Pequenez de Aras é fruto da megalomania da PGR ‘lavajatista’

Ao estabelecer aquela que seria conhecida como sua “terceira lei”, Isaac Newton fixou que “a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”.

Na política, ela também existe, embora, à diferença da física newtoniana, elas não precisam partilhar corpo e objeto.

A apresentação, até agora chinfrim, de Augusto Aras, na sabatina para sua recondução à Procuradoria Geral da Justiça é um bom exemplo disso: as promessas de neutralidade soando como de impunidade, o longo desfilar de números burocráticos para negar a omissão da PGR durante a pandemia, as “juras de amor” aos senadores, quando as relações devem ser formais e distantes, pelo papel institucional do Ministério Público.

É inevitável que venha à mente a imagem invertida de Rodrigo Janot: a vaidade arrogante do herói, as bravatas do “enquanto houver bambu, vai flecha” e o “pau que dá em Chico, dá em Francisco”, desde que de levíssimo.

O Ministério Público, empalmado e empolgado pelo grupo de procuradores transtornados de Curitiba, não soube reprimir e conter a ânsia punitiva da ação militante do parquet, agora não pode conter a estagnação omissa do atual e provavelmente próximo Procurador Geral.

Há um ditado antigo sobre, numa briga, entrar-se como leão e sair como cão.

O resultado daquela trama, com todas as suas oportunidades de projeção, endeusamento e até, de quebra, alguns eventos remunerados, não foi apenas desaguar no desastre de levar ao poder Jair Bolsonaro, com o próprio Moro na garupa.

Também nos deixa, agora, três anos depois, sem o maior instrumento de defesa da cidadania, criado pela Constituição de 1988.

Ainda, em algumas áreas e pontualmente, pode-se, algumas raras vezes, ver o papel do MP em defesa de causas de interesse social, quando se trata de questões ambientais e criminais.

Mas, nas questões de defesa das instituições democráticas, dos direitos sociais e do exercício responsável do governo, a cena, ao contrário, é de devastação.

Quando uma instituição ou uma categoria de funcionários do Estado empodera-se de forma alucinada, constroi o caminho de sua própria derrocada.

Não há mais flechas no MP, só um Procurador Geral de bambu, flexível aos ventos do poder, tanto que se dobra até tocar o chão.

Dizem os cochichos que isso é para garantir o cargo e que, com ele, voltará com força redobrada.

O nome disso, porém, é vilania.

 

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