Renan, Maia e a entrega da botina previdenciária

Caminhamos, daqui a pouco, para uma eleição que retratará o “novo Brasil” da moralidade e da “nova política”.

Rodrigo Maia e Renan Calheiros, de novo e de novo, serão eleitos presidentes da Câmara e do Senado, com direito a telefonemas de incentivo presidencial. desde o Hospital Albert Einstein.

Um cenário bem diferente daquele em que o filho Eduardo Bolsonaro pretendia para “tratorar” a oposição ao ex-capitão, não tem dois meses.

O preço é claro e exposto, como o cartaz de promoção nas vitrines: a aprovação da reforma da previdência em bases muito mais violentas que a fracassada tentativa de Michel Temer.

Aquela que ruiu após a gravação do “tem de manter isso” com Joesley Batista.

No mesmo dia em que “vence”, com Renan e Maia, a escolha para o comando do Legislativo, porém, o governo terá de amargar Marco Aurélio Mello “mandar para o lixo” as investigações sobre Fabrício Queiroz e o “Filho 01”, Flávio Bolsonaro.

A ver como o fluxo de lama que delas virá irá atingir o clã.

Neste caso, mas ao contrário de Brumadinho,ali as sirenes soaram bem alto mas igualmente não havia plano de emergência. Improvisaram-se diques, na correria, como as entrevistas amestradas na Record e no SBT, e as alegações de que os rejeitos atingem também outros deputados estaduais. Tudo sem maiores resultados ou projeções:  até agora, não há certeza se o “01” será abandonado à sua desgraça.

Renan e Maia, ambos comprovados sobreviventes de soterramento de reputações, podem até dar tudo do que insinuam prometer ao governo.

Mas só entregarão rápido se houver uma onda acachapante de apoio à reforma que ultrapasse as resistências que se terá de vencer e que não aparecem porque o que se anuncia até agora não evidencia quem serão as vítimas dos cortes brutais que se pretende fazer.

Se Paulo Guedes e o governo esperarão dois meses até darem os detalhes, como exigir que os parlamentares votem em poucos dias? Ainda mais se estiver rugindo a barreira fétida da promiscuidade com as milícias?

Os dois veteranos do parlamento sabem que é devagar que não se sai do lugar e serão muito mais “reformistas de boca” que de atos, como espera Bolsonaro. Se poder consiste em não dar poder absoluto ao ex-capitão.

Os coronéis da roça, espertos, só davam o segundo pé da botina depois da eleição.

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