Doria, ao definir ‘prioridade’ antilulista, entrega o bolsonarismo da ‘3ª Via’

Se alguém ainda tinha dúvidas de que chamada 3ª Via não visa enfrentar o bolsonarismo, mas cooptar o eleitorado bolsonarista, postulando-se uma alternativa contra Lula “melhor” que o ex-capitão, deveria perdê-las hoje, com as declarações do governador de São Paulo de que o “antipetismo será predominante dentro da nossa campanha, com muita clareza”.

É óbvio que não se esperaria simpatias a Lula da parte de Dória mas, ao dizer que isso “será predominante” ele deixa claro que há uma escolha implícita sobre o que é principal em sua candidatura e qual é o eleitorado que busca: o mesmo que está com Bolsonaro.

Não tão direto, mas igualmente definidor é o discurso de Ciro Gomes ao dizer que “minha missão é tirar o PT” oferecendo-se como campeão do antipetismo.

O curioso é que o discurso da 3ª Via era o de que seus diversos candidatos poderiam “unir a oposição” com mais facilidade do que Lula.

Não é e nem nunca foi e são hipócritas as críticas que Lula não quer alianças. Quem elege como “predominante” a oposição a ele, é claro, não quer aliança alguma.

Os candidatos “terceiroviistas” usam as manifestações antibolsonaro como uma espécie de Rio Jordão, onde vão banhar-se para expurgar os pecados de terem ajudado a elegê-lo, claro que sem o ato de contrição de assumir o erro de, com Torre Eiffell ou Bolsodoria, terem deixado de ser erguer ou até pego carona eleitoral neste desastre.

Não há este gesto de honradez, que não se confunde com humilhação, mas com uma postura leal a todos quanto fizessem frente à continuidade do desastre que ocupa o governo brasileiro.

É por isso que Lula segue impávido na liderança das pesquisas, sem que outro dos ditos “oposicionistas” apareça como alternativa eleitoral para o povo brasileiro.

Porque o povão, na sua simplicidade, sabe que não é contra Bolsonaro que se erguem seus nomes, mas para evitar a volta do presidente que lhes reúne na memória uma época de prosperidade.

Ter como “predominante” a intenção de evitar isso é estar do outro lado. E, como Bolsonaro não lhes abre espaço, é estar em lugar algum.

 

 

 

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