Liberdade para o ódio, violência e morte?

Quem quiser entender porque se alega “liberdade de expressão” para as ameaças armadas e Roberto Jefferson e a prioridade dada por Jair Bolsonaro à edição que, em nome dela, proíba a suspensão de publicações em redes sociais incitem à violência e golpes políticos, leia a reportagem de hoje da Folha de S. Paulo dando conta de uma “escalada de grupos neonazistas e aumento de inquéritos de apologia do nazismo” no Brasil (que saltaram de 6, em 2015, para 110, no ano passado).

Como os inquéritos abertos são só uma ínfima parte dos casos, outros números expressam melhor a ressurgência do extremismo de direita:

“(…) um levantamento na Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos da plataforma Safernet Brasil contabilizou uma explosão de denúncias sobre conteúdo de apologia do nazismo nas redes. Em 2015, foram 1.282 casos, ante 9.004 em 2020 —um crescimento de mais de 600%.
O ano de 2020 também marcou o recorde histórico de novas páginas de conteúdo neonazista e também o maior número de páginas removidas da internet por conta de conteúdo ilegal ligado às ideias do regime de Adolf Hitler. Foram 1.659 URLs (endereços) derrubadas no ano passado, contra 329 em 2015.”

E, é claro, sites, postagens e outras mensagens extremistas, autoritárias e desumanas, feitas sem referências nazistas diretas, são muito mais expressivas.

Nem sempre só na internet, mas também nos grandes jornais, como ironiza e adverte Antonio Prata, hoje, na mesma Folha sobre o “direito de expressão” da estupidez:

Muita gente pensa assim? Pelo menos 20% da população. Os mesmos, imagino, que apoiariam um golpe. Teremos um colunista pró-ditadura, portanto? Se crescer o movimento antivacina, a Folha contratará um representante desses alucinados? O que traz de positivo à arena pública amplificar vozes como estas, além de acariciar os que acreditam na cura gay, na cloroquina, na Terra plana?

A ideia de um jornalismo “neutro”, exacerbada, é igual à da “liberdade de expressão” que acolhe a exibição armada antidemocracia, seja ela de marginais, como Jefferson, ou praticada por agentes públicos, civis ou militares.

O mesmo, é obvio, vale (e com muito mais intensidade) para os órgão judiciais e parajudiciais, como a Procuradoria Geral da República.

O caminho que um juiz de São Paulo recusa-se a abrir um processo criminal contra um empresário que dispara um revólver e ameaça o ex-presidente Lula é o que segue o Procurador Augusto Aras ao dizer que está dentro dos limites da liberdade o bolsonarista Jefferson exibir rifles, pistolas e chicotes em seus vídeos nas redes.

Esta é a aposta dos tiranos e dos bandidos: a de que a democracia é um regime de tolos que, em nome da liberdade, nada veem de mau em exibir armas, sejam pistolas, sejam tanques, contra ele e que só há crime quando se os disparam.

Se disparam, senhores, não há reação possível no átimo em que o gatilho e puxado e a bala mata.

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