Doria antecipa veto à vacina chinesa e anuncia vacinação em janeiro

Jair Bolsonaro e João Doria transformaram, definitivamente, a vacina contra a Covid numa disputa política primitiva, num duelo sem honra.

Depois do silêncio absoluto do ministro-general da saúde, Eduardo Pazuello, sobre a fórmula chinesa que está sendo testada pelo Butantan paulista com a chinesa Sinovac, tudo indica que Doria pressentiu que, se não negar aprovação, a Anvisa bolsonarista – ou alguém acha que o almirante que a dirige está ali por outra razão? – vai empurrar para as calendas a homologação da Coronavac.

E fez o seu mais ousado movimento, anunciando para janeiro o início da vacinação em São Paulo – o que não tem poder legal para fazer, sem o registro da vacina – para criar uma situação de fato: a negação do registro até o início do prazo que Doria anunciará para o início de sua aplicação em São Paulo.

Em linguagem popular, Doria pagou para ver se Bolsonaro terá “peito” de impedir que São Paulo saia na frente com sua própria vacinação.

É claro – e já se apontou aqui – que há um retardo criminoso na preparação da vacinação em massa, mas não é isso o que move a voluntariosa ação do governador.

O episódio terá um efeito terrível para outro crime, este de ambos: a politização da vacina, que vai reduzir a confiança da população, reduzir a cobertura vacinal e, com isso, as próprias escalas de imunização que são, como se sabe, fator determinante na eficácia das vacinas.

O duelo de seringas entre Doria e Bolsonaro – se é que este vai mesmo se empenhar o mínimo pela vacinação, é um espetáculo indizível de banditismo político.

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