Santayana: o MP vai “enquadrar” o STF?

De volta a seu blog, Mauro Santayana reflete sobre o flerte entre o Ministério Público e as hordas facistóides que presinam o STF. Reproduzo um trecho:

Tanta corda deram os membros do Supremo Tribunal Federal ao monstro da antipolítica, aos sucessivos desmandos do “partido” lava-jatista e à malta estúpida e ignara que tomou conta das redes sociais, e que partiu para ataques diretos e agressões pessoais a ministros do Supremo e a amaças a suas famílias, que agora chegou-se a um impasse entre o poste e o cachorro, com a clara tentativa do Ministério Público de enquadrar o STF, invertendo totalmente a lógica institucional republicana e a ordem de valores, como se o Supremo Tribunal Federal não estivesse agindo em defesa de suas prerrogativas institucionais e da incolumidade de seus membros, e por meio delas da própria República, justamente pela negativa ou absoluto descaso do Ministério Público em investigar os ataques recebidos pelo Supremo nos últimos anos – muitos deles indiretamente incentivados pelo comportamento e declarações de alguns de seus próprios membros – com a estapafúrdia desculpa de que até mesmo ameaças diretas de morte ou de agressão seriam apenas mais uma modalidade de uma liberdade de expressão que é preciso defender a qualquer preço.

Calúnia e a defesa da eliminação física de adversários políticos é crime em qualquer lugar do mundo.

E mais ainda no país que mais mata no planeta, ao ritmo de pelo menos um agente público vitimado por semana nos mais recônditos e variados recantos da nação – em uma longa lista que inclui, em casos emblemáticos, personalidades políticas – e jurídicas – como a vereadora Marielle Franco e a juíza Patrícia Acioli, por exemplo.

Ora, no lugar de ficar brigando com o STF, o que o Ministério Público deveria fazer é encaminhar à justiça pedido para uma ampla investigação do que está acontecendo hoje na internet brasileira, onde são produzidas e veiculadas centenas, milhares de ameaças, incluindo de morte, todos os dias, contra cidadãos brasileiros que fazem exatamente o que o MP diz defender neste momento, tentando exercer seu direito de opinião em um país tomado pela barbárie, a hipocrisia, o cinismo, o espírito de manada, a estupidez e a violência.

Há anos, já, que essa situação perdura, impunemente, e as ameaças crescem a cada dia novo dia, sem nenhuma ou quase nenhuma manifestação ou atitude, por parte da justiça brasileira.

A começar pelo MP, que deveria tomar cuidado, como instituição, com quem está escolhendo para dançar no universo da opinião pública.

Alianças de conveniência na luta de grupelhos pelo poder – mesmo quando pertencentes a certas instituições – podem não durar para sempre, principalmente quando se aposta na derrubada dos inconcretos – e frágeis – pilares que ainda sustentam a nossa já frágil – e em franca derrocada – democracia, com claras e previsíveis consequências para todos.

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