O Partido do Marechal Bolsonaro

Reacende-se hoje a disputa interna do PSL, com a apresentação dos pareceres da comissão de ética do partido sobre os pedidos de punição apresentados contra os deputados que patrocinaram a ascensão de Eduardo Bolsonaro à liderança na Câmara.

Depois dos “80% de chance de sair do partido” anunciados ontem por Jair Bolsonaro, quase ninguém acredita que possa haver uma recomposição entre seu grupo e a parte da bancada que se solidarizou com o presidente da sigla, Luciano Bivar.

Resta saber – paradoxo matemático do presidente – sobre os “90% de chance de criar um novo partido”.

Difícil e arriscado que o faça, mesmo com o sabido potencial de mobilização de suas redes sociais.

Estamos a pouco mais de um mês do recesso do Judiciário e as assinaturas terão de ser conferidas nos cartórios e validadas pelos juízes de cada zona eleitoral.

Como deverão ser 500 mil, nem a pau, Juvenal.

Nem mesmo a hipótese de aproveitar um partido cujo pedido de formação já tenha sido feito ao TSE é promissora, o que é o caso de uma das agremiações abertamente bolsonaristas, como o PFB, Partido da Família Brasileira, que já dá margem à chacota de ser o “Partido dos Filhos do Bolsonaro”.

O Partido Miliar Brasileiro, que só tem 25 mil assinaturas validades, segundo informa O Globo, provoca narizes torcidos entre os militares da ativa, como destaca Eliane Cantanhêde, no Estadão:

“Nesse clima, o presidente da República poderá cometer um grande erro se emprestar o nome, a força do cargo e o capital eleitoral para um tal Partido Militar Brasileiro. É o fim da picada. Só vai reforçar a sensação, que começa a se espraiar entre os militares, de que Bolsonaro está fazendo uso político de uma das marcas de maior credibilidade no Brasil: a marca Forças Armadas.”

É pior, muito pior. Vai colar no governo brasileiro, aqui e lá fora, a marca de ser governado numa ditadura e por parte de uma agremiação paramilitar. Aliás, segundo o Capitão Augusto, deputado do PSL que protocolou o pedido, o número solicitado foi o 38, “em homenagem ao calibre mais popular em nosso país, o trezoitão

Só resta esperar e torcer para que, ao contrário do que Jair Bolsonaro disse das manchas de óleo, que uma catástrofe ainda maior não esteja por vir.

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