Portugal e os borzeguins ao leito

Há muita conversa sobre o fato de que o Partido Socialista Português precisa fazer alianças para governar e que, ora, a extrema direita passou a ter representação parlamentar, embora apenas um deputado.

O fato objetivo é que o PS fez 106 deputados em 230, ou possivelmente 108 quando se apurarem as urnas dos território ultramarinos de Portugal.

Isso é aproximadamente 47% do parlamento.

Imagine no Brasil um partido fazer esta representação. Já ajudo: só uma vez aconteceu: na eleição de 1986, o PMDB, com o Plano Cruzado.

Na eleição anterior, a coligação de esquerda que ganhou o simpático nome de “Geringonça” tinha 123 deputados num parlamento de 230.

Agora, terá perto de 143, quase 20% a mais, ou 62% do parlamento.

E vamos focar a atenção na extrema-direita ter elegido um só?

O que importa, nestes tempos, é a aliança pela luz, pelo humanismo, pelo convívio.

O que se celebra em Portugal é a maneira civilizada de viver, tanto é que está atraindo tantos da classe média brasileira frustrados com a crise e a agressividade implantada no convívio social.

É claro que haverá – chambão para lá, chambão para cá – um entendimento no campo progressista e a geringonça, que funciona, seguirá funcionando.

Acho que aprenderemos que essa geringonça, amarrada pela flexibilidade política, que nos permitirá enfrentar a “Coisa” que se instalou por aqui.

O resto, para usar o bordão português, é querer ir de borzeguins ao leito.

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9 respostas

  1. Gosto do sistema parlamentarista português. Após o desastre Bolsonaro me converti num parlamentarista convicto.

  2. Portugal tem tradição de governos de coalizão, e isso não acontece com quase nenhum outro país da Europa, onde sempre é difícil formar governos minimamente uniformes. O importante é que o Partido Socialista quase conquistou sozinho a maioria, ficando dependendo apenas de dez cadeiras para tanto. E isso é muito bom, porque favorece compartilhar o governo com outros partidos de esquerda, que têm poucas cadeiras. Também é muito bom que haja uma representação de extrema direita, o que amplia o espectro e joga a direita civilizada ainda mais ao centro. Portugal nunca esteve tão bem.

  3. A história do mundo nos reserva surpresas, muitas vezes boas.
    “O que se celebra em Portugal é a maneira civilizada de viver”. Verdade, quem diria que nessa crise mundial onde em tantos países, e principalmente no Brasil, se celebra a extrema-direita e o fascismo, os portugueses se sobressairiam em defesa de uma sociedade que faz jus ao seu prefixo, social. Flor do lácio, inculta e bela.

  4. Não sei como é a coalizão em Portugal, mas aqui os governos do pt fizeram acordos em que entregaram tudo, dando completa autonomia de ação a verdadeiros bandidos, corruptos, e não levaram nada. Apenas empoderaram partidos de natureza ordinária e triunfalmente corruptos como o pmdb, e foram continuamente traídos da maneira mais desavergonhada possível, insistindo sempre na política absurda do republicanismo e da governabilidade como se o governo fosse a casa da mãe Joana. Pt nunca se deu conta de que para governar não basta ganhar eleições, é preciso ter poder e entregou cargos nos mais diversos escalões para inimigos sob o pretexto da governabilidade e apenas confiando na palavra dada, sem crítica e vigilância, sem poder mudar quando preciso. Nenhum governo em qualquer país sério e desenvolvido faz isso. Cargos são rigorosamente entregues a quem se pode ter confiança e, se quebrada, o indicado cai fora. Esta atitude republicana, eufemismo para covardia e turvação mental, armou o adversário que, quando tudo andava bem e todos estavam ganhando, os governos do pt foram meramente tolerados na base da lei do menor esfoço. Quando o país atravessou dificuldade veio o golpe. O pt e principalmente o Lula são grandemente responsáveis pelo que o país está passando.

  5. “O que importa, nestes tempos, é a aliança pela luz, pelo humanismo, pelo convívio.” Perfeito!!

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