O que quer dizer ‘inaceitável’ sobre Janot, Dr. Aras?

O novo Procurador Geral da Justiça. Augusto Aras, com dois dias de atraso, veio a público ontem, por nota, dizer que “considera inaceitáveis as atitudes divulgadas no noticiário a respeito de um de seus antecessores”.

Todos consideramos, Dr. Aras, mas nenhum de nós é chefe do Ministério Público.

E o homem que entrou armado na sala dos ministros, tirou a pistola da cinta, engatilhou-a e, por razões que só ele sabe, não “deu um tiro na cara do Gilmar”, também não foi um cidadão qualquer, que nem ali teria chegado.

Foi o chefe do Ministério Público naquele momento, em pleno exercício de seu poder funcional.

Não o senhor aposentado de hoje.

Se um comandante do Exército, ao ir para a Reserva, disser que entrou no gabinete do Presidente da República armado de pistola, para “dar um tiro na cara” do Presidente da República, isso pode passar em branco, sem uma punição, ao menos, administrativa?

É evidente que não.

Por mais que o Supremo, pelas mãos de Alexandre de Moraes, tenha se excedido na reação – que poderia ter sido politicamente mais efetiva com uma cassação do porte de arma de Janot e a obrigação de entregar, imediatamente, sua pistola para acautelamento pela Polícia Federal – isso só ocorreu porque o atual chefe da PGR omitiu-se de fazer este pedido cautelar, ao tempo em que propunha uma ação disciplinar por comportamento incompatível com a função ao órgão de controle externo, o Conselho Nacional do Ministério Público.

Em resumo, nada fez, mesmo diante de uma confissão que estarreceu o país.

Que mensagem senão a de impunidade garantida aos membros do MP o senhor Aras passou ao país?

Impunidade, aliás, que há mais de três meses choca o país com as revelações do Intercept.

Aliás, é pior, porque regiamente pagos pela República para serem os fiscais da lei, a cada dia mais se assemelham à definição de rufião que trazem os dicionários: “indivíduo que vive a expensas de mulher pública a quem simula proteger”.

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8 respostas

  1. Inaceitável foram as atitudes de Janot, premeditar um crime, desistir e publicar um livro contando a história. Será que achou que contando (ou inventando) isso ia bombar? Acabou foi fazendo papel de idiota.

  2. Então Brito, essa escolha do Aras de um general como assessor de assuntos estratégicos , assim como Tofulli é mais um acerto ou perda de mais uma instituição, ou é mais uma causa perdida na ditadura moderna?

  3. O acontecimento foi tão inusitado que não merecia menos do que o ministro Moraes determinou. Foi pouco, ainda, para o tamanho da marmota. O inaceitável é o que Janot fez, e não o que dizem dele por ter dito que fez o que fez. Quer por acaso dizer que o Janot não fez o que fez? Ou quer dizer que, apesar dele ter feito o que fez, os jornalistas e o povo não têm o direito de falar e comentar sobre isso? Se só “gente bem” deveria saber e comentar sobre o acontecido, então porque o Janot narrou tudo em seu livro? Começar um mandato com esta confusão é mau sinal, se bem que neste atual contexto seria uma temeridade esperar qualquer coisa de qualquer um que sente na cadeira que Janot sentou.

  4. Para quem assiste diáriamente o governador do Rio mandar dar tiro na cabecinha do cidadão suspeito, sem ao menos procurar a verdade, isso que o Sr. Janot fez será o dia a dia nas sociedade brasileira em pouvo tempo. Qual a diferença entre esses dois personagens? Só pelo fato da vítima ser ministro para Janot mas para outro cidadão comum, como você, para o governador vale?

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