No Brasil golpista, vice é convite ao impeachment ou à submissão do eleito

Lê-se na Folha a explicação de adeptos de Jair Bolsonaro de que o fator decisivo para que o general Hamilton Mourão  fosse escolhido como candidato a vice seria para que seu nome “desestimule o Congresso Nacional buscar um impeachment“.

A lógica, no caso de Mourão, segundo um dos principais conselheiros do candidato a presidente, seu filho Eduardo, é a de que ninguém gostaria de ver um militar assumir o poder. “Sempre aconselhei o meu pai: tem que botar um cara faca na caveira pra ser vice”, disse Eduardo Bolsonaro à Folha(…) “Tem que ser alguém que não compense correr atrás de um impeachment.”

Embora Bolsonaro, por merecimento prévio, seja altamente “impixável” e que, de fato, os maus bofes do general não o façam atraente, é incrível, ainda que verdadeiro, este tipo de impasse.

Com o Congresso que temos, com a mídia que exige se adonar de  governo eleitos, um Tribunal de Contas impróprio para menores  e com a estapafúrdia inação do Judiciário diante de processos golpistas, o cachimbo do impeachment dá pinta de ter entortado a boca das instituições.

Um parlamento inorgânico e com os partidos aniquilados perante a opinião pública sentem-se à vontade para manietar um presidente eleito e dizer-lhe “ou dá ou cai”.

Num processo de escolhas como acontece na direita, onde a sinecura de vice é rifada para quem der mais – mesmo que não seja voto, mas tempo de televisão ou conveniências marqueteiras – é mesmo o caso de pensar-se em abolir a figura do vice-presidente na reforma constitucional que este país terá, obrigatoriamente, de viver após retomada a normalidade democrática.

Não há nada de inviável, hoje, em tornar obrigatório, no caso de impedimento do presidente, que se realizem novas eleições num período razoável, algo em torno de seis meses. Aliás, mais simples ainda se a Justiça Eleitoral for reenquadrada em sua função original, a de garantir a lisura e a boa execução dos processos eletivos e retirada do autoritarismo a que se entregou, pretendendo ser a “dona” das eleições.

Até porque, lamento informar ao senhor Bolsonaro, até mesmo a indicação de um vice detestável não dá garantia contra golpes.

Vide Michel Temer.

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11 respostas

  1. Perfeitamente compreensível vindo de uma cabeça ou de um punho da família Bolsonaro , que só consegue parir um vice “faca na caveira”.

  2. Pessoal, tem uns fantasminhas aparecendo por aqui, com um medo da porra da chapa LULA/ HADDAD/ MANU dar certo.

    Vamos ignorá-los, pois a maioria é bolsominion fascista desesperado…

    Obs.: Quem for Ciro e progressista de verdade ignore esta mensagem, pois tem meu respeito.

  3. Também é espantoso – tudo nessa chapa o é – o conselheiro do Bolsão ser o Bolsinho. Essa foto me lembrou um mix de dois seriados de televisão a que assistia na infância: de um lado, o Tenente Rip Masters; do outro, o sargento O’Hara; e, no meio, Rin-tin-tin! Não, espera aí, é o Sargento Garcia! Devem estar Perdidos no Espaço…

  4. É o tipo do conselho que só pode sair da cabeça de um débil mental, escolher um vice “faca na caveira”. Bolsonaro é o que, por acaso? É faca na manteiga?
    O que parece mesmo é que o ex-capitão (perdeu a patente no dia em que se “ajoelhou” para a bandeira americana) está pensando em intimidar o Congresso com um general na vice, algo como dizer “Quero ver vocês terem coragem de impedirem o meu vice!”, uma ameaça velada de reação militar em defesa de um general aposentado.

  5. Caro Brito, não perca tempo com comentarios de um “INFANTILÓIDE” medíocre, alimentado por editores a serviço, igulamente, da mediocridade.

  6. Ora volas, mesmo não vivendo aquela época (1964), o muleke sabe do golpe dentro do golpe do golpe, melhor se resguardar, como fez o Geisel ao colocar um oficial da cavalaria na presidência!

  7. Vai ser muito interessante o judiciário libertar Lula para que não tenham que enfrentar Bolsonaro, futuramente…

  8. A eleição é para executivo e legislativo, mas os partidos começam a expor seus candidatos à chantagem quando montam as chapas para o executivo ignorando ou relegando a segundo plano a eleição proporcional, para a Câmara, ou a majoritária, para o senado.
    Ainda que seja necessário diálogo e apoio, é imprescindível um mínimo de recato para não se expor ao golpe ou ter que ceder aos achaques.
    Nesse ponto, a chapa Haddad/Manuela cedeu os anéis para golpistas, mas talvez tenha conseguido preservar os dedos. Espero que o pt não amargue o desgosto de, em seu palanque, apoiar e levar/manter no senado, onde legal e proporcionalmente reside o perigo maior, figuras do naipe de Renan, Eunicio, Jarbas e outros golpistas. Usar o nome de Lula é suficiente para levar essa escória moral e política para o congresso, mas, uma vez lá, fazem o que quem lhes paga mais determina. Como vimos em 2016, Lula sem a caneta em mãos não conteve a sanha dos ladrões.
    Um governo progressista eleito em 2018 precisará, para não ser cassado, de 28 votos leais, dos 81 do senado, e de 172 votos leais, dos 513 da Câmara. Parece pouco, mas o diabo e suas criaturas no congresso moram nos detalhes.
    A campanha precisa priorizar também a eleição para o legislativo pois é lá que mora o perigo, é lá onde estão os inimigos da democracia, os algozes da sociedade, os feitores que perpetuam a desigualdade e impedem a emancipação de negros, pobres, mulheres, homoafetivos, indígenas e todos que necessitam da ação do Estado.
    Citei o nome de Lula porque é o de maior visibilidade e poderá ser decisivo para superar esses quóruns mínimos para um governo progressista sobreviver, assim como evitar que os danos de um eventual governo conservador aumentem.

  9. “Desestimule o Congresso a buscar um Impeachment” significa: ‘Se tentarem um golpe dissimulado midiático-juridico-parlamentar como foi com Dilma reagiremos com um golpe militar escancarado.’

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