Paulo Guedes “morou”

A melhor definição da “debandada” no Ministério da Economia, nas análises dos jornais de hoje, é a de Vinícius Torres Freire, na Folha: Paulo Guedes e seu “programa” (de fato, apenas uma liquidação) não eram o Posto Ipiranga no sentido de serem o combustível do governo, mas apenas loja de conveniência:

O combustível do governo Bolsonaro é outro, é a guerra cultural autoritária. O resto é acessório.

De fato, é preciso reconhecer que ao presidente não falta razão na sua autodefinição de que “não entende nada de economia”. Exceto o essencial: a de que com ela naufragando o seu projeto de poder total iria também às profundezas.

Paulo Guedes, um vistoso look econômico liberal para sua caravana de fascistas e milicianos já “batia lata” sem pandemia, com o “pibinho” de 1% e foi atropelado por uma carreta carregada de coronavírus.

O homem do show do trilhão em privatizações e do outro trilhão da Previdência não estava arrumando nada numa e noutra modalidade e ainda entregará os cofres, ao fim do ano, com a mesma marca do trilhão, mas negativa, como déficit.

A contragosto, reconheça-se, pois a depender de Guedes, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Eletrobras já estariam vendidos ou à venda e a Previdência já estaria em regime de capitalização, na base do “cada um por si”.

Como se disse, mesmo com sua ignorância econômica formal, Bolsonaro tem um imenso senso de oportunidade. Indiferente às mortes, provou e gostou de seu súbito alento entre os eleitores mais pobres à custado auxílio emergencial e deu seu beneplácito para que os ministros militares, com Braga Neto à frente, começassem a gestar um plano de investimentos que lhe desse alguma fantasia de amigo dos pobres e do progresso, sem a qual seria difícil – e assim se provou – arrastar o país para um cenário de totalitarismo político.

Paulo Guedes, faz tempo, está marcado na paleta, como marcado foi Sérgio Moro. Dois pretensiosos, erguidos e sustentados pela mídia e pelas corporações – financeiras, o primeiro, e judiciais, o segundo – foram sendo obrigados a beijar o pó diante das botas presidenciais, politicamente afeitas a torturar antes de matar.

Podem causar dissabores, como Moro fez com o vídeo da reunião ministerial de botequim e como tenta fazer Guedes, dizendo que o rompimento do teto de gastos levaria Bolsonaro para “uma zona de impeachment, de irresponsabilidade fiscal”. O que leva um presidente para essa zona é a crise econômica e uma incapacidade de manter sob controle uma parcela expressiva da Câmara, a qual – ainda que mal e mal – tem no centrão ávido de verbas e cargos.

Paulo Guedes deixou seus principais auxiliares imolarem-se em praça pública apenas por achar que isso amedontará Jair Bolsonaro em decisões que possam contrariar o ex-Posto Ipiranga.

Mas não adiante, porque todos veem que é ele, Guedes, que virou cinza à espera do vento que a espalhará, sem que o presidente precise fazê-lo com a vassoura.

 

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6 respostas

  1. O editor deste Tijolaço e seus atilados leitores bem sabem que NENHUM presidente que tenha o apoio tácito das casernas está sujeito a impeachment – com ou sem crime de responsabilidade nas costas, sendo ou não sem caráter para comprar apoio no covil de ladrões e corruptos que é o Congresso Nacional. Naõ foi apenas por falta de apoio no parlamento que Collor e Dilma foram depostos; eles caíram por golpeachment porque as casernas lhes viraram as costas. O bozo-miliciano é oriundo da caserna e fantoche/espantalho perfeito das hostes militares que, juntamente com a juristocracia e oligarquias financeiras e latifundiárias, são operadoras locais do golpe/guerra híbrida usados para desmontar e recolonizar o Brasil. Se Trump não se reeleger, o generalato golpista, vira-latas e entreguista se juntará a Joe Biden e, em pouco tempo, o bozo-miliciano pai e seu clã familiar criminoso pode ser não apenas destituídos dos cargos, mas postos em cana.

  2. FERNANDO BRITO, as correntes progressistas não estão atentando pra VENDA DOS CORREIOS ..em tempos de mercado digital, esse é um mapa da MINA, tão ou mais rentável que as TELECOMUNICAÇÕES.
    O BRASIL é um país continental, sem essa ferramenta, HOJE MESMO, povos mais distantes, e carentes, estão pagando mais pra ter as mesmas mercadorias nos grandes centros ..e isso piorou desde Temer.

    FEDEX, DHL, Mercado Livre, Amazon, B2W e tantas outras estão atrás desse filão que é capaz de provocar deformação em todo comércio eletrônico.
    POR FAVOR, inclua em seus discursos essa importante empresa que precisa sim ser MELHOR administrada pra reverter ao povo os benefícios do segmento de comércio eletrônico ..tal qual fizeram os chineses

  3. Breve, teremos um general na Economia.
    Antes, eles ficavam nos quartéis, hoje, somos nós que nos sentimos num…
    Aproveitem e fecham os cursos de Economia, Medicina, Administração e etc. Os Militares sabem tudo!

  4. Boteco? Protesto! Certo dia, morando em Cuiabá, fomos eu, Ana e um casal amigo num buteco na estrada para Chapada dos Guimarães. Estava lotado, quando chegou um carro com som muito alto, incomodando os fregueses. Aí o dono, um senhor magrinho (“quase sem recheio”), algo desengonçado, gritou detrás do balcão, com uma voz finíssima e cansada, que exigiu algum esforço: – Isso aqui não é cabaré não!!!

  5. Insisto sempre aqui que o cérebro da destruição é o “Mercado”, com RGs e CPFs conhecidos, não uma entidade espírita, como “Imperialismo”, “Deep State”, e outras muletas discursivas, diversionistas. Acéfalo é verdade, mas com todas as suas pulsões e contradições, contradições inclusive entre os participantes do consórcio do golpe (Grande Imprensa, Princiapado e Cardenalato Político, estamentos do estado) . O “Mercado” tenta controlar a Política, mas apesar de todos os seus recur$o$ e meio$ não controla a Política. Não é que sabe o que está fazendo, apenas que FAZ. O nome disso é poder. As instituições políticas democráticas são nossas únicas armas e são poderosas em que pese toda a propaganda e o descrédito que o Mercado e os desavisados de sempre na esquerda revolucionária (de sofá e de gogó) quer nos fazer crer. Propaganda de descrédito na Política aliás liderada pelo “Mercado” e seus porta-vozes, a “grande imprensa”. Eles não admitem concorrência no mercado, seja no mercado político, seja no mercado econômico. São monopolistas e exclusivistas por excelência. Desde sempre.

    ninguém na intelligentsia golpista (digo os economistas de “alma” tucana) leva Guedes a sério, todos eles sabem que Guedes é a quarta divisão, aliás bastante em linha com o resto da “equipe” ministerial desse desgoverno (o segundo desgoverno do golpe)

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