Para quem acredita em fadinhas do “Mundo Azul”…

glamourdosertao

Não, não é Marina Silva que, apesar de seu convívio atual com o “Mundo Azul” ainda é um espécime mantido e exibido ali com a curiosidade de um animal exótico a ser exibido.

Falo da matéria de hoje, na Folha, assinada por Thaís Bilenky, onde se narra o passeio benemerente da mulher de João Dória pelo Nordeste.

A primeira-dama do município de São Paulo, Bia Doria, “embrenhou-se na trilha do cangaço”, navegou pelo rio São Francisco, viu “senhorinhas sentadas na corda fazendo crochê”.
Na Ilha do Ferro (AL), povoado ribeirinho com tradição de artesanato, enquanto a estilista Martha Medeiros trabalhava com rendeiras, Bia se ocupou dos maridos.
“Os homens não têm profissão. Eu meio que [fiquei] direcionando, convencendo os maridos a fazerem artesanato com design, porque eles fazem um artesanato meio do jeito deles, então é um direcionamento no artesanato.”
“Lá é maravilhoso! Nós em São Paulo que estamos sofrendo. Quem vive no Nordeste é que é feliz. Tem ar puro, sol o ano inteiro, não tem que vir para São Paulo”, disse.

Não, né? Essa gente que não sabe dos brioches que come no sertão…

Mas a história foi a de conhecer um “projeto social” – nada contra, mas tão eficientes em escala quanto a “caridade” das congregações marianas dos anos 60 – que resultou numa coleção de vestidos de alto luxo desfilada ontem no não menos luxuoso Hotel Palácio Jaraguá, o primeiro SEIS estrelas de São Paulo. “inspirados” na seca nordestina e no “direcionamento” do artesanato para algo que não seja “lá do jeito deles”.

O resultado também foram as fotos da coleção da estilista, onde se pode ver as cenas “extra-terrestres” do “glamour no sertão”.

Tudo, claro, para mandar uns trocados para que se construam alguns poços artesianos em Monteiro, na Paraíba. Naquela mesma Monteiro, na Paraíba, onde os governos Lula e Dilma levaram a água transposta para fazer uma irrigação em larga escala.

Mas o “Mundo Azul” tem outros planos.

Fez uma campanha de doações no final do ano passado,que ajudou a aventura nordestina, e vendeu 13 camisetas de apenas 298 reais, 52 conjuntos  com 6 taças de cristal esclusivas (sic)da marca Perrier-Jouët com gravação de flores acompanhadas de 1 garrafa Perrier-Jouët Grand-Brut por R$ 840; outros  45 conjuntos com 6 taças de cristal formato “anos 20” com gravação de flores acompanhadas de 1 garrafa Perrier-Jouët Grand-Brut, a R$ 950.

E as rendeiras? Calma, teve a venda de duas camisetas com aplicações em “renda renascença”, a módicos R$ 1.300 e um chapéu “em palha e flor em renda renascença, feita pelas rendeiras do projeto Olhar do Sertão, inspiradas nas anêmonas de Perrier-Jouët.  O chapéu é assinada pela designer inglesa Flora McLean, especializada em chapéus avant-gard para passarela e membro da Royal College of Art“, por R$ 1.800 e uma camiseta da estilista de renda e seda ” inspiradas nas anêmonas de Perrier-Jouët”por nada menos que R$ 3.590!

Não há informação se foi vendido o “top” da “vaquinha” cibernética: o vestido da estilista, um “longo em renda grupire off white com aplicações de flores em renda renascença, feita pelas rendeiras do projeto Olhar do Sertão, inspirada nas anêmonas de Perrier-Jouët”.

Anêmonas, como se sabe, são um tema recorrente no folclore do sertão. Assim como os impostos, escorchantes, são a causa da miséria da gente glamurosa que leva o “ caviar lifestyle”  para o semiárido miserável.

Enquanto isso, do lado sem glamour da vida,  um grupo de mulheres se esforça, em outro crownfunding – bem mais modesto, a partir de R$ 10 – se esforça para lançar um livro que resgata   a imagem e a biografia de “100 Mulheres Cabulosas da História”, que se destacaram não como “primeiras-damas”, mas pela sua coragem ,esforço, capacidade, talento: da cientista Marie Curie a Valentina Tereskowa, a primeira astronauta, passando por Margareth Hamilton, que desenvolveu o programa de voo usado no projeto Apollo 11, a primeira missão tripulada à Lua. Estão lá Frida Khalo,  líderes quilombolas, Clarice Lispector, Elza Soares, muitas outras, revividas nas imagens por jovens de hoje, que se transmutam nas personagem para relembrar a presença de cada uma delas na vida da mulher – e na nossa, dos homens – hoje.

Um alerta: não é inspirado nas “anêmonas de  Perrier-Jouët”, mas em seres humanos que, contra as dificuldades, preconceitos, segregações, ficaram na história.

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11 respostas

  1. “Lá é maravilhoso! Nós em São Paulo que estamos sofrendo. Quem vive no Nordeste é que é feliz. Tem ar puro, sol o ano inteiro, não tem que vir para São Paulo”

    Insinuação típica de coxinha. Só faltou dizer que São Paulo é que sustenta o Brasil. Que os paulistas trabalham pros nordestinos preguiçosos terem uma vida boa…

    1. O povo de São Paulo é que são os vagabundos , afinal São Paulo não passaria de Cotia se não fossem os nordestinos e nortistas , só que a canoa do escravismo virou depois de LULA e o PT , isso a casa grande nunca vai perdoar.

  2. Bom dia,

    se quer conhecer o sertão, leia antes GUIMARÃES ROSA e veja o sertão e depois leia VIDAS SECAS e vai lá. Nada pela tv ou chegar ás 11:00 e ir embora ás 12:00. Cinta a dor da SECA e para de deboche com o nordeste, bando de picaretas!

  3. Que ideia sensacional! Artesanato “com design”! Se o marido dela for presidente (Deus nos livre!), ele poderá financiar máquinas e curso de design para nossos artesãos. Já imaginaram máquinas fazendo as famosas carrancas do Velho Chico? Ou as cerâmicas dos pupilos do mestre Vitalino impressas em impressoras 3D? É fantástico! Uma revolução no artesanato mundial!
    Essa gente não conhece a realidade do Brasil. Tem horas que calar a boca não é só uma medida sábia.

  4. Uma PERUA desta envergadura social…é capaz de ter uma lesão grave na lombar, ao se agachar para olhar o Brasil que ela nunca viu e por isto mesmo é uma IGNORANTE e ANALFABETA CULTURAL em seu “próprio…será?” País…Resumindo…Uma MULA ATOLADA NA IGNORÂNCIA !!!

  5. Vamos contribuir no crownfunding que é melhor. Essa bia doria consegue ser do tamanho do inseto com quem casou. Pena que na trilha do cangaço não se deparou com uma peixeirada no bucho.

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