O “trabuco” que assusta mesmo a turma do dólar são as reservas cambiais

trabuco

 

É preciso muito cuidado ao tratar da disparada do dólar, para que não se chegue à falsa conclusão de que o Brasil está numa situação cambial desesperadora, sem condições de controlar a cotação do dólar aquém do “céu é o limite” que parte do mercado financeiro alardeia.

 

O que aconteceu hoje, mais do que as intervenções do Banco Central no mercado – que já tinha se identificado hoje – foi mostrar ao mercado que o “colchão de mais de 370 bilhões de dólares representados pelas reservas cambiais brasileira são uma incontestável garantia de que o país pode e vai reagir a ataques especulativos contra a sua moeda.

 

Mais ou menos como um cowboy que chegasse a um daqueles saloons do Velho Oeste e abrisse a jaqueta mostrando o Colt 45 na cintura. Um tremendo “calmante” contra possíveis confusões…

 

A mobilização de 5% das reservas para corrigir o cambio significaria praticamente dobrar toda a quantidade de moeda estrangeira negociada no mercado financeiro brasileiro.

 

Daí a fazer isso, porém, vai uma distância grande. Mas é preciso lembrar que este ano, os países emergentes já jogaram, até agosto, US$ 290 bilhões de suas reservas em operações de estabilização cambial. O Brasil usou zero.

 

Não que se espere, já e já, uma grande queda do valor da moeda americana, muito abaixo do que já se deu hoje,  até porque ela segue subindo em todo o mundo – menos que aqui, é verdade, onde se somam razões políticas – e não dá sinal de inverter, lá fora, esta tendência.

 

Ao contrário, a declaração de hoje  da presidente do Federal Reserve, o BC americano, Janet Yellen, de que seria “apropriado elevar os juros até o final deste ano”  tende até a tornar mais forte (ou sólida, à medida em que em que o mercado financeiro já “precificou” a alta dos juros por lá) esta tendência.

 

Mas há outros elementos que devem ser considerados.

 

Não vou citar o Nassif, que já tinha feito a mesma demonstração (depois da feita, já há certo tempo, pelo Rodolfo Gamberini, da TV Gazeta), mas a matéria  publicada pela insuspeita revista Exame, da Abril – “Não, o dólar não está tão caro quanto parece”  -que demonstra, com variação em relação aos cálculos, próprias do período a que se referem, que “recorde” em cotação do dólar só haveria com valores muito acima dos praticados hoje.

 

O desalinhamento cambial brasileiro era doença de anos, o que não quer dizer que o remédio devesse ser servido nas doses cavalares em que foi.

 

A alta do dólar tem impacto imediato nas exportações brasileiras de produtos manufaturados – as de maior geração de valor agregado e efeitos econômicos – que, em setembro, subiram mais de 17% e em dólar, compensando  com folga as perdas de minérios e commodities agrícolas.

 

O efeito negativo da desvalorização cambial na elevação dos preços internos, de outro lado, tende a ser mitigado ou diluído no tempo pela situação de recessão, que reduz o seu consumo e modera a ânsia de remarcações.

 

Não é a menor possibilidade de estabilização da situação financeira no curto prazo, embora exista uma possibilidade – não uma probabilidade – de que os movimentos sejam menos histéricos, sobretudo se o Governo repetir a primeira e parcial votação dos vetos e Eduardo Cunha não se atirar de cabeça na aventura do impeachment.

 

Mas que o trabuco que sossegou a baderna no saloon foi a menção ao uso das reservas, lá isso foi.

 

Põe muito mais medo que o outro Trabuco, o Luiz Carlos, presidente do Bradesco e padrinho da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda.

 

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4 respostas

  1. Se as reservas foram construidas com o dolar entre R$2,00 à R$2,50, foi vendido US$18 bi a R$4,20. Então metade do ajuste já foi pago a variação cambial!

  2. A Globonews faz um grande alarde como se o Brasil estivesse quebrado, mas quem vai se dar mal são as empresas jornalisticas e seus conglomerados que tem comprar papel caro e vender(?) o que ninguém quer mais comprar, por isso aqueles papagaio da TV que se comprazem em puxar o saco do padrão divulgando a subida do dólar podem ter uma surpresa ao serem chamados ao departamento de pessoal.

  3. Por isso eu digo nada de usar reservas tem que aguentar no tranco se não as reservas viram pó em poucos meses, elevando a nossa vulnerabilidade externa ao extremo. E com isso aumentando mais a especulação e a alta do câmbio.

    Não se pode dar o doce se não os abutres comem tudo. Eles querem repetir o que fizeram na metade da década de 90, que o Brasil foi na onda dos juros altos e quando as reservas viraram pó deram no pé. Pra mim é apenas um teste de de stress para saber até quando o BC aguenta.

    Segura Tombini e não deixe o touro dar o laço em ti.

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