Há águas profundas no naufrágio do Almirante Albuquerque

É obvio que Jair Bolsonaro – desta, como da vez passada – foi avisado do aumento do preço do diesel.

E é evidente que o afundamento do almirante Bento Albuquerque foi a forma que encontrou de “dar satisfações” públicas pelo aumento – que chamou de “estupro” – do óleo diesel decretado desde ontem.

Mas a coluna de Mônica Bergamo, na Folha, assinala que podem haver coisas menos evidentes nesta história.

Diz ela que Albuqerque “resistia ao projeto bilionário que prevê a construção de gasodutos pelo país” que “beneficiaria diretamente Carlos Suarez, ex-sócio da empreiteira OAS e conhecido como o “rei do gás”.

Nos meios políticos, é tido como o articulador do “jabuti” que foi enfiado no projeto de privatização da Eletrobras, articular prevendo investimentos de R$ 100 bilhões na construção de gasodutos para alimentar usinas termoelétricas em regiões onde não há disponibilidade de gás natural.

Suarez esteve a ponto de emplacar Adriano Pires, seu consultor, na presidência da Petrobras e Rodolfo Landim, outro “amigão” na presidência do Conselho de Administração da estatal.

O novo ministro, Adolfo Saschida é, desde sempre, obediente a Jair Bolsonaro e a Paulo Guedes.

Nada mais fácil para ele que usar reajustes de preço dos combustíveis para defenestrar José Mauro Ferreira Coelho da empresa ou, ao contrário, cobrar que os projetos de gasoduto avancem e, com contratos firmados, se tornem irreversíveis.

O “mercado” já sabe que não se mudará a política de preços da Petrobras com o novo ministro (como não se mudou com o novo presidente da empresa” e está “curtindo” num boa a antevisão de mais lucros e dividendos com uma alta de quase 4% nas ações da Petrobras, com uma ajudinha de mais uma alta forte do petróleo.

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