidente da Fiocruz e ao diretor do Instituto de Infectologia Evandro Chagas, duas das mais renomadas instituições de Saúde do país onde “considerando as orientações do Ministério da Saúde para o tratamento medicamentoso da COVID-19 em grau leve, moderado e grave (…) venho por meio deste enfatizar a importância do tratamento precoce, ao início dos sintomas de pacientes com diagnóstico clínico dessa doença” com cloroquina e hidroxicloroquina”.

No texto, Duarte – o mesmo que mandou os secretários comprarem insumos, ainda que superfaturados, e mandarem uma carta para o Ministério Público, “porque assim ninguém vai ser preso” – manda que os prescritores – os médicos – tenham sempre a mão o “termo de consentimento” para dar aos desesperados, digo, aos paciente, para que assinem e se possa enfiar neles a droga que nenhum cientista no mundo toma mais como séria.

Chega ao detalhe sórdido de pretender orientar em que dias o desesperado deve passar por eletrocardiogramas, já que as drogas são cheias e efeitos cardíacos colaterais: o primeiro, o terceiro e o quinto dias de “medicação”.

O coronel tem sorte de que os destinatários são pessoas educadas, que não vão lhe responder com linguagem de reunião ministerial. Mas bem que poderiam dizer a ele que se limitasse a dar ordens aos recrutas, para caiarem calçadas, a porem o peito parafora e a barriga para dentro e não fazer prescrições a gente que tem décadas de estudo e atividade sérias em infectologia.

Coronel, deixa quieto, não é preciso levar-se a ridículo maior do que o de “tomar de assalto” o Ministério para ajudar Bolsonaro a deixar de ser o “Capitão Corona” para ser o “Marechal Cloroquina”. Menos audácia, pilombeta!

 

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8 respostas

  1. O pior é que, por dispor de publicidade orientada, esta abominação vai se transformar em fonte de conflito na saúde pública. Já não são poucos os familiares de pacientes que acenam com a expressão “espero que todo o possível esteja sendo feito” ao receber seu boletim telefônico diário sobre a condição de seu ente querido. Leia-se “espero que estejam dando hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, vitamina, etc”. Antevejo o momento em que vai se iniciar uma onda de judicializacão das mortes pela Covid-19, onde familiares desesperados vão exigir quebra do sigilo médico-paciente para checar se o uso destas drogas espúrias está sendo ou foi realizado. A que ponto chegamos…

  2. Depois que o secretário do ministério disse que o Brasil é referência mundial no combate ao vírus, nada mais surpreende. Por pessoas como esse coronel, Heleno e outros dá para ver o nível das FA.

    1. É o duplipensar orwelliano. Referência sim, mas negativa, como exemplo do que não deve ser feito.

  3. Ministério da morte. Dirigido por um militar desqualificado para a função e assessorado por uma dezena de outros. Como foi que disse o ministro? Genocídio? Pois é, os milicos precisam procurar a definição do termo nos dicionários antes de se “avermelharem” (comunistas?) de raiva. O ministro foi condescendente por não lhes fazer a associação direta,

  4. Estabelecer um “facilitador” junto ao prescritor, significa o que?

    Mandar um milico ficar na cola do médico, como o general Ajax, que funga 247 no cangote do Toffoli?

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