Médicos ameaçados por cloroquina, mas CFM tomou “bolsoquina”

O Estadão divulga hoje que nada menos de 48,9% dos médicos que atuam na linha de frente, colocando suas vidas em risco para atender aos pacientes com Covid-19, sofreram hostilidades ou ameaças de familiares de seus pacientes por não terem praticado o charlatanismo de administrar a “milagrosa” hidroxicloroquina.

Deve ser muito duro estar arriscando a vida, trabalhando praticamente sem descanso para enfrentar uma doença terrível e ainda ser, como relatam vários deles à reportagem, chamados de “assassinos”:

A intensivista Bruna Lordão, de 32 anos, pediu demissão do Hospital Geral de Vila Penteado, na zona norte de São Paulo, onde trabalhava, após ser chamada de “assassina” por parentes de um paciente, a quem ela se recusou a prescrever cloroquina. “As pessoas não querem saber de pesquisa cientifica”, conta a médica. “Elas querem saber o que o Bolsonaro tomou, o que o (presidente americano Donald) Trump disse”, contou.
“Foram certamente os piores momentos da minha carreira”, disse ela, médica há cinco anos. “Quando você trabalha num pronto-socorro, numa UTI, vai ter muitas baixas, com certeza. Mas nada igual à UTI Covid-19: são três, quatro óbitos por dia. Muita gente morrendo, num mesmo lugar, da mesma coisa”, acrescentou Bruna.
A gota d’água para o pedido de demissão, no entanto, veio por causa da cloroquina, quando ela foi dar a notícia da morte de um paciente à família. “Sei que é um momento complicado. Entendo a agonia e a angústia das pessoas, mas começaram a me chamar de assassina porque eu não tinha usado cloroquina no tratamento”, disse.

Nestas cenas escabrosas, há – é impossível deixar de dizer – uma inescapável responsabilidade dos “medalhões” do Conselho Federal de Medicina, que fizeram a mais baixa politicagem em liberar – hipocritamente, sem justificar científicamente – o uso da cloroquina para fazer um “agrado” a Jair Bolsonaro, com o qual se alinham desde que o ódio aos profissionais do “Mais Médicos” foram atender locais nos quais se recusavam a ir médicos brasileiros.

Sem a tolerância do Conselho, o general-ministro da Saúde não teria levado o Ministério da transformar em protocolo o uso de uma substância que, além de ter registrado efeito zero na terapêutica da doença, ainda tem reconhecidas chances de efeitos colaterais significativos. Muito menos à vergonhosa distribuição de “kits cloroquina” por planos de saúde, sem que se saiba de qualquer providência ética contra este absurdo.

É curioso que os médicos brasileiros não estejam se levantando contra esta monstruosidade com a indignação com que se levantaram com a contratação de médicos cubanos para atender onde médicos brasileiros não queriam ir. Mas que aceitam um general como ministro da Saúde, coronéis, capitães e até sargentos como chefes de órgãos sanitários e que um ex-capitão irresponsável prescreva, pelas redes sociais, medicamentos que pouco se diferem de mezinhas.

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13 respostas

  1. Nada como uma eleição após a outra com um fascista no meio. Só assim pra mostrar de maneira cabal os fascistas e as instituições fascistas de um país. No meu caso, eles nunca me enganaram. Seja em qualquer área da vida pública, mídia, política, medicina, os humanistas que realmente se preocupam com o povo são a minoria. No caso do CFM, eles escancaram este elitismo fascista quando os médicos cubanos aqui estiveram. Hoje se calam porque o bolsonaro é do clube deles. Afinal, o bozo fez pra eles exatamente o que eles, médicos, queriam: expulsar os cubanos daqui. O brasil é um caso perdido, porque sempre que houver um governo realmente do povo, a elite vai usar o seu exército pra derrubá-lo. E o CFM sempre teve bons combatentes deste luta insana contra o povo.

  2. Qual o custo de manter o silêncio, dos blogs ditos “progressistas”, a respeito da divulgação, após 30 anos, do dossiê do caso Banestado?
    O tema não é digno de divulgação e comentário?
    Curiosamente, o gigante do jornalismo mundial, Pepe Escobar, não pensa assim, pois está dando repercussão mundial ao caso.
    Mundial, exceto no Brasil, é lógico. Aqui os poderosos exercem o controle de espectro total.

  3. Mas, não foi este CFM que ficou contra os Mais Médicos de Cuba e agora então estão se mostrando que são assassinos em induzir os médicos a aplicarem Cloroquina nos pacientes? É uma pena que estes procedimentos induzindo os médicos a cometerem estes erros, não tenham nada confirmados. Se tivesse seriam processados.

  4. Sinceramente eu vejo TODOS errados nesta situação. Do governo e sua monstruosidade não é preciso falar. A família é a menos culpada, por causa da dor e do desespero de quem tem o DIREITO de tentar tudo para salvar seu ente querido. Quanto à doutora, apesar de compreender que podem haver motivos não esclarecidos no texto, eu gostaria de saber qual o remédio comprovadamente eficaz contra a Covid que ela estava utilizando ? Ou será que, por não haver comprovação, ela não estava usando NENHUM ? É uma situação complexa que tem de ser analisada CASO A CASO. O que não dá pra engolir é esse argumento repetido de que a cloroquina tem “efeitos colaterais”. Ora QUAL remédio não tem ? Não é por causa do Bozo que se pode transformar um remédio aprovado há 70 anos, em veneno. É como disse, tem que se analisar caso a caso.

    1. Toda vez esse idiota vem aqui falar asneira. Não sou médico nem farmacêutico… não sei de cloroquina… mas vou escrever meus dois centavos.

      Se você administrar remédio que causa taquicardia, provavelmente não vai matar ninguém que esteja relativamente saudável. Mas se a pessoa está com 50% dos pulmões comprometidos, provavelmente o batimento cardíaco já está no limite. Aí você vai e administra um remédio que há 70 anos se sabe que causa taquicardia… pode perguntar pra qualquer médico de 70 anos atrás… ele vai dizer pra não administrar!!! Imbecil…

    2. Esse remédio é aprovado para quem tem Lupus e doenças reumatológicas graves, com efeitos positivos cientificamente comprovados sobre elas, isto é, vale o risco para ter uma vida minimamente produtiva. Já no caso da Covid-19 não só não há comprovação de sua eficácia como pesquisas mais recentes demonstram que NÃO há eficácia nenhuma e ainda apresenta reais possibilidades de provocar arritmias que, no caso de quem está com Covid, podem aumentar a possibilidade de óbito. O médico não demoniza o medicamento, apenas oferecer o mais adequado. Como no caso da Covid 19 não há medicação eficaz eles fazem tratamento de suporte combatendo e tentando minimizar os efeitos do vírus para que o organismo consiga reagir. Podemos recusar tomarmos um medicamento indicado pelo médico, agora, obriga-lo a receitar o medicamento que se desejamos é forçar a barra.

  5. O meu caso foi o isso oposto. Fui para a UTI com suspeita de Covid 19 e tive que pedir para o médico suspender o medicamento quando soube que ele estava no meu receituário e que já havia tomado um comprimido. Eu tive um episódio de arritmia em 2004 e tenho arritmia leve, que não necessita tratamento. Não dá prá arriscar tomar um remédio que não faz nenhum efeito positivo sobre a doença, na verdade uma suspeita que não se confirmou, e que ainda por cima poderia causar danos à minha saúde ou mesmo à minha vida. Recusar um tratamento é direito do paciente, agora, as opções de tratamento a ofertar é prerrogativa médica.

  6. O meu caso foi o isso oposto. Fui para a UTI com suspeita de Covid 19 e tive que pedir para o médico suspender o medicamento quando soube que ele estava no meu receituário e que já havia tomado um comprimido. Eu tive um episódio de arritmia em 2004 e tenho arritmia leve, que não necessita tratamento. Não dá prá arriscar tomar um remédio que não faz nenhum efeito positivo sobre a doença, na verdade uma suspeita que não se confirmou, e que ainda por cima poderia causar danos à minha saúde ou mesmo à minha vida. Recusar um tratamento é direito do paciente, agora, as opções de tratamento a ofertar é prerrogativa médica.

    1. Você teve sorte, além de ser um paciente esclarecido. Agora imagine um paciente que seja devoto fervoroso de São Olavo e São Jair. Exigiria dose dupla do veneno sagrado.

  7. É difícil perceber que tudo isso é uma farsa monumental. Emas, garis e cães abandonados vão ocupando o espaço de denúncias claras e diretas. Montanhas de cloroquina giram por todos os lados. Gargalhadas soam enquanto bobos tentam decifrar o último enigma juvenil, e o Centrão ajuda e recebe, sem se dar conta de que amanhã receberá também a terrível visita do fantasma do japonês. A Federal estaria definitivamente domada? Seria agora 100% uma PF dos bolsonaros? Perseguirá agora dia e noite governadores e deputados do PT? E os juízes na retaguarda, são um novo time pós-lavajato? Enquanto isso, visitas à casa de familiares de lideranças destituídas: “Calma, faça esse sacrifício para que amanhã possamos fazer tudo o que sonhamos sem que inimigo algum nos possa perturbar”.

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