Quanto tempo a inflação resiste ao dólar a 3,61?

dolarmai208

No momento em que escrevo, o dólar é negociado a R$ 3,61.

Uma variação de 15% sobre sua cotação de 12 meses atrás: em 9 de maio de 2017, a cotação estava em R$ 3,18.

Hoje ou amanhã, a Petrobras anunciará novo reajuste dos combustíveis, pressionados pela alta do petróleo, que segue subindo depois do “rompimento moderado” de Donald Trump do acordo atômico com o Irã, porque desacompanhado (ainda) de sanções econômicas.

Há um limite para que a baixa demanda por produtos “segure” a inflação em níveis relativamente baixos.

A fala do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, insinuando que os juros ainda podem cair, não recebeu crédito nem mesmo entre os “adoradores do BC”.

O motivo é simples: a alta da moeda americana vai, necessariamente, refletir-se na taxa de inflação e, portanto, no juro real.

Porque sem uma política de compensações, um aumento no dólar não será absorvido sem repasses pelo mercado.

No final do ano passado, entre as 57 empresas que detinham metade da dívida das dívidas de pessoas jurídicas, 40% dos compromissos eram em dólar, contra 28% em 2014.

Não há mágica em economia.

O que há é uma tranquilidade aparente, dados os compromissos da imprensa com o modelo de estagnação e arrocho fiscal que se implantou aqui como se implantou na Argentina, que acaba de se esborrachar contra a parede.

Os argumentos de que a situação é diferente da de nossos vizinhos – em razão das fortes reservas cambiais acumuladas nos governos petistas – são apenas parcialmente verdadeiros. Um movimento mais forte de venda de dólares pelo Banco Central representaria, como de alguma forma já representa, mais especulação contra a moeda brasileira.

Com a crise externa que não dá qualquer pinta de caminhar para acalmar-se e as incertezas eleitorais que só aumentam, vai se criando um caldo fortemente inflamável.

 

 

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22 respostas

  1. Brito, não toca neste assunto. Os banqueiros devem estar fazendo grandes planos para aumentarem seus lucros e aí…
    Se a inflação subir será o desastre dentro do desastre do golpe do judiciário.

  2. R$ 3,61 é média das cotações praticadas naquele dia (PTAX do BC) , portanto deve ter várias casas de câmbio e bancos trabalhando com dólar a 4 reais ou pertinho disso. A coisa tá pior do que parece.

  3. O transatlântico golpista não responde a nenhum comando e a nave segue morimbuda rumo ao nada. A politica de terra devastada do Golpe gerou a maior depressão econômica de nossa história. É claro que nessa condições as reduções das taxas de juros não são capaz de reanimar a economia e muito menos o investimento (para não falar do nível absurdo das taxas de juros mesmo com essas reduções e do problema dos spread bancário que impede que essa redução e o possível estímulo possa chegar na ponta para os tomadores finais, seja empresários e seja consumidores). A inflação foi derrubada por essa situação de “criogenia econômica” e não pelas habilidades do dream team comandado por Meirelles (não riam por favor, é trágico e assim foi vendido para o povo incrédulo). São verdadeiramente uns piratas e não tem nenhum compromisso com nada a não ser a pilhagem.

    1. Com uma Lei Escravagista firmemente carcada na filosofia de Pelourinho, teremos uma economia digna de império do século XIX. Não há como isso dar certo. Estamos condenados a voltar aos trilhos, ou nos esfacelaremos em 4 ou 5 paisecos de m.er.da, destroçados pelo pior que há dentro dos seres humanos – a negação de nossa natureza.

      1. Como uma minoria pode dominar e impor seus interesses e sua visão de mundo contra os interesses de uma ampla maioria? Apenas se essa maioria é incapaz de enxergar seus próprios interesses e de desenvolver uma visão de mundo em sintonia com seus interesses.
        Durante muitos anos, séculos inclusive, sabemos que uma pequena nobreza de sangue conseguiu essa façanha até que um dia uma famosa prisão foi derrubada e com ela o pedestal em que essa pequena nobreza de sangue estava confortavelmente instalada. Vai acontercer o mesmo com essa nobreza do dinheiro. É questão de tempo, é matemático.

          1. Como diria o sábio profeta: “Estas são as expectativas cegas da fé, que a razão e a análise histórica repelem.”

    2. Nada adianta baixar juros se a polícia fiscal é de total desinvestimento e engessamento com a EC 95. Além disso, esse Gov GOLPISTA não usa instrumentos de regulação dos bancos para baixas juros na vida real. Lembro que no Gov Dilma CEF e BB tiveram que baixar a referência do mercado na marra, caso contrário a Selic mais baixa seria só pra inglês ver.

      1. Como era previsto a enxurrada de dólares gerados pelo tal “quantitative easing” do FED ( que deixou as taxas de juros americanas perto de zero), se alojou nos países emergentes (por causa das altas taxas de juros). Agora que a taxa americana está subindo eles debandam no sentido inverso. A Argentina que acreditou nas promessas do mercado financeiro especulativo foi jogada na lona. E o mesmo vai acontecer com outros países. No caso do Brasil tudo foi feito para agradar o mercado financeiro (que agora está dando no pé) e ainda por cima destruíram a economia produtiva e o mercado consumidor interno. Sem investimento externo, sem investimento público, sem emprego e sem renda como vai acontecer a retomada da economia???Por ordem judicial??

  4. Já dá para ver as espumas do tsunami no horizonte… em breve começaremos a ouvir o rugido do monstro… que vai nos engolir…

  5. Ouvi outro dia de professor que temos os economistas mais inteligentes do mundo!! É incrível como esse bando de diplomados do judiciário e economistas dirigentes do bacen nunca pensam em defeder o pais quando implantam poderosamente as suas teses. Esses caras são qualquer coisa no mundo menos brasileiro.

    1. Cresci durante a Ditadura Militar. Os economistas queridinhos da imprensa eram Delfim Neto, que ficou excitado na reunião do AI-5 para assinar aquela barbaridade e acabou como ministro da agricultura de Figueiredo, e Roberto Campos, que criou a Crise Autofágica – ele é o pai da Correçào Monetária, sistema que tentava anular a inflação gerando mais inflação, uma armadilha financeira tão nefasta que levou-se quase 30 anos para ser vencida. Como se pode ver, tinhamos mesmo economistas à altura dos melhores do mundo, como Milton Friedman, o co-autor do neoliberalismo, atual Câncer da Humanidade.

  6. Por que não consigo parar de imaginar os “economistas” e banqueiros respondendo a isso fechando os olhos, tapando os ouvidos e cantarolando: “La la la, deus mercado vai me guiar! La la la, mão invisivel do mercado não vai falhar!” ?

  7. A Globo não está conseguindo mais gerenciar o país. Talvez seja melhor passar o controle para o SBT.

  8. Eletrobras privatizada = pagar energia da TV no pré pago

    Por Janio de Freitas:

    “O comentário sobre a desistência de Joaquim Barbosa cabe em uma frase: a causa dos negros não recebeu de Joaquim Barbosa o que precisa e merece.

    Passemos à batalha e aos que lutam, de lado e outro. A pretendida privatização da Eletrobras é mais um caso escabroso na série de transações desse gênero. O repórter Lúcio de Castro descobriu, e divulga no site da sua Agência de Jornalismo Investigativo Sportlight, que o governo Temer contratou poderosa assessoria de comunicação para atuar em jornais, TV e rádio de modo a inverter a opinião pública majoritariamente contrária à venda da empresa, como verificado em pesquisas.

    O valor do contrato é de R$ 1,8 milhão mais extras. O método consiste na divulgação de notícias e comentários que apresentem a privatização como promissora em contraste com a depreciada empresa estatal.

    Até agora não se notam efeitos na opinião pública. Na Câmara houve, sim, alguma redução na ampla resistência a se opor ao eleitorado. Lá, sabe-se, as maneiras de indução de mudança não são notas de noticiário, são outras. E, por esta mesma razão, o tema Eletrobras não é explorado só em termos de privatização ou não.

    O relator da proposta, escolhido com precisão, é o deputado do PP fluminense Julio Lopes, o que já diz alguma coisa. Integrante do grupo mais próximo de Sérgio Cabral e de grupos semelhantes na Câmara, seu nome não faltaria no papelório da Lava Jato, versão carioca ou curitibana.

    Julio Lopes, como era toda a equipe de Cabral, é versátil nos assuntos de seu interesse. O relatório, exposto em sua forma mais recente, propõe a doação, adicionada às indenizações, de R$ 279 milhões aos que forem demitidos na privatização de distribuidoras de energia no Nordeste e no Norte. Um modo de quebrar manifestações resistentes, convocadas e fundamentadas pelos servidores. Vai mais longe, porém desta vez para outros proveitos.

    No relatório do projeto de privatização o deputado Julio Lopes incluiu contrabandos, além de ilegais, imorais e denunciadores dos seus propósitos. Um deles objetiva nada menos do que saquear o fundo social do pré-sal, retirando-lhe recursos dirigidos à saúde e à educação. Sempre a saúde e a educação como vítimas. No caso, para aplicar a usurpação no aumento da rede de distribuição de gás, que o Plano Parente incluiu nas privatizações da Petrobras ao varejo.

    Em se tratando de relatório sobre uma privatização, Julio Lopes introduziu-lhe também um facilitário para a compra de terras por estrangeiros, um projeto não propriamente brasileiro. Esses contrabandos são indicativos, mas não de convicções. O que traz à afirmação do novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, de que “as contas de luz subirão menos com a privatização”, bem adequada ao esforço de descrédito da Eletrobras.

    As estatais estão em baixa, mas o cinismo nunca esteve tão em alta.”

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