Intervenção no Rio: falta de governo + excesso de política

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O Governo Michel Temer faz saber que fará intervenção federal na área de segurança pública.

Do ponto de vista de ação policial, não se chega a ver em que isso  alteraria a situação de um estado que, há meses, está na prática debaixo de uma, pois as operações militares já se sucedem e não parecem ter produzido resultados positivos.

Também não há notícia pública de que as Forças Armadas estivessem enfrentando resistências do comando formal da Segurança Pública em assumir um papel de coordenação, exceto pela manifestação do cada vez mais decorativo Ministro da Justiça, Torquato Jardim, de que comandantes de batalhões da PM eram “sócios do crime organizado”, algo que resultou em absolutamente coisa alguma.

Tanto é assim que o governador do Estado, uma espécie de “campeão da omissão”, pediu a intervenção para o que poderia ter sido, simplesmente, a entrega da Secretaria de Segurança a alguém com a confiança e respeito de todas as partes. Mas, claro, não teria o impacto publicitário da designação de um “interventor militar”.

Situações de caos, não-estruturais mas graves até por sublevação policial,  já tinham ocorrido no Rio Grande do Norte e no Espírito Santo. A escala do Rio de Janeiro é diferente, verdade, mas os meios de resposta já estavam aqui faz tempo.

Do ponto de vista político, mais fácil compreender: o Estado já não tinha governo próprio e, nos últimos tempos, também o prefeito da capital, segunda autoridade – em tese – mais visível, foi se juntar ao governador na “lista dos desaparecidos”. Pois é essa a definição que merecem Luís Fernando Pezão e Marcelo Crivella, hoje.

Tudo convidava Michel Temer a usar o estado como palco de sua “agenda positiva” e como parte da manobra para legitimar o “encilhamento” da Polícia Federal, para o que, afinal, nomeou o polêmico delegado Fernando Segóvia.

Com o bônus adicional – ainda não está claro que será usado – de produzir, com a intervenção, uma impossibilidade constitucional de que se votem reformas constitucionais, o que livraria o Governo do vexame de uma derrota na votação da reforma da Previdência.

A intervenção, é claro, não é militar, é política, política e política. Tanto que as objeções de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, forma rechaçadas com a “ameaça” de denunciá-lo como cúmplice da criminalidade. Maia merece muitas críticas, mas ele não é isso e sabe-se bem. E as Forças Armadas, claro, sendo colocadas a serviço deste plano, embora esteja evidente que, ao menos, desta vez elas exigiram o comando direto da questão. Não precisa ser um grande estrategista para saber que, a esta altura, os planos de contingência estavam feitos e que, o mais tardar segunda ou terça teremos uma presença ostensiva de militares do Exército nos bairros de classe alta e média e também nas vias expressas da cidade.

O mais básico dos manuais de segurança pública dirá ao leitor que segurança é, em princípio, uma sensação, uma percepção.

É daí para adiante que surgem os problemas. A promiscuidade entre a máquina policial e o tráfico, no Rio, atingiu graus elevadíssimos e será necessário cortar na carne das instituições para reduzi-lo. Num primeiro momento, haverá uma retração, mas os liames entre polícia e crime persistirão.

Até agora, os militares podiam dizer que as cadeias de comando das forças policiais não eram sua atribuição; agora, não mais e terão de mergulhar nestas águas escuras e contaminadas.

A escolha do General Walter Braga Neto, com experiências de cooperação com a segurança local, parece amenizar este aspecto e tudo o que se deseja é que, com a formação que tem, não entenda a sua missão como a de realizar “expedições punitivas” aos morros do Rio, cujos resultados, há meses, são pífios e não resolveram a crise. É bom que se repita, para os esquecidos: estávamos e estamos sob a ação policial das Forças Armadas e chegamos a esta situação.

A intervenção, conquanto seja um pleonasmo em matéria de ato de política de segurança, tem um inegável componente político e vai açular os “não prende, mata” que sobejam hoje. O desafio será não só o de combater criminosos, mas o de evitar que este combate, em si, passe a se fazer com um rosário de atos criminosos praticados em seu nome.

Até porque nomear um general é fácil. Demitir, quase impossível.

 

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25 respostas

  1. Fernando, o formulário Fale Conosco não está sendo carregado. A página do formulário aponta erro.

    1. o rui costa pimenta fala desde o ano passado que estão “acostumando” a população com a presença de militares nas ruas, como fizeram no espírito santo e no rio constantemente, ele não descarta, embora seja difícil, uma intervenção militar geral, uma neo ditadura… para quem combateu a outra, é duro ver militar comandando força policial de segurança, pobre da população pobre do rio

    2. Na veia. Significa que a prisão de Lula está próxima e a elite escravocrata da zona Sul carioca, os camisas amarelas CBF/globo carioca estão apreensivos. Então convocam suas guardas pretoriana para descer o cacete no povo, pq lugar de povo pobre é longe, lá no Morro, silente e conformado.

  2. INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO. TUDO FAZENDO PARTE DE UM PLANO,PORQUE A POLÍCIA SE AUSENTOU NO CARNAVAL?OS GENERAIS ESFREGAM SUAS MÃOS PEÇONHENTAS E VESTEM SUAS FARDAS ENODOADAS DE SANGUE NOVAMENTE.HAY QUE PELEAR! A DITADURA MILITAR CHEGOU!

  3. Não houve mudanças substanciais no assunto nesses últimos dias pra justificar isso.
    O QUE HOUVE FOI A REFORMA DA PREVIDÊNCIA QUE NAO TEM MAIS CONDIÇÕES DE SER VOTADA. OLHA A TUIUTI AI.
    para não passar recibo,usou-se este ardil para interromper a tramitação da reforma da previdência. Com o clima pós carnaval, imagina uma greve geral abrangente em ano eleitoral?
    Não caiam nessa.

  4. O grande problema parece ser o tráfico de drogas. Além do descalabro administrativo. Enquanto existir consumidores de drogas, viciados ou não, existirá o tráfico de drogas. E todas as consequencias disso! A legalização resolveria isso?

  5. Sabe o que a Colômbia falou para o brazil? “Eu sou você amanhã.” Basta o “governo” brazileiro pedir ou aceitar ajuda, formalmente, dos ianques para “combater” o narcotráfico.

  6. Há cerca de três anos, ou até mais, desde que ficaram claras as operações da trama golpista, chamei a atenção para um fato que NENHUM blogueiro “progressista” observou. desde então afirmo e escrevo: a Presidenta Dilma Rousseff NUNCA teve o apoio e a lealdade das FFAA; essa a razão de sobre o braço armado a Presidenta não ter autoridade e comando, ficando a mercê do golpe midiático-policial-judicial-parlamentar. As três FFAA sempre foram e continuam sendo aliadas e submissas ao alto comando internacional do golpe, que fica nos EEUU; isso ficou claro e explícito naquela conversa entre o “profeta” Romero Jucá e o ex-senador tucano, Sérgio Machado, a quem Jucá afirmou “Tenho conversado com alguns generais… eles estão garantindo tudo…”

    Quanto ao aspecto corrupto e criminoso do braço armado do Estado Brasileiro, as três FFAA, assim como as polícias estão metidas nessas lamas e fossas fétidas desde o dedos do pè aso fios de cabelo da cabeça. Basta um simples busca na internet, para constatar que oficiais das três FFAA estão diretamente envolvidos como tráfico de armas e drogas, não apenas, mas principalmente no Rio de Janeiro. Somente os tolos, os analfabetos sociais, históricos e políticos, os manipulados, os cegados pelo ódio nazifascistóide disseminado pelo PIG/PPV acreditam na “pureza” e nas “virtudes” dos integrantes desses braços armados e repressores do Estado.

    1. Eu também. Dilma não mobilizou absolutamente ninguém para defendê-la, a não ser o Cardozo, assim mesmo como mero e reles advogado. Ela era a Presidente da República, cacete! Cadê a convocação, a intimação das chamadas “forças vivas” (que na prática só são lembradas e invocadas quando agitadas e acenadas pela Direita) da Nação : Congresso, Judiciário, Forças Armadas? Nada – pasmaceira, imobilidade geral, “republicanismo” de meia-tigela…

      1. Você leu mas não entendeu. Dilma nunca teve apoio das forças armadas, não podia contar com golpistas. Tente sair do estado de coma e acompanhe os fatos. Nem Lula será protegido pelos verdinhos. Estão prontos para descer o pau no povo e ajudar a prender o Lula. Precisa desenhar ?

  7. Bobagem essa “intervenção”. Sem empregos e sem escola em tempo integral, os arrastões só tendem a aumentar. A molecada, sem escola pra frequentar e sem emprego para ganhar a grana pra consumir o que lhes oferecem as mídias (roupa de grife, celulares de grife) vão roubar e fazer baderna geral. Só vão encher ainda mais as prisões calabouços de “marginais”.

  8. De farsa em farsa o Brasil vai se acomodando na merda da latrina do fundo do quintal.
    Tudo isso para o povo não querer escolher o presidente da república.
    Eles têm as leis, a caneta, as armas e mídia – fábrica de fazer fantoches.
    Só mesmo povo nas ruas pra trazer alguma esperança.

  9. Um golpe de estado pede um regime político que o estabilize e o consolide.
    Um regime político democrático parece cada vez mais uma via obstruída para os golpistas: no horizonte não desponta nem o “principe encantado” (sim, eles ainda sonham com a figura que o FHH pensa que é) e nem o céu de brigadeiro econômico (sim eles só pensam num idílico plano real, o mítico não o real, com o perdão do trocadilho).
    Tentaram contornar as urnas e as eleições primeiro com o golpimpeachment em Dilma e agora com a inegibilidade de Lula. No entanto nem com aquilo (o golpimpeachment ) e nem com isso (a inegibilidade) lograram conseguir abrir ou garantir até agora uma via livre para os golpistas.
    Portanto, a urna e as eleições, como bem notou o professor Wanderley Guilherme dos Santos, são os seus maiores temores e talvez um obstáculo insuperável para o projeto de poder golpista.
    Logo a “opção militar” nunca deve ser descartada, ainda que difícil na atual conjuntura, nosso passado nos condena e eles estão desesperados, não tem escrúpulos e nunca tiveram tal atestaram em 64 Jarbas Passarinho e em 94 Rubens Ricupero.

    1. Na cabeça doente dos golpistas tudo é possível. Até golpe militar com cara de passeio à Disney. Aliás, é o que estão fazendo desde a destituição da Dilma, e nas barbas de toda a esquerda “barata tonta” que não consegue se unir por ficar refém de suas medíocres ambições egolatras. Esquerda que só dá tiro no pé. Precisou que a Tuiuti elaborasse a narrativa surrada que qualquer pessoa com dois neurônios está careca de saber. Com uma esquerda assim quem precisa de inimigos ?

  10. O ENDURECIMENTO DO REGIME ESTÁ A CAMINHO.
    EXISTE UM CARA DOS FARDADOS QUE SOBROU,E FAZ TEMPO QUE SOBRA,GENERAL VILAS BOAS ESTÁ NA HORA DE PEDIR O BONÉ,PERDEU A BRIGA PARA OS PITBULLS A MANDO DO IMPÉRIO.
    A INOPERÂNCIA E O SUMIÇO DOS ELEITOS PARA CONDUZIR O ESTADO E O MUNICÍPIO,FOI PARTE DA JOGADA.
    SE UMA COISA QUE A ELITE VAGABUNDA DESTE PAÍS TEM PAVOR,É PERDER O CONTROLE DA SITUAÇÃO,LOGO, LOGO COMEÇARIAM ELES PRÓPRIOS A SANGRAR E AÍ SERIA O FIM.
    SE JUNTARAM DIVERSOS INTERESSES A FAVOR DESTA MEDIDA, E O IMPÉRIO ESTÁ POR TRÁS,OS GOLPISTAS SÃO TÃO BOSTAS E ENTREGUISTAS QUE NADA FAZEM SEM APROVAÇÃO DO IMPÉRIO.
    CASO HOUVER MORTES E É UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DE DAR PODER DE POLÍCIA A QUEM É TREINADO PARA MATAR O INIMIGO ,O IMPÉRIO SERÁ O PRINCIPAL APOIADOR DO REGIME A NÍVEL INTERNACIONAL.
    BRASIL ,O FUNDO DO POÇO É INFINITO.

  11. Por que Pezão ainda está no comando (ou melhor, descomando)? Nisso a PGR é omissa. só para variar. Antes do exército, deveria cassar o mandato desse pelego do Cunha, do Aécio , do Piciani e do Cabral. Alguns presos, outro mais ou menos e outros leves, horríveis e soltos.

    1. Esquece, esses aí são todos cúmplices da destruição do Brasil. Serão protegidos enquanto Lula e o povo continuarão a servir de carne para o chicote. Sangue de barata tem os “progressistas” brasileiros.

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