Multidões mostram que a intervenção também levou um tiro

naufra

As multidões que, como era previsível, encheram as ruas do Rio e de São Paulo em protesto contra os assassinatos de ontem à noite comprovam que não foram só a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes os que foram alvejados.

A intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro, apontada como “unanimidade”, recebeu um petardo que, no mínimo, a imobilizará por um bom tempo.

Claro que há de esperar que se investigue o crime, mas é quase intuitiva a certeza de que partiu de grupos policiais criminosos.

E se o alvo era, além de Marielle, também o general Braga Netto, o resultado é visível e audível nos gritos de “não, não, não, não  à intervenção” que se ouviram hoje nas ruas.

E contra isso, não há tanques, tropas ou bloqueios a fazer.

É como se, num instante, se tornasse evidente que o mais forte e impiedoso inimigo da segurança pública está dentro e na periferia do sistema policial.

O general está em seu labirinto, onde sabe que seus movimentos não o levarão a lugar nenhum.

É que na guerra, ceder espaço pode ser a chave para preservar suas forças e avançar de maneira sólida.

Mas na política, nem sempre isso é verdadeiro.

 

 

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