O projeto de Bolsonaro é um só: continuar a ser o “Mito”

Bruno Boghossian, na Folha de hoje, caminha por uma trilha que está visível, mas pouco sinalizada, porque a distorção do olhar da imprensa costuma deixar os olhos mais presos às formas que ao conteúdo.

Diz ele que Rodrigo Maia e os líderes dos partidos e até os emissários do governo não tratam como paz, mas como trégua a suspensão dos enfrentamentos entre o Executivo e o Legilativo, e que foram avisados de que “o  presidente continuará com o dedo no gatilho e que o tiroteio pode recomeçar a qualquer momento”.

Francamente, não parece existir outra possibilidade.

Jair Bolsonaro não é um lobo solitário, embora o pareça, pelo individualismo de suas atitudes e pela guarda pretoriana familiar na qual está envolto.

Ele só tem significado porque há uma matilha, caprichosamente arrebanhada pela mídia e pelas instituições policiais-judiciais, que foram alimentadas e fortalecidas desde o início do primeiro governo Lula.

O processo destrutivo e a histeria que desenvolveram por anos levou de roldão as referências políticas da sociedade e abriu espaços para que ela, em parte, optasse por alguém que simbolizava a negação da harmonia e prometesse a destruição da “velha política”, embora dela viesse e nela vivesse por décadas.

No bandos, inclusive os de humanos primitivos, mostrar os dentes, a força, o poder é rotina inescapavel para mantê-lo unido, disciplinado e, sempre, evitar que outros comecem a aspirar a posição de líder

Não esperem que, em nome de um pragmatismo político, Jair Bolsonaro vá passar a ser um agregador, um articulador, um conciliador, condições essenciais para qualquer governante em estados minimamente democráticos.

Escreve Bruno, muito bem:

Bolsonaro está convencido de que o discurso de oposição às práticas políticas foi o grande motor de sua campanha presidencial. Incensado pelo núcleo ideológico do governo, ele deu demonstrações de que não está disposto a abrir mão dessa carta.

O ex-capitão não tem um programa para a economia, para o bem-estar social, para a inserção do Brasil no mundo. Tem apenas um projeto político, o de manter a excitação nacional em busca do “inimigo” a ser destruído e, assim, manter-se como o “Mito”, o que já o desonera de ser verdadeiro.

Trégua não é paz, é apenas o intervalo para uma nova onda de ataques.

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11 respostas

  1. Bolsonaro é doente, se há estratégia é de seus mentores. Mas isso tem prazo de validade, porque a realidade se impõe e ele é escravo de uma agenda. Ele só continuará como mito se cair. Aí haverá viúva para chorar por ele por décadas, como há as do Lacerda.

    1. Que sonhos terá? Talvez erguer uma estátua de cinco metros de altura do coronel Brilhante Ustra em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

    2. Que sonhos terá? Talvez erguer uma estátua de cinco metros de altura do coronel Brilhante Ustra em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

  2. só acho que ao -invés da imagem dos inteligentíssimos LOBOS, deveriam ter usado a imagem de uma HIENA. seria infinitamente mais acorde ao personagem da análise

  3. Muito coerente. Ali nada é impensado.
    Há uma acessória muito capaz que comanda os barbantes. And… they speak english…

  4. Negativo. o objetivo dele é se dar bem. Dane-se o povo! chupei o sangue deles por 28 anos e vou sair de fininho? negativo! quero ir embora com apoteose, pompa e circunstância tocando e me mudando para Langsley, juntinho da cia.

  5. Bolsonaro sabe perfeitamente o que quer. E enquanto o país não estiver “pronto” para que ele possa reinar do jeito que quer, olhará para tudo em redor com asco. Congresso, judiciário, mídia, empresários, políticos, artistas, intelectuais, compõem um ambiente instável e detestável que lhe causa urticária e que precisa ser submetido inteiramente à sua vontade única e irrefutável.

  6. A folha (assim mesmo, com minúscula) colhe o que plantou, ao conspirar contra um governo legítimo e eleito pelo povo. Agora é cinza.

  7. No sítio do Professor Hariovaldo grande parte dos comentaristas e mais especificamente um que assim começou a zombaria chama o inominável de micto (de micção, de urinar), o equivalente a (moleque) mijão…

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