Puxa-saquismo sem máscara

A foto posada com o embaixador Todd Chapman – que passou o dia da Independência norte-americana vestido de cowboy – é um retrato dos dois países, Brasil e Estados Unidos: sem máscara, parceiros na irresponsabilidade diante da mais séria praga da humanidade em mais de 100 anos.

Não é à toa que ambos, hoje, lideram a lista de doentes e de mortes entre os mais de 11 milhões de infectados e 532 mil óbitos, com perto de 40% de ambos os totais do planeta, tendo, como já disse aqui, menos de 7% da população global.

Nossos países, além da indiferença pelo sofrimento humano, entregaram-se à mistificação – quanto tempo, energia e dinheiro perderam-se com a história da cloroquina – e à politização do vírus.

Trump e Bolsonaro, enquanto puderam, debocharam do perigo, desdenharam de sua gravidade, passaram a oferecer curas milagrosas e, agora, juntos, comemoram uma “retomada” que é nitidamente fugaz, diante da nova escalada de casos que assola seus países.

O governo brasileiro, na sua ânsia de “puxar saco” do declinante governo Trump, sequer reagiu às desqualificações que nosso país sofreu, depois que Bolsonaro virou chacota mundial.

Agora, no 4 de julho, o que podia ser uma visita protocolar, diplomaticamente adequada até, vira um espetáculo de sabujice, onde nossa ignorância só não fica mais evidente porque a norte-americana em muito se assemelha.

Não foi sequer um “evento social”, tanto que nossos ministros, inclusive os generais Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, se obrigam a usar um adesivo de identificação posto pela segurança norte-americana, algo inteiramente desnecessário num encontro desta natureza.

Para quem já tirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos, porém, nem dá para reclamar disso.

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10 respostas

  1. Mas existe algo mais coerente do que serem os dois países com mais casos ? Não vou dizer que é merecido, porque seria cruel com as vítimas. Mas digo que é lógico.

  2. Deprimente e envergonhador, mas combina perfeitamente com o papel ridículo do Cachorro Louco quando, após esperar mais de uma hora por Trump, tascou-lhe a famosa frase lambe-botas “I love you!” Não me recordo de nenhum presidente com um comportamento tão sabujo e ridículo.

  3. Isso aí só pode ser fakenews. Não acredito que tinha lá generais nacionalistas, deve ter sido montagem. Ou não seriam generais, ou não seriam nacionalistas. Só pode ser fakenews.

  4. A foto da comemoração da independência do país-sede representa muito bem, pela presença de três generais brazucas – o maior dos grupos na imagem -, a vergonha, o nojo e a indignação que nós todos, brasileiros, devemos sentir por um exército lesa-pátria, que, por esses e muitos outros generais delinquentes, virou um sub-exército estrangeiro de ocupação do nosso território, de sua recolonização, e da semi-escravização do nosso povo.

    E, por favor, parem com esta estupidez de querer distinguir militares da ativa e da reserva, como se apenas quando passassem para a reserva virassem delinquentes. São todos iguais.

  5. Mais uma tentativa de somar apoio para não cair no buraco. Mas não vai colar. Pelo contrário, vai pegar mal para o embaixador e para a campanha do Trump à reeleição. Quanto à presença dos três generais na comemoração, basta lembrar que uma imagem vale mais que etc., etc., etc….

  6. Desculpe, mas não está na hora de pararmos de dar (o pouco) espaço progressista para esse monstro? Falar dele é sempre desagradável, inútil e faz todos perderem tempo.

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