Os juízes levaram o Brasil ao paradoxo fascista

Na Folha, Bruno Bohossian diz que  a “ansiedade contamina promotores e juízes sob holofote da eleição” e diz que eles “apressam o passo contra Bolsonaro, Haddad e Alckmin”.

Embora ele próprio duvide que seja mera afoiteza – “É difícil acreditar que promotores e juízes não mantivessem um calendário em seus gabinetes com um grande X no dia 7 de outubro” –  a sua análise está, infelizmente, errada.

Primeiro, porque deixa te tocar no ponto maior da judicialização do processo político-eleitoral: a exclusão de Lula, pedra de toque de todo o impasse que vivemos. O que o comprova? Simples: ponha-se Lula no processo eleitoral e a eleição estará resolvida, como comprovam todas as pesquisas do período pré-censura.

Segundo, e mais importante, é que já não se pode ver o embrulho em que meteram o país como uma ação impensada de uma dúzia de promotores, juízes e até ministros das cortes superiores, como se fossem “bolsominions” togados, fundamentalistas megalômanos.

Não, o que temos é o resultado de uma ação corporativa, à qual toda a resistência que poderia existir em seu próprio meio foi aniquilada pela mídia, que acovardou e fez se recolher todo aquele que, dentro do Judiciário, pensou em opor resistência ao avanço fascista.

Avanço fascista, sim, porque é desprezível o fato de pingar, aqui e ali, algum caso contra Jair Bolsonaro e todos ele reforçando o que há de pior em seu perfil: o racismo, a misoginia e a apologia da violência (seria de rir, não fosse trágico, a Sra. Rachel Dodge perguntar “o que ele quer dizer” quando gesticula uma pseudo-metralhadora para dizer que vai “fuzilar os petralhas”).

O Ministério Público, o Judiciário, os ministros do TSE, do STJ e do STF já há muito ultrapassaram, em relação à implantação de um regime fascista no Brasil da figura do dolo eventual – quando se assume o risco de provocar a lesão à democracia

Havia a advertência italiana, onde a “Mãos Limpas” levou as mãos porcas de Sílvio Berlusconi ao poder.

Aqui a coisa foi além, e hoje já pouco se pode duvidar de que seja o caso de dolo direto e produzir a instalação de um energúmeno no Palácio do Planalto, como forma de ampliar e legitimar seu próprio poder.

Nos jornais do mundo, hoje, há o escândalo da misteriosa carta  escrita por um homem do primeiro escalão do Governo Trump ao The New York Times – que não a publicaria sem saber sua identidade – dizendo que há um grupo palaciano agindo para mitigar a insensatez e os arroubos de Donald Trump “por dentro”.

Nela, há um trecho que deveria fazer esta gente pensar, se ainda pudesse pensar em lugar de apenas ambicionar.

Diz o autor da carta:

A maior preocupação não é o que o Sr. Trump fez à presidência, mas sim o que nós, como nação, permitimos que ele fizesse a nós. Nós afundamos com ele e permitimos que nosso discurso fosse despojado de civilidade.

Pois os senhores juízes e promotores, os senhores e senhoras da PGR, do TSE, do STJ e do STF estão – e nem mais se pode negar que seja conscientemente – despojando a vida brasileira da civilidade.

Há um monstro à porta e só o que sabem fazer é manietar e amordaçar o único que pode detê-lo.

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