O decoro virou indecoroso no Rio das Milícias

É estarrecedor que 21 vereadores da cidade do Rio de Janeiro tenham assinado um requerimento para processar, por quebra de decoro parlamentar, o vereador Leonel Brizola Neto, inconformados com o fato de ele ter exibido, na votação de um dos pedidos de impeachment de Marcello Crivella cartaz onde se lia”Fora Milícias!”.

Estarrecedor, mas não incoerente: afinal, as eleições se aproximam e não falta vereador que goze da simpatia e da cumplicidade das milícias e as use para conseguir votos nas comunidades mais pobres da cidade.

Indecoroso é a cidade do Rio de Janeiro, a segunda maior do país, estar dominada por estes grupos, na maioria de policiais, ex-policiais, bombeiros e agentes prisionais, extorquindo o comércio, ameaçando pessoas e – embora o discurso seja o de combater os traficantes – gerenciando dinheiro da venda de drogas.

Pior: que estes ajuntamento criminosos tenham conexões com todas as três esferas de poder – da cidade, do Estado e da União – e intimidem política e policialescamente todos os que se levantam contra seu poder espúrio.

Completaram-se, dia 14, dois anos e meio do assassinato da colega de Leonel na Câmara, Marielle Franco e, até agora, o crime permanece em mistério quanto a seus mandantes que, talvez, não andem muito distantes do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores.

O cartaz de Leonel não é indecoroso por querer as milícias fora, indecoroso é ter as milícias dentro do poder público.

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