Os cadernos de bandeirinha onde não se aprende que o Brasil é de todos

ImpreCionante, como diria o sujeito lá do Ministério da Educação.

Diz a Folha que o MEC abriu um concurso para estudantes do ensino médio disputarem a primazia de ter seu esenho da bandeira brasileira escohido para ser estampado nos livros didáticos brasileiros, aqueles que, segundo o presidente da República, “têm um montão de coisa escrita”.

Nada, é claro, contra os desenhos da meninada ou contra a bandeira do Brasil.

Tudo, é claro, contra esta “patetização” de fraudar o nacionalismo, reduzindo-o a símbolos vazios, porque bandeira, apenas, não faz nação.

Nação se faz com povo que se identifica no outro e que, por essa identidade, jamais o exclui ou oprime.

Nos anos 60 e 70, os cadernos escolares de “bandeirinha” eram comuns.

Não viramos um país melhor por isso. Não serviam para dizer que somos iguais, nas diferenças.

Eram portadas apenas por meninos e meninas brancas, jamais por negrinhos e mestiços, como também somos.

O verde-amarelo só era permitido aos pobres na camisa da seleção.

Agora, é o contrário. À classe média alta e aos ricos, nacionalismo é só a camisa da seleção, porque suas identidades estão todas lá fora.

Cobrem-se com ela para a liquidação do país.

Bandeira sem povo é a de Castro Alves, a que não se houve rota na batalha, mas serve a um povo de mortalha.

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23 respostas

  1. É sempre bom ler o Tijolaço, onde assuntos cruciais são os abordados. Enquanto isso, a mídia de esquerda se dedica ao “importantíssimo” tema do “Jesus gay” do Porta dos Fundos. Considerando um “escândalo” a justiça ter decidido pela suspensão de uma agressão tola, inútil, apelativa, sem graça, a um símbolo da sociedade (ou da psiquê coletiva). No humor é assim, quando falta a criatividade, vem a grosseria. Melhor seria a torta na cara.

    1. Quem pos esse asdunto no centro?
      Proibiram um episodio dos Simpsons em 2002 de ser levado ao ar e de la pra ca depous da tal proibiçao ja exibiram umas 100 vezes

      Concurso de bandeirinha
      Vao criar uma nova?
      Vao ensinar a calcular a area q o losango ocupa na bandeira?

    2. O terrorismo praticado contra os PDF não foi nem sequer criticado pelo jumento e nem pelo criminoso moro.Agora é praticada a censura contra a sua difusão ,E VC NÃO ACHA ISSO IMPORTANTE????
      só porque ao que parece “ofende” sua creença religiosa???
      que é que vc acha mais importante sua creença religiosa e a de milhões de indivíduos ou o cerceamento da LIBERDADE DE TODOS os indivíduos dessa sociedade?????.
      Grossería porque o líder de sua religião foi mostrado como gay? ou pela falta de talento e o humor apelativo? é só não olhar,simples.
      eu nem ví o vídeo.

      1. Boa! Ficaram ofendidinhos, mas quando a sátira é com outras religiões, beleza né….

    3. Permita-me discordar de seu comentário, o qual considero infeliz. O caso da censura ao PDF é com certeza um dos episódios mais emblemáticos do estado de exceção no qual estamos afundando. A decisão do tal desembargador, sem qualquer amparo legal, movida exclusivamente por um asqueroso e oportunista moralismo religioso daquele magistrado, ofende a nossa constituição cidadã e demonstra mais uma vez o aparelhamento do estado brasileiro em função de um grupo de criminosos, liderados por uma família de assassinos milicianos, que querem, a todo o custo, semear o medo e a insegurança no pais, através da censura, da imposição de uma agenda ultra conservadora, no apelo ao fundamentalismo religioso e da perseguição implacável a seus inimigos políticos.

    4. Assisti o especial de natal. Ele não tem nada de especial, do humor contundente que os projetou nacionalmente e que sempre se aplicou aos mais diversos temas, incluindo a religião. Achei sem graça, porém válido. Tenho a compreensão de que nem sempre é possível atingir os padrões elevados de humor inteligente e crítico de todos os temas, incluindo religião. Esse padrão não foi a regra, nem mesmo para o Porta dos Fundos de alguns anos atrás: sempre houveram bons vídeos de humor com crítica, e vídeos sem graça de humor, com crítica ou sem crítica.

      Porém, esse caso é didático em vários sentidos, de modo que discordo em gênero, número e grau das suas considerações a respeito. É muito emblemático que uma peça de humor rasteira, sem grandes qualidades, tenha gerado a resposta que gerou. E por resposta, quero dizer o ataque terrorista que foi conduzido e segue impune, com o principal suspeito aproveitando as benesses da Rússia no inverno do hemisfério norte sem que nada tenha sido feito a respeito. Aliás, nada não, já que agora o ato criminoso (e, pra usar o termo da moda entre os debilóides nacionais, terrorista) foi convalidado pelo desembargador, com essa liminar imbecil que justifica a censura de uma peça de humor cuja única virtude é ter despertado a ira babugenta do fundamentalismo religioso nacional.

    1. Os cadernos Avante foram criados certamente em São Paulo, possivelmente nos anos trinta, talvez por revolucionários de 34. E tiveram seu apogeu exatamente no antagônico governo de Getúlio, que pretendia cultivar um patriotismo nacionalista centrado na figura do país, do Brasil em si, o qual se achava completamente esquecido depois da República Velha paulista. A figura do revolucionário com a espada foi substituída pela de escoteiros levando a Bandeira Nacional. Nos anos 50 e 60 eles ainda eram vendidos em todas as vendinhas e quitandas do país, por cinquenta centavos cada, acompanhando a cartilha, a tabuada, o caderno Rubens de desenho, o caderno de pauta musical e o catecismo, do qual algumas quitandas vendiam também uma versão protestante. Este foi um tempo que hoje só faz sentido para historiadores, colecionadores e cultores da
      nostalgia.

      1. Tem um tinha capa de Sao Paulo na eoca da fundaçao. Usei em 76 na escola. Ate iniciodeste seculo encontrei umas pontas de estoque numa papelaria q decaiu pq a area onde estava mudou o perfil atraves dos anos

      2. E não esqueçamos da publicação da letra do Hino Nacional na contra capa, completamente divorciada da realidade em que sempre viveu nosso povo.

    1. Fascismo tem duas fases antes e depois da guerra. Se bem q Mussolini andou fazendo umas escaramuças na Africa nao muito diferente q França Reino Unido e Belgica fizeram
      Falam de Portygal mas eles nao eram tao escrotos nas colonias.

  2. O ensino médio do Brasil não merece ser tratado como escola primaria dos anos 30. É passadismo no pior dos conceitos, esta iniciativa. Passadismo, reducionismo e simplismo mórbido. É ideologização formalista que ultrapassou os limites da imaginação nos quais deveria ficar contida, e despejou-se na crua realidade de um ensino que se desencaminha por obra de pessoas desqualificadas que se empoleiraram na autoridade que não lhes cabe. Que tal promoverem concursos nas universidades para ver quem faz o mais belo soneto de exaltação à figura dos governadores e do presidente?

      1. Mário de Andrade seria muito moderno para essa gente. Ele sem dúvida alguma faz parte do “marxismo cultural” do qual eles fogem como o Diabo da Cruz.

      2. Mário de Andrade seria muito moderno para essa gente. Ele sem dúvida alguma faz parte do “marxismo cultural” do qual eles fogem como o Diabo da Cruz.

  3. A tal de “pátria” é um invento dos defensores e praticantes do militarismo,justifica a sua existência.Fazem uso dela para “glorificarse” perante os olhos da massa..
    Grupos humanos possuem identidades e muitas vezes estas são conflitivas dentro de um mesmo país ,na mesma “pátria”.Criamos o caos quando metemos a tal de “pátria”, no meio de um conflito de interesses entre nações.
    As pessoas deveríam possuir CONSCIÊNCIA DE CLASSE , assim o resto sería consequência e não havería necessidade de lançar mão de conceitos tão desgastados e subjetivos como “pátria”.
    Religião e pátria ,são parte dos conceitos ( muitos) usados na manipulação das massas

    1. Bem observado, Iabel. Diria até que caberia em um enunciado de questão de prova de vestibular de universidade pública, em função da reflexão que ela provoca.

  4. Não sei se alunos do ensino médio tem conhecimento de geometria. A bandeira nacional brasileira está inserida em um retângulo e seu retângulo tem que ser o retângulo de ouro ( áureo) , logo sem conhecimento de geometria não tem bandeira brasileira. Alias o Zé Ruela do ministro não é capaz de definir um retângulo e muito menos um áureo.

  5. “…que não se houve rota na batalha, mas serve a um povo de mortalha.”

    Bela adaptação! Lindo isso!

  6. Esses cadernos são uma herança do Estado Novo. São dos anos 1940, as ilustrações são típicas da década. Transmitem o teor ideológico do regime dominante de então.
    Os anúncios do leiloeiro não deixam dúvidas sobre as “belas capas litografadas com motivos patrióticos anos 1940”:
    https://www.levyleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=216724 ;
    “Na contra-capa a letra do Hino Nacional”:
    http://www.imaginariumlivros.com.br/peca.asp?ID=1461167
    Nós estamos entrando na segunda década do século XXI, com um impreCionante projeto educacional de retorno aos 1940, ao tempo das cartilhas patrioteiras. A revolução tecnológica chegando na fase 5G e o país sofre uma paraliZação ministerial na área chave para acompanhar o processo. No lugar de um projeto educacional para o século presente, temos ideias esparsas, vagas e desconexas pregando um retorno a tempos idílicos, que povoam as recordações saudosistas de mentes caquéticas e de boçais.
    O espetáculo pode ser antevisto na sabatina da CNI ? https://youtu.be/82jZH1jexAI
    Não deixa dúvidas. Não há ideias ou projetos educacionais, de país ou qualquer coisa que seja; apenas a intenção de organizar idiotas, imbecis, facínoras, fundamentalistas religiosos, mentes perturbadas e malucos diverso, para serem manipulados por meliantes, aventureiros e espertalhões de sempre.
    PS: Na sabatina ele confessa que seus filhos frequentaram escolas particulares e, como se sabe, nenhuma delas é escola militar ou militarizada. Ele recomenda aos filhos dos outros o que não deu aos seus. O jornalismo investigativo carioca, se é que ainda existe, pois é “raça em extinção”, poderia averiguar que escolas são essas. A nação agradece.

  7. Que tal um desenho de um morador de rua deitado na calçada se cobrindo com uma bandeira brasileira esfarrapada?

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