Momento ‘Waldick’ de Bolsonaro não aliviará a pressão

Nos anos 70, o “machão” Waldick Soriano explodiu com o sucesso de “Eu não sou Cachorro Não”.

As queixas e choramingas que o presidente Jair Bolsonaro anda dizendo nos últimos dias lembram aquela música, onde o valente se queixa da injustiça, da impiedade e do sofrimento a que o submetem por suas virtudes.

Curioso é que é mesmo homem que, há 48 horas, mandava um jornalista “calar a boca”, agora ameaça chorar num ato político, reclamando da vida no poder, como narra a Folha:

No início do evento [ de seu partido, o Aliança] , ao qual havia decidido em um primeiro momento não comparecer, ele chegou a chorar durante a execução do Hino Nacional. No discurso, disse que sabia que a rotina de presidente “não seria fácil” e que o exercício do mandato é “coisa pesada”.
“Eu sabia que não seria fácil. Sabia do peso sobre as minhas costas eu vencendo a eleição. A cruz é pesada. Eu não sei como pessoas de bem possam ficar felizes com cargo no Poder Executivo. Não sei”, afirmou. “A coisa é pesada. Decepções, ingratidões e gente que se revela depois que assume o poder”, ressaltou.

Há um “pequeno problema” no discurso choroso de Bolsonaro: quem assumiu o poder foi ele.

Sem partido, com um staff militar que nunca lhe criou problemas, com um bando de aventureiros que ele próprio montou e algumas estrelas – vide Moro e Guedes – que lhe devotam, ao menos de público, a mais canina submissão.

Não pode se queixar dos presidentes do Legislativo. Rodrigo Maia, em meio ao bate-cabeça da base governista, foi quem viabilizoua reforma da previdência; David Alcolumbre, cuja eleição foi urdida dentro do Governo, nunca lhe criou maiores problemas. No Judiciário, Dias Toffoli colaborou, inclusive com a paralisação por meses do caso das “rachadinhas” de seu filho Flávio.

Quem criou caso para Jair Bolsonaro foi Jair Bolsonaro.

Ao colocar “fundamentalistas” de direita e a família em postos de poder, para construir as polêmicas as quais sempre se alimentou, o presidente construiu a polêmica da qual se queixa.

Alguém acha que as dissensões dentro de seu partido, ao ponto de lhe fazerem perder a maioria num grupo que chegou a votações estrondosas por estarem “pendurados” na onda bolsonarista aconteceria se ele tivesse o mínimo de habilidade política. Que seu amigo de anos, general Santos Cruz e seu parceiro de campanha, Gustavo Bebbiano, teriam partido se não fosse a opressão que deixou os filhos exercerem?

Quem quis “peitar” com posições esdrúxulas o mundo e achou que imporia o Brasil no cenário mundial como latindo como “poodle” de Donald Trump, quem foi?

Bolsonaro entra no segundo ano de seu mandato política e eleitoralmente menor.

Mantém, com desfalques, seu bando de fanáticos, mas a direita do dinheiro já pensa – e age – para arranjar outro, ainda que com a discrição necessária para ordenhar deste governo o máximo de vantagens e destruição das estruturas nacionais.

Coitadinho e injustiçado poderiam caber nos versos melosos de Waldick, não nos lamentos de Bolsonaro.

O nazista que deixou o comando das instituições estatais de Cultura, horas antes, havia sio entronizado por ele como o “secretário de Cultura de verdade” e agora está o Governo pronto a recriar o Ministério da Cultura para engordar a oferta desesperada à “namoradinha do Brasil”, do Brasil que já passou.

O cidadão que (ainda) ocupa a secretaria da Comunicação da Presidência vai, todos sabem, cair assim que começarem os procedimentos jurídicos contra ele.

Boilsonaro vai mesmo chegando à conclusão que emitiu hoje, segundo o relato do Valor , na mais pura língua de seu ministro da Educação: “O Brasil não é eu”.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

12 respostas

  1. Realmente, a carga de injustiças e perseguição que bolsonaro e filhos estão carregando é grande demais. Tenham eperanç…, quer dizer, medo, que ele não aguante o tranco, perca o controle, mate os filhos e depois se suicide.

  2. Estamos aceitando a demissão dele IMEDIATA, sem traumas., e sem med de sermos felizes.
    Entrega logo a carteirinha aí, seu véio decrépito.

  3. O Bozo era feliz e não sabia. Tinha apartamento funcional só para comer gente, passava anos no congresso sem ninguém notar sua presença, ganhava bem, arranjava boquinhas para os filhos, ia pescar em área de preservação e aos domingos comia churrasco com os amigos milicianos. Era um vidão… Agora não pode nem peidar em público… Pôxa! É dureza!

    1. Vale lembrar que como o esquema da racahdinha deve estar parado ( espero) deixou de entrar uma grana na conta da primeira dama todo mês.

    2. Certas pessoas simplórias pensam que o poder de um presidente é absoluto como o de um monarca medieval, e que há uma correspondência proporcional entre poder e prazer, no caso representado pela moleza. Não têm ideia alguma das responsabilidades que são conferidas pelo voto, junto com o poder.

  4. Mais que perfeito o texto, Brito.
    Mas eu gostaria de saber como a elite brasileira vai ordenhar um pato, sim porque, o bozo é o pato amarelo da fiesp, o pato perfeito pra a elite depenar depois de ordenhado.

  5. Esse bolsonaro é muito cara de pau: vive se queixando dopoder mas não para de falar em reeleição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *