Guedes e a soberba que não é esperta

O ministro Paulo Guedes, da Economia, cometeu o erro de construir uma manchete contra si na sua fala na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, muito mais branda do que será a Comissão de Constituição e Justiça da Câma na semana que vem, isto se o convite for, desta vez, aceito.

Ao ser perguntado  se, caso a reforma da Previdência não vier a  alcançar a meta de R$ 1 trilhão de economia em dez anos, ele deixaria o cargo, respondeu que “se o presidente ou a Câmara, ou ninguém quer aquilo” ele voltaria para onde sempre esteve, o mercado financeiro.

“Tenho uma vida fora daqui. Vocês acham que vou brigar para ficar aqui?”

O ministro poderia ter se saído com o clássico “tenho certeza que a responsabilidade dos senhores parlamentares não permitirá que isso aconteça” ou “não creio que o Congresso não vá agir com responsabilidade, diante dos impasses em que o País está, em dificuldades e, amanhã, impedido de fechar suas contar e honrar os pagamentos”.

Mas apelou para a soberba que lhe injeta o fato de ser “o homem sem o qual Jair Bolsonaro não se segura”, o que provocaria, com sua saída, a ruína do “mercado”.

O resultado foi uma série de manchetes apimentadas para um dia de crise: Sem Previdência e com alta da dívida, Guedes diz que pode deixar o governo‘Se o presidente, partidos e parlamentares não aceitarem a agenda que proponho, eu saio’; ‘Se ninguém quiser meu serviço, não tenho apego’.

E mais calor no mercado financeiro: Fala de Guedes no Senado impulsiona queda na Bolsa; dólar chega a R$ 3,95.

Guedes fez o contrário do que o meio econômico esperava: não se mostrou irremovível do cargo por desentendimentos políticos, embora dissesse que “não sairá na primeira derrota“.

E na segunda?

 

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12 respostas

    1. Uma verdadeira equipe é a cara de um verdadeiro líder.
      De um líder “fake”, que equipe esperar?

      1. é disso pra muito pior

        uma coisa é certa,
        nós nunca vamos poder dizer quen Bolsonaro não fez merda nenhuma

  1. Ele é isso mesmo, uma síntese do “pensamento” da famiglia Bolsonaro. De outro lado, quem assistiu à passagem de Ernesto Araújo na Comissão de Relações Exteriores deve estar se perguntando se o caso dele não é de internação.

  2. É um imbecil. No mercado financeiro, nunca teve papel de destaque. Serve para fazer os negocinhos de sempre, operação e manipulação fácil das cotações, etc. Mas jamais foi sondado para qualquer cargo importante em qualquer governo anterior ou mesmo para comandar grandes equipes de profissionais. Só esse mentecapto do Bozo aceitou chamar o engomadinho do Paulo Guedes para um ministério essencial como o da Economia. E o sujeito alia incompetência com soberba.

  3. Pois é, o Guedes é o “Mercado”, tem alguém do povo nesse governo? E antes que eu esqueça, cadê o Queiroz?

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