Em tempo de ômicron, governo luta por cloroquina

O Brasil não é mesmo para amadores, nem mesmo no que tange aos imbecis.

Enquanto o país explode em casos de Covid, com recorde de infecções e sinais preocupantes do stress da rede de Saúde, ficamos sabendo que o Ministério do Negacionismo (o nome apropriado para o que temos) revolve-se para afastar uma médica – Vania Canuto, diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovações em Saúde – e, com isso, reverter o placar (já absurdo) de 7 a 6 contra o uso de cloroquina como “tratamento precoce” da doença, estabelecido há um mês na Conitec, órgão ao qual o sr. Marcelo Queiroga afirmou seguir na definição de terapêuticas contra o Sars-Cov2.

Ou seja, o governo definiu os jogadores, jogou em casa, perdeu mesmo assim e agora, depois de finalmente votado o parecer, quer mudar a súmula e virar o placar.

Infelizmente, porém, o governo não está mais sozinho no jogo da mistificação e no “sanitarismo de pensamento positivo” que a gente vê por toda a parte.

Hoje, O Globo dedica-se a adivinhar que, logo, tudo vai começar a passar: “Curva de outros países sugere que pico no Brasil deve chegar em até três semanas“, apoiado em exemplos que, em alguns casos, não chegam a duas semanas de redução nos casos.

Isso, no momento em que França. Itália e Alemanha registram os maiores índices de infecções diárias em toda a pandemia.

Não há nenhuma métrica confiável para estimar o desenvolvimento da doença, por contada precariedade e da inconsistência dos dados. Ninguém pode acreditar que São Paulo tenha metade dos casos que registram estados como Minas Gerais e Paraná, para ficar apenas em um exemplo.

Hoje, o Poder360 mostra que “Só 8 das 27 unidades da Federação do Brasil reportam dados de casos e mortes por Covid sem precisar acessar os sistemas do Ministério da Saúde” e que o ditos dados “independentes” do consórcio de veículos de imprensa são meros repetidores dos números que mais de dois terços dos Estado “recuperam” do sistema do Ministério da Saúde.

A verdade é que não temos dados confiáveis para saber da extensão da doença e, neste apagão inexplicável, é melhor confiar no que nós estamos vendo: multidões enfileirando-se à espera de testes, o que certamente não está acontecendo porque as pessoas sejam masoquistas em busca de duas ou três horas em pé debaixo de sol e de chuva.

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