Não tem Jovem Pan em Amsterdam

Jair Bolsonaro não discursou para a Assembleia Geral das Nações Unidas, mas para seu público fiel.

É a impressão generalizada nas primeiras análises da fala presidencial, que rescende a Ernesto Araújo e Eduardo Bolsonaro, devidamente copidescados.

Se o objetivo era o uivo e o rosnar ideológico para a matilha, pode-se dizer que só faltou – e por pouco – o famoso kit gay.

É, senão unânime, quase a interpretação dos analistas brasileiros.

Só que o público era outro e Bolsonaro deveria estar dando graças a Deus por Donald Trump também ter distribuído coices da A a Z e pelo premier britânico Boris Johnson ter levado um da Suprema Corte do Reino Unido, que anulou o seu ato de suspender o funcionamento do parlamento.

E, lá fora, as expressões da mídia sobre a fala de Bolsonaro estão longe de serem positivas.

A negação das queimadas, a tentativa de apresentar os indígenas como aliados, os ataques a Europa, a fúria ideológica de direita, tudo isso vem numa hora em que essa onda reacionária parece refluir.

Bolsonaro escancara programa de ultradireita e anti-indígena na ONU, resumiu o espanhol El País.

Arranjou arestas a torto e à direita e apresentou nossos interesses de relacionamento com o mundo em questões econômicas e ideológicas.

Alem disso, foi lavar nossa roupa suja política lá fora, o que causa péssima impressão, ainda mais pelas lembranças que o período Lula deixou no mundo.

Foi como se estivesse fazendo um pronunciamento para os ouvintes direitistas da Rádio Jovem Pan.

Que, graças a Deus, não é ouvida lá fora.

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